“A Luta pela Arte do Século” e os “Heróis d’Muleke”

Por Carolina Lemes

"Os Feras" - Aquarela sobre papel. Ft: Carolina Lemes.

A exposição “A Luta pela Arte do Século” do artista plástico Gustavo Ferreira e os seus “Heróis d’Muleke” estiveram juntos no Museu do Telefone em Bragança Paulista. O pintor teve 20 de suas obras expostas entre telas à base de aquarela, acrílica e nanquim, graffitis feitos em spray e látex, e bonecos construídos com Medium Density Fiberboard (MDF), um material derivado da madeira. Segundo ele, seus trabalhos são uma reflexão da vida de um moleque, que gosta de andar descalço, de ouvir música alta, colar figurinhas e jogar videogame, enfim, é um trabalho jovem realizado com graffiti, reciclável, entre outros.

Os bonecos são inspirados em crianças de 5 a 10 anos de idade, feitos para serem heróis de brinquedo. Já os graffitis são para os adolescentes, com toques artísticos que visam transmitir toda a conturbação de sentimentos provindos dessa fase. E as telas retratam a política, a religião e outros aspectos da vida de ‘moleques’ de 30 a 40 anos que, segundo o pintor, cresceram, mas nunca vão deixar de ser crianças também.

"O Tiuzinho de Itatiba" - Spray e látex sobre madeira. Ft: Carolina Lemes.

A funcionária do Museu do Telefone, Roseli Cipriani, diz ter ficado chocada com as obras do artista, pois sempre esteve acostumada com exposições mais tradicionais que passaram por lá e argumenta: “Gustavo tem uma criatividade enorme, dá pra perceber no modo em que retrata os temas em suas obras. Eu que sou mais familiarizada com pinturas de paisagens, por exemplo, me surpreendi com suas obras diferentes, mas de tamanho talento. As crianças que vieram ver a exposição ficaram fascinadas, com os olhos arregalados para os quadros”.

Luiz Gustavo Costa Ferreira é professor formado de Artes Plásticas, nasceu em Guarulhos, mas reside em Bragança Paulista, tem 25 anos, participa do projeto “Colorindo minha Cidade” e leciona oficinas de arte na Secretaria de Educação de Pinhalzinho e no Salão da Terceira Idade de Tuiuti. Já participou de vários eventos em galerias e salões de arte, além de ter feito uma exposição no ano passado em Nova Iorque. O artista iniciou seu trabalho com pinturas surrealistas, figurativas e abstratas mescladas com desenhos que lembravam histórias em quadrinhos e logo após, passou a se interessar por grafitti e então, aderiu à técnica. Van Gogh, Kandinsky, Miró e Chagall estão entre os seus pintores favoritos.

"Heróis d' Muleke - Cangaço". Acrílica sobre MDF recortado. Ft: Carolina Lemes.

Quando criança queria ter bonequinhos de heróis dos quadrinhos, então desenhava e recortava seus próprios bonecos de papel. O tempo passou e Gustavo esqueceu dessas suas artes de criança, mas um dia, depois de já ter terminado a faculdade, e estar tentando se encontrar no trabalho, teve um sonho que lhe mostrou o caminho a seguir: “Sonhei que estava falando com Deus e ele me dizia para voltar a ser pequeno, para fazer algo simples de um ser pequeno. Acordei com uma certeza que nunca tive antes, a de fazer meus bonequinhos de papel. E fiz… com o tempo achei o suporte certo (o MDF) e fui aprimorando também para quadros, graffitis, etc. Mas todo meu trabalho vem das raízes dos meus “Heróis d’ Muleke”.

Os chamados “Heróis d’ Muleke” são piratas, cangaceiros, com olhos saltados e línguas enormes, que transmitem a magia e a loucura de um super-herói. Hoje eles são retratados não só com pinturas e desenhos, pois o artista ampliou sua filosofia de moleque para poesias, teorias de Arte Contemporânea e curtas-metragens: “os “Heróis d’ Muleke” progrediram muito mais do que eu esperava”, ressalta.

O artista plástico fará exposições no mês de junho no metrô da Praça da República e no Clube Pinheiros em São Paulo – Capital e na Galeria Mali Villas-Bôas em Itaim Bibi – SP. Para mais informações, acessem sua galeria: www.flickr.com/gustavoferreira 

"Arte Kombate!!!" - Reciclagem, spray, acrílica e colagem sobre suporte. Ft: Carolina Lemes.

Mesmo no Inverno a dengue exige cuidados

Por Victor de Paula

Com o início dos dias mais frios do ano, procuramos nos proteger de resfriados e gripes e nos despreocupamos com a prevenção e com os perigos do vírus da dengue. Apesar das mudanças de temperatura, os riscos ainda são grandes. De acordo com o medico Carlos Garcia Louzada, coordenador de Prevenção e Controle da Dengue da Secretária de Vigilância Sanitária de Atibaia, “os casos de infecção ocorrem até o final de abril, mas o mosquito está entre nós durante o ano todo”.
Vale lembrar que a doença “é desencadeada pelo mosquito a partir do momento que uma pessoa já infectada é picada”, contou Louzada. De acordo com o Ministério da Saúde cerca de metade das pessoas picadas não desenvolvem a doença. Cerca de 20 a 50% vão desenvolver formas subclínicas da doença, ou seja, sem apresentar sintomas. Existe uma crença de que uma pessoa já infectada pela dengue, se picada novamente a doença será pior. Entretanto, afirma Louzada, isto é apenas um mito, pois a gravidade da doença “depende da variante viral”.
Mesmo com a chegada do inverno, com a redução das chuvas, é fundamental manter tonéis, barris, garrafas d’água e latas de lixo bem fechados, além cobrir pneus velhos e remover as folhas acumuladas nas calhas. O mosquito está entre nós e cabe a todos os cidadãos a prevenção deste mal.

A dengue em números
A dengue é considerada pelo Ministério da Saúde um dos principais problemas de Saúde Pública no mundo. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em 2009 o Brasil registrou 529.237 casos de suspeita da doença (0,27% brasileiros) e 2.271 óbitos. No mesmo período, no Estado de São Paulo foram registrados 9.665, (0,02%), segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). Em Atibaia, de acordo com o CVE, foram registrados entre os anos de 1995 e 2006, apenas 2 casos, e nos últimos 3 anos já foram registrados cerca de 39 casos, aproximadamente 0,03% da população, sendo 14, cerca de 0,01%, somente em 2010.

Para mais informações.
Secretária de Vigilância Sanitária de Atibaia.
Orientações: 4414 3354
Reclamações: 4414 3350
Ou acesse:
http://www.combatadengue.com.br/

Mesmo com atraso, novo Mercado de Bragança agrada usuários

Fachada revitalizada do Mercado Municipal. Ft. Tárcio Cacossi

Por Tárcio Cacossi

As obras de reforma do Mercado Municipal Waldemar de Toledo Funck, em Bragança Paulista foram oficialmente entregues pela Prefeitura em solenidade realizada em 23 de abril, com a presença do prefeito João Afonso Sólis. Os permissionários ouvidos pela reportagem dizem que a reforma foi benéfica, apesar do atraso de seis meses nas obras. Durante esse período os negociantes e usuários ficaram sem atividades no local. A obra, segundo o planejamento, deveria ter sido concluída e entregue há pelo menos um ano.

Tudo está novo no local: fachada (com portas de vidro), pintura, pisos, elevadores, banheiros, entre outros detalhes. No local são comercializados diversos tipos de alimento como frutas, legumes, verduras, flores, doces, carnes, pastéis, especiarias, entre outros. Para o último andar, ainda vazio, está prevista a instalação de uma lan house pública. “A ideia é fazer daqui um mercado modelo, uma atração turística para a cidade”, declara o administrador do prédio vinculado à Secretaria de Agronegócios, João Marcelo de Oliveira.

Banca de hortifruti. Ft. Tárcio Cacossi

Quem está satisfeito com a reforma é o casal Emerson e Andreia Azzi, proprietários de um box de hortifruti:“Para nós foi ótima! O mercado está bonito e organizado. Isso atrai a clientela.” A consumidora Maria, que passava nessa ocasião reforça essa opinião: “Também achei que ficou muito bom. Fazia tempo que eu não vinha aqui e quando cheguei até assustei. Está bem diferente”, declara.

Com relação ao movimento registrado no estabelecimento, Miguel Pereira de Andrade, dono de uma doceria, destaca o aumento não só no Mercado, mas também em seu estabelecimento. “Antes havia alguns bares aqui neste corredor e as pessoas passavam sem dar a devida atenção. Não era um local muito familiar. Mas com as mudanças proporcionadas pela reforma, minhas vendas aumentaram muito”.

Em seu discurso na inauguração o prefeito prometeu aos comerciantes a isenção das taxas de locação de seus espaços, devido ao tempo que tiveram que paralisar as atividades em função do atraso nas obras. Os trabalhos foram iniciados em 21 de junho de 2008, sob um orçamento de R$ 1,5 milhão. No dia da assinatura do contrato, a Empresa Metafort, responsável pela obra, anunciou que demoraria nove meses para concluí-la, mas demorou aproximadamente 21 meses.

De acordo com levantamentos os atrasos da obra têm diferentes explicações, dentre elas a burocracia do Governo do Estado, que resultou na demora da liberação dos recursos vindos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Cidades Estâncias (DADE). No entanto, as obras não foram entregues por completo, pois falta terminar o piso inferior, onde deverá funcionar um estacionamento. O Mercado Municipal foi fundado por Emiglio da Silveira em 1887 e há 123 anos é um dos pontos mais representativos de Bragança Paulista.

Bienal do Esquisito destaca a arte contemporânea

Na abertura da bienal, Helio Leites, artista paranaense atrai olhares para sua performance. Ft. Marta Alvim.

Marta Alvim

Um homem segura carinhosamente uma botina velha pintada de azul e preto, outro sentado no palco declama uma poesia para o número cinco, uma peça dourada, destas que são colocadas nas fachadas das casas. Parece loucura? Tanto faz se você respondeu sim ou não, ambas estão erradas. Trata-se de arte contemporânea, e como tal, qualquer definição simplista é perda de tempo. O melhor é entregar-se às suas provocações e desfrutar da experiência estética.
Nessa esteira, do estranhamento e dos sentidos, a 5ª Bienal do Esquisito cumpre seu papel trazendo para Atibaia um festival de arte que reúne obras das mais variadas técnicas, incluindo performances e videoinstalações. A novidade desta edição é a participação dos artistas agregados. “Aqui já é lá!”, tema da mostra, reservou um espaço onde o artista selecionado pode apresentar a obra diretamente de sua cidade. Para o curador, o Brasil possui muitos artistas bons, mas que muitas vezes pela distância geográfica não se inscrevem.
Rompendo com a barreira espaço/tempo, por meio de ferramentas tecnológicas, estes artistas tiveram suas obras expostas na abertura desta edição.
Para quem não conhece, a Bienal foi criada por Paulo Cheida Sans, curador do Grupo de Gravadores Olho Latino e do Museu Olho Latino.
As três primeiras edições da Bienal do Esquisito foram realizadas em Campinas, no SESC. A 4ª edição, já em Atibaia, reuniu importantes artistas como Guto Lacaz, Caciporé Torres, Fernando Durão, Rubens Gerchman, entre outros.
Segundo Cheida, a Bienal do Esquisito tem como finalidade sintonizar o público com a arte contemporânea oferecendo um elo de comunicação entre o artista e o espectador. Por isso lançou o Manifesto do Esquisito, para poder unir a criação artística com o cotidiano das pessoas.
A exposição está aberta à visitação, no Centro de Convenções Victor Brecheret, até 26 de junho, data em que será divulgada a lista dos artistas premiados.

Cuidados Paliativos: uma nova abordagem na medicina é iniciada em Bragança

Gerson Gomes

Cuidados Paliativos é uma nova abordagem na medicina que está sendo iniciada na saúde pública de Bragança Paulista que visa aliviar os pacientes e familiares do sofrimento relacionado com a doença, principalmente os pacientes terminais. É um trabalho pioneiro no Sistema Único de Saúde (SUS) e que está sendo realizado pelo Dr. Antônio Sílvio da Costa Júnior que iniciou o trabalho com cuidados paliativos em missões de paz pelo mundo em vários países africanos em combate a fome, na Ásia após o Tsunami e no Timor Leste pós-guerra por três vezes.
Segundo o médico “as pessoas entendem cuidados paliativos quando não se tem nada a fazer. Mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que os cuidados começam quando se vê o doente. E não só para ele, mas para a família que está em volta”. O cuidar da família acontece, principalmente, com o luto, pois a dor da perda de um ente próximo fica e aliviar a dor faz parte dos cuidados, explica Dr. Antônio Sílvio.
As unidades da Estratégia da Saúde da Família (ESF) que estarão envolvidas nesse novo trabalho onde trabalham médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, além de outros profissionais como psicólogos, assistentes sociais, educadores físicos, nutricionistas, fonoaudiólogos, Dr. Sílvio aponta que para um bom desenvolvimento deste trabalho há a necessidade dessa equipe ser transdisciplinar, onde todos trabalham em conjunto.
A proposta dos cuidados paliativos é bem clara quando o especialista cita que “os cuidados não tem o propósito da eutanásia ou a distanásia, prolongar ou suprir o sofrimento, e sim aliviar a dor sem tirar a consciência do paciente.
Ele cita o exemplo de alguns médicos que no inicio dos anos 50, quando a medicina começava a se desenvolver melhor, principalmente na farmacologia como os analgésicos e os anestésicos, alguns médicos católicos foram até o Papa Pio XII perguntar se era lícito sedar o paciente com dor em final de vida. O Papa respondeu que era sim um dever deles aliviar a dor do paciente, mas não tirar a consciência do paciente, pois eles tinham, além da responsabilidade técnica, três responsabilidades éticas: humana, social e civil. Dr. Sílvio explica que cada pessoa tem o dever direito de viver os últimos instantes da vida de maneira digna (humana), respeitar aquele momento do paciente e dos familiares, pois somos seres que temos relações com diversas pessoas (social) e por fim dar plenas condições a quem fica em relação aos documentos para resolver as situações que podem vir daquele que morreu (civil).
Dr. Sílvio afirma que não existe nenhum protocolo clínico para aplicação dos Cuidados Paliativos nas unidades da ESF no Brasil. “Com o decorrer do tempo nós vamos criar com a ajuda de todos os profissionais envolvidos na Saúde da Família”, disse. A prática dos cuidados paliativos existem em algumas redes particulares, principalmente hospitais oncológicos.