Práticas Sustentáveis crescem na Região Bragantina

Por Fernanda Domingues e Cristiane Ferreira

Sustentabilidade é hoje um assunto que cada vez mais ganha importância no mundo. Cobra-se muito que um país se desenvolva sem a destruição total dos recursos naturais. No entanto, mais importante que o conceito são as práticas sustentáveis que podem ser realizadas por qualquer pessoa para que haja a preservação do meio ambiente e uma convivência mais respeitosa na sociedade.

Seguindo essa linha, algumas iniciativas na Região Bragantina podem servir de exemplo. A Escola Estadual Prof. Carlos José Ribeiro, localizada no centro de Atibaia, desenvolve o trabalho de práticas sustentáveis e de educação ambiental com os alunos.

Eles limpam as salas e carteiras duas vezes por semana; fazem a limpeza do entorno da escola (retirada de lixo e plantio de árvores); cuidam da manutenção e conservação de uma horta dentro da escola, onde os alimentos plantados (salsinha, cebolinha, couve, tomate, alface, abóbora, entre outros) são utilizados na merenda; separam o lixo; participam de palestras e peças teatrais sobre meio ambiente; entre outras atividades.

A diretora da escola, Ísis Gonçalves, utiliza os conceitos de comunicação intrapessoal, que é estar bem consigo mesmo, e interpessoal, que é saber se relacionar com o próximo, para a educação dos alunos. Ela utiliza também o conceito de cuidado com o ambiente físico, o meio em que vive, para depois semear o cuidado com o meio ambiente. “Esse é o processo da educação ambiental. É preciso primeiramente cuidar de si próprio para então cuidar do outro, pois sustentabilidade nada mais é que a capacidade de cuidar”, salientou Ísis Gonçalves, que trabalha na escola há mais de 20 anos e já é reconhecida na cidade pelo seu trabalho voltado ao meio ambiente.

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Diretora Ísis relata que os conceitos aplicados aos alunos são baseados na Carta da Terra

Comunicação

Preocupada com a preservação do meio ambiente, uma agência de comunicação trabalha oferecendo a seus clientes serviços e produtos com responsabilidade ambiental.

Eles orientam os clientes a utilizarem pouco material impresso e sugerem a utilização da internet como forma de atingir seu público alvo mais facilmente e para que a ferramenta ajude também de forma ecológica. “Além de fazer com que menos papel vá para a rua, a internet, que cresceu de forma avassaladora, nos oferece diversos recursos e está disponível para grande parte da população”, relata Hernanny Gutierres, presidente da agência.

Se o cliente ainda quiser usar material impresso, Hernanny conta que indica papel reciclado e gráficas que trabalham com tinta a base de materiais vegetais. São empresas ecologicamente corretas, que possuem selo verde. “Hoje existe papel reciclado da cor e textura que o cliente quiser, não só aquele marronzinho. Também existem gráficas que utilizam tinta a base de soja e óleo”, explica.

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Com sua agência de comunicação, Hernanny resolveu fazer a diferença como profissional

Fomentadores

A Ong Terceira Via, com sede na cidade de Joanópolis, faz o trabalho de fomentar práticas sustentáveis. Por meio dos projetos Coletivo Mantiqueira e Bragança Sustentável, a Ong trabalha com educação ambiental, formando militantes nas causas socioambientais pela região a fora.

O Coletivo Mantiqueira já formou grandes lideranças pela prática sustentável em diversos municípios. É um projeto financiado pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente, que trabalha com os municípios de Extrema, Itapeva, Camanducaia, Itapira, Joanópolis, Piracaia, Bragança Paulista, Atibaia, Mairiporã, Nazaré Paulista e Bom Jesus dos Perdões.

Com o projeto Bragança Sustentável, foram formados 500 agentes em 20 bairros da cidade. A Ong tem fomentado nos projetos de educação ambiental a questão da reciclagem, mudança do hábito, reutilização, entre outros. Ela procura entender quais ações estão em andamento para, assim, poder fazer um trabalho em conjunto. “Em Bragança, por exemplo, levamos o curso de capacitação para os bairros onde tem coleta seletiva, esperando que isso ajude o processo do poder púbico e amplie a prática da coleta”, ressalta Gianmarco Bisaglia, um dos diretores da Ong.

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Há dez anos Gianmarco e sua Ong trabalham com educação ambiental

 Consciência

O vereador Paulo Fernando Lara Pereira de Araujo, o Prof. Paulo Jesus, propôs neste mês de abril a criação da Comissão de Assuntos Relevantes para Práticas Sustentáveis e Tecnologias Verdes na Câmara Municipal de Atibaia.

A iniciativa surgiu com a falta de realização de práticas sustentáveis na Casa de Leis. Nesses primeiros três meses trabalhando na Câmara, o vereador constatou que não existe nenhuma prática para redução de resíduos, política de reciclagem e é grande a quantidade de papel gasto pelos vereadores e funcionários. “Como o Legislativo é aquele poder que tem a função de analisar os problemas do presente e pensar em soluções para que esses problemas não se repitam no futuro, propus a criação da comissão”, destaca Paulo Jesus.

A ideia do vereador, presidente da comissão, é fazer com que pessoas na área de meio ambiente possam ministrar palestras, explicando a tecnologia e as práticas sustentáveis para vereadores, funcionários e população. “Essas práticas podem trazer uma consciência maior para as pessoas, pois elas poderão entender que todos nós somos agentes transformadores dentro da sociedade”, enfatiza.

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Vereador quer implantar sistema de captação de água da chuva e energia fotovoltaica

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Onda dos alimentos saudáveis

Por Paulo Toledo e Felipe Brandão

É clichê dizer que todos precisamos nos alimentar de forma saudável, já que as crianças de hoje aprenderam desde cedo a importância e o cuidado que precisamos ter para com nossa saúde. Essa “onda” de naturalismo cresceu exponencialmente nos últimos anos abrindo novos modelos de comércios e gerando novas oportunidades de renda e emprego, isso sem contar com os benefícios que podem trazer para o nosso organismo. Em Bragança Paulista, existem vários estabelecimentos que são especializados na venda de produtos naturais e “lights”, entrevistamos alguns comerciantes do ramo para conhecer um pouco mais do seu público e os produtos que estão sendo mais procurados. Nossa equipe entrevistou a comerciante Cilene, que possuí uma banca de frutas no Mercado Municipal da cidade, ela disse que entre as frutas e os demais produtos, o mais vendido é a salada de frutas sendo o “carro chefe” de seus lucros. Continuando nossa investigação entrevistamos Diogo Souza, gerente da filial da loja Subway em Bragança, durante a entrevista descobrimos que a maior parte de seus clientes pedem sucos naturais e não mais refrigerantes, enfim, podemos dizer que o refrigerante está sendo quase que descartado da alimentação de pessoas que frequentam lanchonetes e restaurantes de produtos naturais.

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Frutas, as principais aliadas para o equlibrio alimentar.

A influencia da TV

Em conversa com Carlos Quiarato, dono da loja de produtos naturais Prima Naturale, percebemos quanto o poder da televisão pode influenciar na alimentação das pessoas. O proprietário informou que a mídia possui um grande poder de controle sobre seus clientes, atestando que através de programas como Globo Reporter e Jô Soares da rede Globo, obteve aumento em suas vendas graças a matérias sobre alimentação saudável. Antes esses produtos eram consumidos apenas pela classe A, agora as classes B e C também passaram a consumi-lo devido a alcance da mídia.

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Grãos e cereais consumidos para uma alimentação saudável.

Dúvidas sobre alimentação

Nossa equipe de reportagem falou com a nutricionista Gabriela Galleazzo Ballarin Possebon, Nutricionista especialista em Nutrição Clínica: Fundamentos Metabólicos e Nutricionais pela UGF/RJ e Professora do Curso Técnico em Nutrição

do Colégio Nossa Senhora das Graças/NSG.

Confira a entrevista abaixo:

 – Como você define o que é saudável comer e o que não é?

Não existe um padrão fixo e universal. O que existem são orientações gerais sobre alimentação saudável. O padrão é definido de maneira individualizada nas consultas com o nutricionista. As avaliações físicas, metabólicas e fisiológicas são levadas em consideração quando indicamos uma dieta específica ao paciente. A técnica é sempre uma reeducação alimentar e nunca optar pelos medicamentos inibidores de apetite ou com funções de emagrecimento rápido, pois podem trazer danos irreparáveis para o metabolismo.

– Você acha que a faixa etária favorece ou desfavorece a alimentação saudável?

Existe uma recomendação e orientação alimentar para cada faixa etária e cada ciclo de vida. Durante a infância, por exemplo, a criança deve ser estimulada a consumir alimentos

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Salada de frutas é ótima opção para balancear a dieta

considerados saudáveis e desencorajada a consumir alimentos industrializados ou com muitas  gorduras, pois não possuem benefício nenhum para o organismo.

Por outro lado, em idosos, por exemplo, com o avanço da idade, podem perder as papilas gustativas e a capacidade de sentir o gosto dos alimentos, o que faz com que o idoso perca o estímulo de se alimentar, podendo agravar para um caso de emagrecimento rápido, prejudicial e até mesmo irreversível, podendo até vir a óbito.

O ideal é sempre ter acompanhamento de um nutricionista para avaliar as condições de cada indivíduo, de acordo com as sua idade. Sendo assim, com a reeducação alimentar, o indivíduo conseguirá ter autonomia para identificar o que é uma alimentação saudável ou não.

keywords: alimentação saudável; saúde; produtos naturais;

Esporte auxilia na recuperação de deficientes

Por Paloma Barra e Suelem Oliveira

Atualmente no Brasil , aproximadamente 45,6 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência, seja ela física, visual, motora, mental ou auditiva.

A deficiência nem sempre é de nascença, adultos podem ficar deficientes após acidentes, doenças e operações mal realizadas.

O Sargento Magalhães Aquino trabalhou na Polícia Militar entre os anos de 1988 e 2007. A carreira do ainda jovem sargento do Corpo de Bombeiros foi interrompida após um acidente de moto, no qual Magalhães foi atingido por um veículo conduzido por um motorista embriagado. O bombeiro ficou entre a vida e a morte com diversas fraturas pelo corpo, passou aproximadamente 60 dias no hospital do qual saiu condenado pelos médicos a tetraplegia. Porém, Magalhães uniu forças para iniciar o tratamento, recuperou as forças dos braços e hoje consegue levantar sozinho da cadeira de rodas.

Hoje, Magalhães é nadador da equipe de paradesportiva de Atibaia e participou do Nacional do Circuito Loterias Caixa Brasil de Atletismo e Natação.

Magalhães e as medalhas conquistadas

A Associação Paradesportiva de Atibaia (APA) fundada recentemente tem 30 paratletas, 12 deles em nível de alto rendimento.  O presidente da APA, Ivanildo da Paiva, também não nasceu deficiente, após uma injeção mal aplicada em sua perna direita, a mesma atrofiou e diminuiu cinco centímetros em relação à outra.

Ivan, como é chamado pelos conhecidos sempre praticou esporte, mas há apenas 10 anos pratica a natação e começou a competir. Atualmente, possui 32 medalhas em Jogos Regionais, seis medalhas em Jogos Abertos, seis medalhas de prata e três de bronze no Circuito Nacional das Loterias Caixas. Praticou maratona aquática por seis anos e foi tricampeão nesta modalidade.

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Lilian Aparecida de Souza Pinto, também faz parte da APA.  Começou há pouco tempo a praticar a natação paraolímpica, após uma cirurgia mal feita em seus olhos com consequências irreversíveis. Com quase quarenta anos, a paratleta por poucos segundos não foi para Londres 2012.  A nadadora era professora de matemática antes da operação.

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O deficiente visual, Mauricio Felício é tesoureiro da APA e também nadador. Mauricio ficou deficiente após um acidente de moto. Começou no esporte para perder peso e acabou se apaixonando pela natação e iniciou nas competições.

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Rodrigo é deficiente físico, ficou paraplégico após uma operação na coluna por ter Escoliose, segundo ele de certo ângulo sua vida melhorou, de outro piorou. Rodrigo nada há vários anos, mas voltou às piscinas faz pouco tempo após nova operação na coluna, sem sucesso.

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Deficientes enfrentam dificuldades para iniciar carreira

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Mariana durante expediente de trabalho

Por Paloma Barra e Suelem Oliveira

As limitações das pessoas portadoras de deficiência não é algo apenas físico ou psicológico. Elas precisam atravessar as barreiras impostas pelo próprio corpo e ir além, conquistar seus objetivos pessoais e muitos deles inclui entrar para o mercado de trabalho. Em Atibaia o mundo corporativo não esta adaptado para receber cadeirante, é o que garante Mariana Horta, portadora de deficiência física e recém contratada do Centro de Informações Turística.

A jovem conta que ficou mais de três anos desempregada, após ser despedida do último emprego. “Mandei currículo para diversas empresas e até me ligavam para fazer entrevista, mas quando eu dizia ser cadeirante, desconversam e diziam que não contavam com essa minha limitação”, desabafa Mariana.

A vontade de trabalhar não fez à jovem desistir e há um mês foi contratada para dar assistência turística aos visitantes de Atibaia. No CIT, Mariana dá dicas aos visitantes de pontos que devem ser percorridos e informações sobre a cidade. A inclusão social é uma das características da entidade que administra o CIT: “Acreditamos no bem que a inclusão social causa nas pessoas que trabalham, pois se sentem acolhidas e sem diferenças perante aos outros” informou em nota.

O mercado continua saturado para os deficientes que somam em mais de 3.000 – de acordo com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, em levantamento feito em 2008. Nas empresas faltam acessibilidade e sobram preconceitos, pois não entendem que a limitação pode estar nas pernas ou na visão, mas não compromete a inteligência nem a perspicácia dos portadores de deficiência.

Transporte precário dificulta locomoção de deficientes

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Jovem depende dos pais para ir ao trabalho.

 Por Paloma Barra e Suelem Oliveira

A locomoção do deficiente físico não se tornou mais fácil no decorrer dos anos. Os 25 artigos da lei que garante a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência não é realidade de muitos cadeirantes, como da assistente turística Mariana Horta, 25 anos. “Atibaia esta totalmente sem acessibilidade. Os paralelepípedos do Centro limitam os deficientes a fazerem atividades do dia-a-dia como ir às lojas e passear pela cidade”, desabafa a jovem.

Sair de casa se torna um grande desafio para os cadeirantes, já que muitos moram em bairros afastados do Centro e não conseguem nem chegar nos pontos de ônibus. A crítica é que diversas ruas e calçadas não possuem estrutura de acessibilidade para comportar a cadeira de rodas.

A Mariana reside em Atibaia há 20 anos e nunca utilizou o transporte público,  as novas adaptações que a Viação Atibaia fez em seus carros não atrai a cadeirante: “Sempre quis andar de ônibus, só que não teria coragem de fazer isso sozinha e se for pra depender da minha mãe, vou de carro que é mais fácil”, explica.

Pensando na dificuldade de transportes para os deficientes, há sete meses, começou a rodar pela cidade o primeiro táxi acessível. A motorista, Celina Aparecida Ferreira teve a ideia após ver a dificuldade dos cadeirantes em embarcar em táxis comuns. Para implantar o novo tipo de transporte precisou da autorização da secretaria de trânsito e da Prefeitura de Atibaia.

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Táxi acessível em Atibaia.

Apesar do preço da corrida ser acima do valor da passagem de ônibus, a demanda por clientes esta crescendo cada vez mais. Isso porque, no táxi a comodidade é garantida ao usuário, o que o transporte público deixa a desejar: “Alguns motoristas reclamam que não sabem usar as plataformas para deficientes dos ônibus, os cadeirantes só saem de casa por necessidade e não tem como chegar no ponto e não conseguir embarcar”

A motorista do táxi acessível ainda questiona essa posição dos condutores de ônibus: “O sistema das plataformas é muito simples, não sei se eles realmente não sabem utilizar ou afirmam isso para não ter que descer do ônibus para auxiliar o passageiro cadeirante, é preciso ter força de vontade”.

Até a publicação desta matéria a Assessoria de Imprensa da Viação Atibaia não retornou sobre o assunto.