Newsgames garantem informação e interatividade

Renata Honorato é Editora assistente de Tecnologia, Videogames, cultura digital e internet da “Revista Veja”.

Renata Honorato é Editora assistente de Tecnologia, Videogames, cultura digital e internet da “Revista Veja”.

Paloma Rocha Barra

As imagens tornaram-se importantes elementos de comunicação com um público cada vez mais leitor de signos, assim podemos acreditar que o caminho natural do webjornalismo era convergência com os games. Surge então os Newsgames.

Os Newsgames são relativamente novos na sociedade, mas rapidamente tornaram-se uma grande indústria. O leitor desta nova mídia não é mais o apreciador de jornais ou livros, um leitor que não manuseia volumes ou páginas, mas que desliza seus olhos e ouvidos em hiperlinks.

Para falar sobre o assunto, o blog conversou com a jornalista Renata Honorato. Renata Honorato é formada em jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e pós-graduada em Jornalismo Online pela Universidade de Navarra e Estéticas Tecnológicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), atualmente, atua como Editora assistente de Tecnologia, Videogames, cultura digital e internet da “Revista Veja”.

Para Renata Honorato, os newsgames ultrapassam as barreiras entre informação e entretenimento, uma nova plataforma que pode revolucionar o jornalismo, que passa por uma crise em todo o mundo. Vivenciar ainda que virtualmente um fato é muito diferente de ler um texto. Trata-se de uma experiência ativa e não passiva. São mundos completamente diferentes.

Faltam, no entanto, profissionais capacitados para trabalhar com essa nova mídia. As tecnologias utilizadas no desenvolvimento de um jogo, ainda que casual, são caras. Portanto, ainda não é possível para as redações arcarem com esse custo adicional.

O newsgame é uma nova experiência no jornalismo e os jornalistas terão que aprender a produzir suas reportagens com o auxílio dessa nova mídia.  Os conceitos de game design terão que ser estudados pela classe, mas em breve essas novas expertises farão parte da profissão. Há alguns anos, ninguém imaginava que um jornalista poderia produzir um infográfico, programar uma página, editar um vídeo ou produzir um podcasting. Hoje isso é uma realidade e uma necessidade na redação.

As séries Assassin’s Creed, Call of Duty e Medal of Honor provam que existe a possibilidade de entreter e informar, ainda que esses jogos não tenham qualquer compromisso com a notícia. Há historiadores, arqueólogos (caso de Assassin’s Creed) e escritores fortemente envolvidos na criação de um conteúdo de qualidade. É importantes ressaltar aqui é que muitos desses jogos também têm elementos de ficção e nem sempre retratam exatamente o que aconteceu na história. Os fatos servem mais como inspiração do que como espinha dorsal do projeto.

Exemplos de Newsgames

Gonzalo Frasca, especialista no tema, produziu alguns newsgames. Um sobre o atentado de Madri, em 2004, e o outro sobre o 11 de Setembro. A VEJA, também produziu um newsgame sobre 4G. A revista Super também produziu alguns.

O The New York Times, um grande modelo em termos de inovação, acabou de promover um maratona de programação para o desenvolvimento de newsgames.

Página inicial do newsgame produzido pela revista Veja sobre a tecnologia 4G

Página inicial do newsgame produzido pela revista Veja sobre a tecnologia 4G

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Hackerismo e o jornalismo atual

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O jornalista Rogério Christofoletti defende uma nova ética jornalística nas redes sociais

Suelem Oliveira

A era digital trouxe inúmeras facilidades para profissionais de diversas áreas. Os jornalistas adotam a internet como uma ferramenta oficial de trabalho, utilizam google, redes sociais, blogs e tudo que está disponível na rede para escrever uma matéria. As opções tornam o processo de apuração do século XXI mais fácil e ágil, sem limites. Entretanto, será que não é o momento da categoria repensar a ética jornalística e adapta-la para a realidade?

O jornalista Rogério Christofoletti, professor e um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalistica, acredita que estamos no processo de contágio com as mídias e que isso deve aumentar com o passar do tempo. “Historicamente se pode perceber que, quando adotamos uma nova tecnologia, alteramos a nossa cultura e comportamento, o que acaba também modificando nossa relação com outras pessoas e o ambiente que ocupamos. A internet tem provocado rediscussões éticas sobre privacidade e anonimato, só pra citar dois exemplos. Com as redes sociais da internet, o que antes tínhamos como dados privados, hoje, passam por um debate que abala a sua condição de inviolabilidade”.

Hackerismo e jornalismo

É neste contexto que o hackerismo e jornalismo se encontram, formando uma ponte entre si, já que ambos buscam tornar público alguma informação, levar algo novo para a sociedade. O conceito hacker surgiu em meados de 1984 e denominam aquelas pessoas que são expert em computação. Na época, o jornalista Steven Levy que já chamava os de “heróis da revolução na computação”. Para autor se fazia necessário compreender o significado desses personagens, antes de simplesmente marginaliza-los. Porém, sabe-se que até a atualidade a sociedade ainda possui uma imagem distorcida dos hackers e quando associamos isso o jornalismo é para de alguma maneira propor um reflexão do papel do jornalista nas redes sociais e na internet.

Christofoletti explica que associar o jornalismo ao hackerismo pode ser positivo ou negativo, depende de como o profissional usará essas práticas. “Penso que o jornalismo pode absorver práticas de hackers que contribuam para o aumento da qualidade da informação, para a aproximação com o público e para o atendimento do interesse público. Se as práticas hackers que os jornalistas absorverem não visarem isso, penso que pode ser prejudicial”.

Nova ética jornalística nas redes sociais

O comportamento do profissional da mídia nas redes sociais tem sido alvo de discussão. Já que estudiosos acreditam que as redes sociais são o catalisador para que se façam novos (e velhos) questionamentos para a ética jornalística, e elas – as redes – são o ambiente fértil para que as éticas jornalística e hacker se encontrem de algumas formas. Empresas de comunicação preocupadas com a conduta de seus funcionários criam guias que orientam a atuação deles na rede.

Os novos valores da ética vêm de encontro com a credibilidade dos profissionais que escrevem baseados em informações que encontram na rede. Christofoletti argumenta que a credibilidade é um assunto bastante complexo, e no jornalismo, é o maior patrimônio que um profissional ou meio podem ter. “A internet tem permitido que se produzam outras formas de “medir” credibilidade, como os page ranks, os sistemas de reputação online, os sistemas de recomendação de conteúdo. A credibilidade é um aspecto multifacetado, composto por diversos fatores”.

Valores éticos e o fazer jornalistico

Entende-se que transmitir a informação correta, com competência e veracidade são os princípios do jornalismo em qualquer plataforma que for usada para “hospedar” a reportagem. No entanto, os jornalistas não podem deixar de se questionarem sobre o que estão levando para seu leitor, de que maneira aquela informação poderá lhe trazer uma compreensão do seu tempo presente e do lugar onde vive.

O fazer jornalístico não deve mudar, apesar dos anos, ele deve sim ser aperfeiçoado. É o que afirma o professor Rogério Christofoletti. 

“O jornalismo é uma atividade dinâmica, que obriga as empresas do setor a buscar inovação e obriga os profissionais a se adequarem a novos cenários, aperfeiçoando sempre os seus procedimentos. O presente e o passado nos ajudam a ter algumas certezas: 1. As pessoas consomem cada vez mais informação. 2. Nem toda informação que se consome é jornalístico, mas esse tipo de informação é relevante para a vida contemporânea. 3. As sociedades se tornam cada vez mais complexas, e isso demanda tratamento qualificado de informação. 4. São necessários profissionais habilitados e capacitados para fazer esse trabalho. Por isso, acho que o jornalismo está longe de ver seu fim, e que ele ainda serve e é importante para os sujeitos e para a sociedade”.

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O jornalista tem que se preocupar com a ética profissional, mas isso não impede de utilizar alguns conceitos de hacker

Desvendando os mistérios da Realidade Aumentada

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Claudio Kirner trabalha com R.A desde 1999

 

Cristiane Lustosa

 

O assunto é… Realidade Aumentada. Embora a palavra soe bem familiar, muita gente não sabe quais os conceitos e benefícios contidos nesta ferramenta que está cada vez mais presente em nosso dia a dia, seja em um comercial na tv, na internet, uma apresentação no trabalho ou em outros diversos lugares.

A Realidade Aumentada é o enriquecimento do mundo real com o virtual, através de anotações, objetos 2D, objetos 3D, sons e outros, aliados a algum dispositivo tecnológico como por exemplo, um computador com webcam e monitor que juntos, possibilitarão a interação do ambiente real com o virtual.

Claudio Kirner, Pós Doutor em Realidade Virtual pela University of Colorado/USA, conta que a tecnologia foi inventada por Ivan Sutherland, no MIT, Estados Unidos, na década de 60, mas só ganhou popularidade com a biblioteca ARToolKit criada por  Hirokazu Kato, em 1998, no HITL da Universidade de Washington para dar suporte às aplicações da ferramenta em diversos segmentos.

Realidade Aumentada na publicidade

Claudio cita como exemplos do uso da Realidade Aumentada na publicidade, a escolha de vestuário com experimentação virtual ou a observação e interação com produtos virtuais, como eletrodomésticos, carros e outros objetos comerciais, usando efeitos especiais como desmontagem, troca de cores, etc.

Em uma ida ao supermercado, o usuário poderá observar os marcadores de realidade aumentada impressos em produtos como cervejas, refrigerantes, salgadinhos e outros, como no exemplo da imagem abaixo. Para observar a mensagem do fabricante, animada e em três dimensões, o usuário deverá acessar a página do produto na Internet e colocar o marcador em frente a uma webcam.

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Códigos de R.A impressos em produtos de supermercado

 

 

 

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Através do código é possível visualizar o objeto virtual no monitor

 

Potencial de aplicação e vantagens da Realidade Aumentada

Claudio explica que a Realidade Aumentada vem sendo cada vez mais utilizada em função da atratividade, do uso intuitivo, do potencial da amplificação da informação e da facilidade de uso. Além disso, o uso intensivo da realidade aumentada pelos profissionais de publicidade precipitou a divulgação e popularização da tecnologia. “A existência de ferramentas acessíveis e fáceis de serem usadas ajudam nessa popularização”. Afirma o especialista, ressaltando também que, a grande vantagem da Realidade Aumentada está na inserção de informações e objetos virtuais tridimensionais interativos no espaço físico do usuário, permitindo que a observação e a interação com esses elementos ocorram de maneira intuitiva. “A realidade aumentada faz com que o ambiente físico seja potencializado com informações e elementos virtuais, que facilitam a interação do usuário com o mundo, onde vive, aumentando seu desempenho e sua satisfação”.

Evolução da Realidade Aumentada nos próximos anos

Quanto ao futuro da Realidade Aumentada, Kirner acredita que à curto prazo, as aplicações de realidade aumentada deverão ser voltadas para ambientes restritos, usando plataformas computacionais comuns com webcam e recursos disponíveis na Internet. À longo prazo, as aplicações de realidade aumentada usarão dispositivos mais avançados, com projeção direta nos olhos, comandos de voz e recursos de inteligência artificial, fazendo com que o ambiente tenha comportamento ajustável às necessidades de cada usuário. O sistema mostrará, ao usuário, aquilo que ele precisa ou quer ver e sentir. Ou seja, a tendência é que a Realidade aumentada estreite cada vez mais o elo entre o mundo virtual e o real.

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O avanço da Mobilidade

Ricardo também possui um blog onde escreve sobre Mobilidade

Ricardo também possui um blog onde escreve sobre Mobilidade

Karen Sarraf
As novas tecnologias de informação e comunicação estão presentes no dia a dia da sociedade. Apontada como uma verdadeira revolução tecnológica, a mobilidade trouxe às pessoas maior flexibilidade para se comunicarem ou para buscar seus interesses, justamente por não precisarem permanecer em uma localização fixa. Essa nova realidade tecnológica permite que um indivíduo ou instituições acessem dados e informações em qualquer local através de recursos como tablets, notebooks e smartphones que possuam redes 3G/4G ou acesso a internet via wireless/wifi.

Ricardo Ogliari trabalha com a tecnologia mobile à aproximadamente 10 anos. Formado em Ciência da Computação pela Universidade de Passo Fundo e pós graduado em Web, Estratégias de Inovação e Tecnologia pelo Senac, ele conta que é notável o avanços tecnológicos e que “não precisamos mais sentar em frente a um computador para que um aparato tecnológico esteja ao nosso alcance”, explica. Por outro lado, ele acredita que era digital como conhecemos hoje teve seu funcionamento fortemente afetado por dispositivos como os smartphones, pois não só democratizaram o acessam a informação como também deixaram pessoas conectadas 24 horas por dia.

Com o avanço das tecnologias poemos estar conectados a tudo e a todos 24h por dia

Hoje a tecnologia já permite o acesso à dados e informações de qualquer local

Segundo o estudo divulgado no The Sun do professor de Psicologia Organizacional e Saúde da Universidade de Lancaster, Cary Cooper, o uso excessivo dessas novas tecnologias pode levar à depressão, estresse e insônia, além de prejudicar a qualidade de vida e a interação com outras pessoas. Outros especialistas passam a questionar que com o avanço da mobilidade a segurança da população é colocada em risco, porém para Ogliari ninguém está totalmente seguro na internet, a partir do momento se está conectado em uma rede, você pode ser alvo de invasões distintas.

A tendência é que o número de usuários conectados a internet através de dispositivos móveis aumente representavelmente, até 2017 teremos aproximadamente 1,4 dispositivo por habitante, segundo a Cisco. Ricardo acredita que para os próximos anos o mobile tem muito a crescer, os números mostram que o seu uso se tornou comum além de diversos sites mostrarem dados comprovando que o maior acesso deles é através do mobile.

Fontes: Cisco, IbopeThe Sun

Uma outra REALIDADE

Mylton Severiano: uma  Realidade recontada pelo seu editor

Mylton Severiano: uma Realidade recontada pelo seu editor

William Araújo
O autor da obra “Realidade: história da revista que virou lenda”, Milton Severiano da Silva, defende uma tese contundente: “a ditadura não acabou no Brasil”. Ele acentuou essa idéia ao ler a orelha do livro de sua autoria lançado recentemente, deixando no ar uma dúvida: “… se a ditadura que matou Realidade já acabou, então por quê?” … não se faz mais revista com esta?
Sua resposta em diálogo com os estudantes de Jornalismo da Faculdades Atibaia-FAAT (23/5) é a de que a ditadura hoje é disfarçada, pois está no monopólio que padronizou os produtos e não permite controvérsias.
EXEMPLOS
Nesse sentido, citou alguns exemplos, como o fato da mídia estar nas mãos de algumas famílias e de políticos. Para ilustrar, mencionou o processo contra o blog “Falha de S. Paulo“, uma paródia ao veículo Folha de S. Paulo, bem como o processo movido contra o Estado de S.Paulo para que o mesmo não publique matérias sobre a “operação Boi Barrica” que envolve o filho de José Sarney. Ao seu ver, quando isso acontece é sinal que “está tudo dominado”.
Pior que isso, destaca Severiano, é o fato de haver muita impunidade. Hoje, até membros da Suprema Corte parecem estar envolvidos em escândalos.
Na política então nem se fala. Severiano mostra seu desagrado como o modelo de eleição representativa adotada no país, acentuada por uma quantidade de partidos absurda. Ao seu ver, o que existe mesmo é um “arremedo de democracia”.
Saída para isso não parece estar em outra revista Realidade, mas sim na ação de todos utilizando os veículos disponíveis. Sua recomendação é de que todos “twitem”, “blogueiem”, “facebookeiem”, num verdadeiro trabalho de formiguinha.
VIGOR
Na realidade, Mylton Severiano da Silva continua bastante sintonizado com o jornalismo da época da Revista Realidade. Seu desejo de mudança para melhor é visível e ecoa em cada palavra que esboça. Bem informado e crítico, deixou bem claro a falta que faz publicações como esta.
Mais que isso, expôs que Manchete espionava o que faziam para tentar “furá-los” (jargão jornalístico que significa noticiar algo com exclusividade), mas no fundo era uma revista de consultório dentário. Cruzeiro também tentou seguir a pegada de Realidade, e entende que as únicas revistas que fazem algo nessa linha são a Caros Amigos e a Piauí, sendo esta última mais soft.
LIVRO
Sobre o livro, foi bastante franco, no bom sentido: “Sobrou para mim escrevê-lo”, pois ninguém o faria. Depois que recebeu das mãos de Paulo Patarra, realizou entrevistas com as maioria dos envolvidos com a revista na época do período militar. As editoras Cia das Letras, Geração Editorial e Record não se interessaram, mas a Insular resolveu aceitar o desafio. Aliado a isso, vê também no setor livreiro problemas semelhantes aos que ocorrem na  mídia, ou seja, nichos de poder que impedem que as obras sejam distribuídas em nível nacional, o que acaba encarecendo ainda mais este segmento.
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O livro pode ser adquirido na Editora Insular
Livro mostra inteligência do jornalismo em tempos difíceis