Polícia Militar no combate ao estresse

É preciso controle emocional e preparação física para lidar com situações adversas

 

Jéssica Soares

Com hora certa para entrar e sem hora para voltar para casa, um grupo de pessoas dão a vida para defender a sociedade: seja contra o marginal, seja solucionando uma briga de casal ou vizinho, e até mesmo socorrendo quem necessita de atendimentos médicos. Atrasos e faltas não podem existir. A farda tem que estar sempre impecável, nem que para isso seja preciso acordar uma hora antes do amanhecer. São homens, mulheres, jovens ou mais experientes, pessoas comuns com família, amigos e sonhos. Profissionais que estão se tornando vítimas, “do stress”, sobretudo ao atuarem na repressão ao crimes.

Segundo o soldado PM Cristiano da 2° CIA 26° BPM/M de Mairiporã, o dia-a-dia do policial militar é muitas vezes estressante. Durante as doze horas de trabalho, eles se deparam com todo tipo de ocorrência, desde brigas conjugais, atuando como conciliadores, assassinatos, roubos ou apenas orientando o melhor caminho para se resolver um problema.

Outros casos chegam a mexer com o emocional do policial, principalmente quando é chamado para atender ocorrências relacionadas à família. “Recentemente tive que atender uma ocorrência de “afogamento”. Era uma criança que havia se afogado em um rio e chegado ao óbito no dia do seu aniversário. A família estava completamente abalada, e além de tentar confortar e indagar os pais para preencher os relatórios, ainda tive como obrigação preservar o local e o corpo da criança. É preciso ter frieza nessas horas” diz a soldado.

Os policiais também enfrentam a cobrança da corporação e por boa parte da população que considera a policia militar como violenta, ineficaz e criminosa. Aspectos negativos que acabam contribuindo para o stress.

Sargento Vilson da 2° CIA de Mairiporã revela outras causas mais comuns de stress entre os policiais. “Os motivos mais comuns do stress são decorrentes de jornada de trabalho muito extensa, falta reconhecimento público, a imprensa que só procura dar notoriedade aos nossos erros, esquecendo que tal fato deixa de lado milhares de atendimentos efetuados com grande êxito (partos, salvamentos, desistência de suicídio, etc.) e falta de amigos civis.

O Sargento indica as características principais para quem deseja trabalhar nesta profissão: “para se tornar um bom policial militar é preciso ter amor a causa pública, destemor, controle emocional e entender que o infrator da lei é um inimigo da sociedade e não particular dele”.

 E a remuneração, como forma de reconhecimento, possui um valor injusto, pois não contempla seus integrantes suprindo suas necessidades básicas.

 Combate ao stress

Para ajudar no combate ao stress existe na policia militar o acompanhamento psicológico  centralizado nos centros administrativos. Todo policial deve fazer o acompanhamento anualmente ou imediatamente  caso o mesmo se envolva em ocorrência de risco (tiroteio, confronto, etc).   

Acompanham o dia-a-dia do policial os chamados observadores: atentos ao comportamento dos policias, podem perceber o stress caso o policial não enxergue que esta com a doença. O primeiro observador é o Sargento comandante da equipe através de “preleção” (bate papo) no qual procura perceber como está o humor de todos, e o segundo é o companheiro de viatura no patrulhamento, o qual reporta através de relatório escrito como foi o dia da equipe.  Ao detectar que o policial esta em nível avançado de stress o mesmo é encaminhado ao setor de acompanhamento psicológico e sua escala é alterada para um serviço menos estressante.

Para o soldado PM Damião da 2° CIA 26° BPM/M de Mairiporã, os principais problemas são enfrentados em casa com a família que muitas vezes não entende a difícil e imprevisível rotina de um policial. “Quando acontece uma ocorrência no fim do meu expediente, minha rotina se estende por tempo indeterminado, e só posso ir para casa após a liberação do delegado. Não só eu, mas acredito que outros policiais também enfrentem o mesmo em suas casas, com a esposa que não compreende a mudança freqüente e repentina nos horários, e acabam acontecendo brigas, principalmente quando não posso ir ao compromisso marcado. Isso é muito complicado” diz ele.

Ainda assim diante de tantos aspectos que contribuem para o stress, e do extremo risco que esta profissão oferece, o concurso público para ingresso na Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, continua atraindo uma multidão de candidatos, que passam por processos rigorosos de seleção. Tais processos incluem provas de escolaridade, provas de condicionamento físico, exames médicos, exames psicológicos, investigação social referente aos últimos 10 anos de vida do candidato e análise de documentos e títulos.

Se aprovado, o candidato freqüentará durante um ano o curso de formação de soldados e depois ingressará como soldado segunda classe.

O último concurso para soldado ocorreu em março de 2011, com mais de 50 mil candidatos inscritos para apenas 500 vagas a ser preenchidas em 2012, para o cargo de soldado masculino.

Os motivos mais comuns que levam o jovem de 18 a 30 anos a se interessar por esta profissão é a estabilidade que o emprego oferece, já que a pessoa se torna funcionário do Estado e também o salário inicial que pode chegar a R$ 2.387.

Jornada de trabalho extensa e falta reconhecimento público são algumas causas do estress. Foto: Jéssica Soares

 

 
 Todas as informações cedidas pela Polícia Militar nesta matéria, são para fins acadêmicos, sendo proibida a divulgação fora da instituição de ensino, em veículos privados sem prévia autorização da acessória de imprensa da Polícia Militar.
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Morangos Saudáveis em Atibaia

Programa implementado pela EMBRAPA incentiva a produção e comércio de morangos mais saudáveis, na 31ª Festa das Flores e Morangos da cidade.

60% mais saudáveis, os morangos de Atibaia fomentam o turismo e aquecem a economia da cidade. Foto: Imotion Imagens

 Por Mariana Pedroso

 Seja em caixas fechadas, doces especiais ou geléias, a fruta que está no nome de um dos principais eventos da cidade, a Festa das Flores e Morangos, tem recebido um tratamento mais especial e saudável, graças à implementação de um novo sistema de produção de morangos desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Esse programa é o PIMO (Produção Integrada de Morango), um aglomerado de normas e técnicas modernas para a reeducação no plantio. Com ele, os agricultores de Atibaia que produzem morangos pelo método convencional, tem dado mais importância ao cultivo natural da fruta, e contribuído para reduzir a utilização de agrotóxicos.

Se, em 2008, 74,39% de uma amostra de 85 trabalhadores rurais, utilizava e manuseava agrotóxicos nas plantações, como aponta pesquisa realizada por Paulo Júnior Paz de Lima, mestre em Sáude Pública, hoje, a cidade caminha para uma política mais natural, com uma redução de até 60% na utilização de produtos químicos. E quem ganha, são os mais de 122 mil visitantes que devem passar pela festa no período que vai de 02 a 25 de setembro, para conferir morangos mais saudáveis, e em cinco espécies diferentes (osso grande, festival, camino real, albiun e camarosa).

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Morangos e Hortifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região, Oswaldo José Marvieiro, o programa que já existe há 4 anos, ainda está em processo de análise. “A Embrapa acompanha, e todos os produtores passam por treinamento. É um processo demorado, mas com resultados muito positivos”. Segundo ele,  a produção de morangos na região melhorou muito, não só em relação à qualidade das frutas, como também na questão econômica. “O produtor não pode fazer grandes investimentos, por isso, o programa também ajuda na parte financeira”.

Diferentemente das culturas que promovem a agricultura orgânica, não faz parte do PIMO erradicar a utilização de produtos químicos, até porque, o agricultor que seguir as normas estabelecidas pelo programa, vai utilizar os agrotóxicos somente quando necessário.

A produção desse ano pode ser conferida no pavilhão principal da 31ª Festa das Flores e Morangos de Atibaia, a preços bastantes acessíveis. De acordo com Simone Goulart, assessora de imprensa do evento, além de mais saudáveis, as frutas comercializadas nos estandes estão sempre frescas. “Todas são colhidas e vendidas no mesmo dia”, diz. “Tudo o que não é vendido, é levado embora”.

Simone afirma também que, para preservar a qualidade das frutas, os próprios produtores são os responsáveis pelo manuseio e comércio das caixas. Para isso, foram disponibilizados quatro estandes pelos organizadores da festa, onde os fornecedores comercializam os morangos.

A expectativa para esse ano é ultrapassar o número de 40 mil caixas de morangos vendidas, meta que fez a produção regional começar mais cedo. Com o bom preparo do solo e olhar atento às regras da Embrapa, os agricultores da cidade oferecem mais saúde e qualidade aos visitantes da festa, mobilizando e promovendo turismo e agricultura local.