Conheça mais sobre os ensaios de revistas do pessoal do 3º Ano de Jornalismo

Por Rubens Paschoal
20130606_200545

Carlos Berti apresentou como tema : “Carros de Rua”

Em conversa com alguns dos autores, é possível concluir que a área editorial de revistas tem públicos e nichos variados ainda inexploráveis.
Carlos Berti propôs a publicação Carros de Rua, na qual pretende atingir os aficionados por carros rebaixados, feitos especificamente para exibições. Segundo o autor, trata-se de uma publicação inédita, pois as publicações existentes só falam de carros esportes, tunning e não mostram os bastidores da “transformação de carros comuns em carros de competição de rua” que não são para corridas, apenas de exibição de rebaixamento, arrancada. A publicação aborda vários aspectos do assunto enfocado.

Carol Soares refere não haver nenhuma publicação voltada aos admiradores e frequentadores e fás do teatro. Propôs a revista Palco, que, segundo pesquisas, não tem paralelo no mercado. Abordará temas voltados para o teatro, divulgando agenda de peças e práticas correlatas, citando como exemplos o propalado stand up comedy, festivais, apresentações em praças e espaços públicos dentre outros.

20130606_202236

Rogério Vincenzi escolheu o tema: “O Segredo da Cachaça”.

Quem gosta de um aperitivo genuinamente nacional é o público alvo de Rogério Vincenzi que vem de tradicional família de alambiqueiros e produz aguardente, reconhecida internacionalmente como produto genuinamente brasileiro. O autor propõe que todos fiquem por dentro do assunto na O Segredo da Cachaça, publicação que abordará todas as etapas da produção e envasamento da nacionalmente conhecida pinga. Segundo pesquisas do autor, o produto vem ganhando grande destaque entre o público feminino que não dispõe de uma publicação que aborde o assunto sem tecnicismos e termos que compõem o universo machista, geralmente associado ao consumo da cachaça.
Anúncios

Search Engine (Motores de Busca)

motores-de-busca

Por Paulo Toledo

Os motores de busca surgiram com um propósito de prestar um serviço, antes nunca com tantas facilidades: a busca de qualquer informação na rede, com os resultados dispostos de uma forma organizada, isso tudo de uma maneira rápida e eficiente. Em outras palavras, é um mecanismo que coleta informações de páginas existes na WWW através de palavras chaves digitadas pelo usuário, afim de catalogar e organizar uma lista de sites contendo a mesma palavra chave, facilitando assim o acesso a assuntos mais específicos na rede.

Os motores de busca apareceram pouco tempo depois da Internet, sendo reconhecidos como a “mina de ouro” no auge do investimento na Internet dos anos 1990’s, criando margens para várias empresas se interessarem sobre o assunto (ex:. google, yahoo, sapo, msn agora Bing etc). Os primeiros motores baseavam-se na indexação de páginas através do seu tipo e categoria, a primeira ferramenta utilizada para busca na Internet foi o Archie, o programa baixava lista de diretórios de todos os arquivos localizados online vinculando uma base de dados que permitia a busca dos arquivos pelo nome. Já a mais nova geração de motores de busca (Google) utiliza diversas tecnologias, como, a procura por palavras-chave e o uso de referências externas da web.

otimizao-dos-motores-de-busca

SEO

Search Engine Optimization (SEO) é um conjunto de técnicas, métodos e estudos que visam melhorar o posicionamento de suas páginas no mecanismo de busca, ou seja, quando um usuário digita uma palavra-chave, o objetivo do SEO é fazer com que uma (ou várias) das páginas do seu site, apareça entre os primeiros resultados da busca orgânica.

O termo Search Engine Optimization foi usado pela primeira vez pela empresa Multimedia Marketing Group (MMG), de John Audette, onde o objetivo era realizar métodos que fizessem com que um website conseguisse um posicionamento nos resultados de busca melhor do que os concorrentes.

Comumente essas técnicas aplicadas aos sites corporativos que possibilitam posições de destaque nos sites de busca. A otimização de sites é uma etapa fundamental no planejamento de marketing digital para as empresas que buscam bons resultados na web.

PREVISÕES PARA O FUTURO

SOP

Sistemas Operacionais Portáteis mais conhecidos são o Android e o ARM

A Indexação Semântica Latente é uma tecnologia nova que está sendo introduzida pelos motores de busca na tentativa de garantir que resultados mais relevantes sejam apresentados. O seu objetivo é distinguir o que está no conteúdo do site e garantir que ele é o mais relevante para a palavra-chave que foi digitada pelo pesquisador. Esta ferramenta não busca apenas as palavras-chave, ela rastreia outras informações também como sinônimos e palavras relacionadas. Isto significa que quando alguém estiver escrevendo um artigo, é necessário ter em mente que não se está escrevendo para motores de buscas, mas sim para outras pessoas. Outra inovação veio por parte dos programadores res
ponsáveis pelo browser Mozilla (Firefox), que anunciaram uma parceria com a empresa Samsung, com o objetivo de desenvolver um novo motor de busca, chamado Servo, para uso exclusivo dos sistemas operacionais (Android e ARM) de PC’s portáteis.

Mylton Severiano conta curiosidades sobre a revista Realidade

Imagem

Mylton durante bate-papo com os alunos de jornalismo

Por Fernanda Domingues e Cristiane Ferreira

Durante a visita do jornalista Mylton Severiano, que aconteceu no dia 23 de maio, na FAAT Faculdades, diversos assuntos foram abordados. Dentre eles, Myltainho, como é conhecido, contou sobre a matéria marcante que escreveu, a edição que mais lhe chamou atenção e as melhores capas da revista Realidade, onde trabalhou por anos.

Como Myltainho não era repórter, não escreveu muitas matérias. No entanto, ele escreveu um artigo em 1967 sobre o cinquentenário da Revolução Russa. Esse texto lhe rende muitos comentários até hoje. “Escrevi o texto baseado em novas pesquisas feitas por um escritor americano, que teve acesso a arquivos de um médico em Berlim. Li o livro e fiz um resumo dele. Repercutiu bastante, pois foi uma descrição da ditadura, do que foi aquele período, aquele fato histórico”, contou.

Mynton também falou da edição que mais lhe deixou boas lembranças. Foi o número 10, de janeiro de 1967, em que da capa até a última página teve matérias relativas à mulher. Essa edição foi apreendida e proibida de ser vendida nas bancas por causa da foto de Cláudia Andujar, em que foi fotografado o nascimento de uma criança. De acordo com ele, “um juiz de menores achou aquilo obsceno. Aliás, quem chamou a atenção da censura foi o Dom Paulo Evaristo Arns. A Igreja chamou a polícia e esse juiz de menores, que era do Rio de Janeiro, proibiu a circulação da revista. O único ponto positivo é que metade da edição já tinha evaporado das bancas, pois ela vendia muito rápido, em três dias mais ou menos. Mas metade da edição foi apreendida nas bancas. Esse foi um episódio que me marcou bastante”.

Sobre as melhores capas, Myltainho apontou três como suas favoritas. A capa da primeira revista Realidade é uma das que o jornalista mais gosta, em que o jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, está usando o chapéu da guarda real inglesa. A segunda capa preferida é a de um manequim desmembrado com a faixa de Miss Brasil. “Gosto dela por causa da criação. Dentro dela, o tratamento fotográfico dado à reportagem é maravilhoso, é uma espécie de desconstrução do Miss Brasil”, relatou.

A última capa favorita de Myltainho é a que tem uma menina montada nas costas da avó, a criança é filha do Paulo Patarra, diretor da revista, e a avó era mãe dele. “Essa capa mostrou a família. Era uma chamada sobre a nova escola, onde a criança mandava um pouco. Gosto dela pois é uma capa feliz”, concluiu Mylton Severiano.

Convergência Midiática revolucionará comunicação

Imagem

Francisco Machado é doutor em Comunicação Social e criou até um blog sobre o conceito

Por Fernanda Domingues

Convergência Midiática é a junção dos meios de comunicação (mídias) para transmitir informação aos consumidores. O americano Henry Jenkins foi quem desencadeou essa discussão em seu livro “Cultura da Convergência”, dizendo que a convergência não é apenas um processo tecnológico, é antes de tudo um fenômeno cultural que envolve novas relações entre os produtores e os usuários da mídia. Refere-se à coordenação de conteúdo midiático através de várias plataformas de mídia.

Anteriormente este conceito foi utilizado para tentar definir os dispositivos midiáticos que possuíam mais de uma função. Porém, atualmente percebe-se que a convergência midiática não se dá apenas nos dispositivos, mas também nos hábitos e consumo dos produtos midiáticos pelos indivíduos.

Especialista

Francisco Machado Filho, que é doutor em Comunicação Social, na linha de pesquisa em TV Digital, pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), possui um blog desde 2009 sobre o tema. Esse trabalho foi fruto de sua pesquisa no doutorado em TV Digital, onde pesquisou a necessidade de um novo modelo de negócios que possibilitasse à indústria de televisão no país ser rentável neste novo contexto de convergência.

Neste blog, Machado fomenta a discussão sobre esse conceito que cada vez mais está em evidência na comunicação brasileira e informa seus seguidores sobre as novidades da internet, da TV digital, da comunicação no país e o que as mídias estão fazendo para não perder adeptos para a internet.

Discussão

Para Machado, esse é um momento de transição. Daqui a alguns anos não se falará mais em convergência, pois não vai haver mais diferenciação entre as plataformas de mídia nem no modo como se consome o conteúdo midiático.

O especialista conta também que a convergência por si só não é um fenômeno de hoje, está acontecendo em maior velocidade desde 1970. O walkman e o vídeo cassete são aparelhos que já faziam a convergência.

A novidade fica mesmo com a convergência entre as mídias, que precisam se adaptar para não ter uma tarefa extremamente desafiadora. As empresas que melhor se adaptarem a esse conceito terão grande oportunidade de crescerem e não perderem adeptos.

A principal responsável para o surgimento deste conceito é a internet, que possibilitou que a comunicação deixasse de ser uma via de mão única entre os produtores/distribuidores de conteúdo e o receptor. Hoje todos aqueles que quiserem podem produzir conteúdo.

Imagem

A Convergência Midiática é o futuro dos veículos de comunicação

Tendências

Um dos riscos apontados por diversos especialistas é que, com a convergência midiática, algum veículo de comunicação deixe de existir. Machado acredita que isso não acontecerá. De acordo com ele, nenhum veículo de comunicação criado pelo homem deixou de existir até hoje, somente empresas faliram, mas a plataforma em si não. O que pode acontecer é um veículo não ser mais de consumo de massa, mas sempre terá um nicho. Até hoje existe o telégrafo, fax, o teletexto, entre outros.

Machado aponta também que a convergência midiática força os profissionais da comunicação a quebrar todos os paradigmas comunicacionais que são ensinados nas universidades, ainda voltada para a formação do século XX, sem o fenômeno da internet.

Quem mais se beneficiará com essa transformação midiática é o consumidor de notícias. Eles terão novas formas de consumo e hábitos, que são completamente diferentes do indivíduo da Era Industrial e os veículos de comunicação são reflexo daquilo que o consumidor exige.

LEIA MAIS:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/convergencia_midiatica

http://marcelayres.com.br/blog/reflexoes-sobre-a-convergencia-midiatica-e-midias-sociais/

http://ofocaibes.blogspot.com.br/2012/09/convergencia-midiatica-reinvencao-dos.html

Alunos de Jornalismo criam ensaios de revistas

Os alunos assistem atentos as apresentações

Carlos Berti apresenta sua revista “Carros de Rua”.

Cristiane Ferreira

Karen Sarraf

Paloma Rocha Barra

Nesta quinta-feira, 6, alunos do terceiro ano de jornalismo da FAAT realizaram um evento para a demonstração de ensaios de revistas. A apresentação foi motivada por um trabalho acadêmico destinado à disciplina de planejamento editorial, que teve como objetivo estimular os estudantes usarem a criatividade na criação de revistas. A intenção foi que os alunos aprendessem a parte de diagramação, editoriais, e os processos de produção de um veículo desse tipo.

As revistas

Segundo professor Osni Dias, ao passar a atividade para os alunos muitos afirmavam que não havia um tema diferente a ser abordado, porém os alunos apresentaram revistas com temas distintos, como Rogério Vincenzi que criou a revista intitulada como “O segredo da Cachaça”, inspirada pelo ramo de atividade de sua família, que são proprietários de alambiques. A revista “Carros de Rua” criada por Carlos Berti se tratava de carros rebaixados, que segundo ele é um assunto não muito abordado pela mídia, e que possuí grande público. A revista trazia dicas para rebaixar o carro, entre outros.

Alane Souza, criadora da revista “Sob Controle”, se baseou no automodelismo, carros controlados por um controle remoto ou estáticos, com matérias sobre diferentes formas de controlar o carro, controles remotos, etc. Um dos destaques foi a revista de Katarina Brandi sobre disco de vinil, intitulada como “Bolacha”, voltada para o público colecionador e que trazia um conteúdo explicando o que era o vinil, quais os discos mais famosos, entre outros.

A aluna Dárcie Visan, criou a revista “Melhor idade” voltada para o público da terceira idade, abordando temas como sexualidade, saúde, e bem estar. Já a revista “Picante”, criada por Sérgio Fagundes com o intuito de inovar, abordava assuntos relacionado à sexualidade. A revista de Eduardo Bonholo “PS Personal Style” falava sobre a moda masculina, com o objetivo de deixar os homens a par do mundo da moda. A última revista a ser apresentada “Futsite”, criada por Lucas Rangel, abordava o tema de futebol society, com matérias sobre personagens do showbol, do futebol society da região, entre outros.

As apresentações serviram como forma de avaliação da disciplina, onde os alunos puderam aprender todo o processo de criação de uma revista. Algumas delas estarão disponíveis no perfil do professor Osni.

Confira abaixo as fotos das apresentações:

Deep Web e seus perigos

 

001

Muitos preferem uma ferramenta de segurança como o Google, do que aventurar por universo obscuro. Muitos preferem uma ferramenta de segurança como o Google, do que aventurar por universo obscuro.

Mesmo com o domínio da internet em todos lugares, poucos ainda conhecem o universo escondido da Deep Web

Ronaldo Catadori

Publicada pela primeira vez no Journal of Electronic Publishing, por Jill Ellsworth, em 1994 o irrompe mento da WEB Invisível fez com que muitas pessoas começassem a usar o meio de comunicação para transação particular e até mesmo em confidências que exigem sigilo total na internet. Em 1996, Frank Garcia usou as seguintes palavras em seu artigo. “Seria um local que é, possivelmente, razoavelmente concebido, mas eles não se preocuparam em registrá-lo com qualquer um dos motores de busca. Então, ninguém pode encontrá-los! Você está escondido. Eu chamo isso de a Web invisível”.

O conteúdo Web Invisível nada mais é que: as páginas dinâmicas que são devolvidas em resposta a uma consulta apresentada ou acessada somente através de um formulário, especialmente se os elementos de entrada open-domínio (como campos de texto) são utilizados; esses campos são difíceis de navegar sem o conhecimento de domínio e também não recomendado a aventureiros, ou seja, a Deep Web, ou a WEB Invisível e se preferir Web Profunda, são métodos que não estão registrados na superfície, são difíceis de serem encontradas e seu público frequentador podem serem extremamentes perigosos.

Em conversa com o Policial Rodoviário Élcio Azevedo ele informa que o público que frequenta a Deep Web é um público perigoso, pois utilizam desse meio como ferramenta para comunicação em sequestros, roubos de cargas e até invasão de senhas de banco. Segundo Azevedo, outro público bem frequentador da Web profunda são pedófilos, pois conseguem acessar e até postar vídeos para toda uma massa e não serem identificados, devido não haver registro. Isso impossibilita e dificulta a ação da Policia Federal.  Mas Élcio Azedo orienta que os Federias já estão mais preparados e aconselha não fazer uso da ferramenta se não quer ser um dos investigados pela Policia.

Fazendo um levantamento desse público os números mostram que a Internet Invisível é pouco conhecida no momento, mas que ela representa 90% da internet, ou seja, o que você não consegue achar na Web Normal e em sites como GOOGLE, conseguirá encontrar na Web Invisível.

O crescimento da ferramenta é assustador e estimativas de especialistas apontam para um crescimento absurdo para a próxima década e a preocupação dos mesmos fica por conta do conteúdo e das pessoas que estarão utilizando sem um perfil de conhecimento da ferramenta.

Web Art em crescimento no Brasil

Imagem

Prof. Fábio FON, pesquisador 

 

Por Cristiane Ferreira

 

Web arte é todo projeto artístico que é pensado através da rede Internet, em regra, desde sua concepção, levando em consideração as especificidades que a rede traz. O autor tem vários textos no site www.fabiofon.com/webartenobrasil nos quais justamente discute as várias facetas desta produção.
É importante dizer que web arte é especialmente expressão e experimentação em rede. Ao contrário do que muitos acreditam, há uma grande diferença entre fazer webdesign e fazer web arte, por exemplo. A arte, por mais que possua uma “mensagem” ou objetivo ou mesmo, seja “engajada” ou crítica, estará sempre em função do seu criador, do seu autor que exprimirá o seu universo interior, sua poética ou suas preocupações estéticas, tal como acontece em outros meios.
O primeiro contato de Fábio FON com a web arte aconteceu em meados de 1997, quando se realizou em São Paulo alguns eventos dedicados ao tema – até então inédito no país – em especial no Instituto Itaú Cultural e na Casa das Rosas. Desde então, passou a se interessar mais por essa produção do ciberespaço, realizando inicialmente uma pesquisa de iniciação científica com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo), ainda durante a graduação em Artes Plásticas na UNESP, em São Paulo. Mais adiante, o tema também esteve presente nas pesquisas de mestrado (UNICAMP, concluída em 2003) e doutorado (USP, concluída em 2007).  O tema também está no livro que foi lançado pelo autor em 2010, chamado: CTRL+ART+DEL: Distúrbios em Arte e Tecnologia, Ed. Perspectiva. Mais de 15 anos depois, Fábio continua como pesquisador da FAPESP atualmente em pesquisa de pós-doutorado, ainda segue nos estudos dessa área.
Há vários motivos que causam o interessasse do artista por esta produção. Mas, especialmente a perspectiva “revolucionária” que se anunciava no final dos anos 90 sobre as mudanças que a rede Internet propiciaria na nossa vida, foi muito decisiva. Era um momento muito interessante: os futurólogos diziam que todos os campos iriam sofrer muitas mudanças, sobretudo as relações de trabalho e de comércio. Era um momento em que se discutia muito a concretização da “aldeia global”, sobre um redimensionamento do mundo totalmente novo para a espécie humana. E Fábio já pensava nas implicações dessa “revolução” para as artes e fazia alguns questionamentos: por exemplo, o que significaria uma arte fora do circuito convencional (museus) e ainda por cima, interativa? Como podemos criar arte para um domínio global, quase infinito?  Como se livrar da simples demonstração tecnológica e trazer elementos poéticos para a rede Internet ?

Segundo o Professor Fábio, hoje há muitos criadores de web arte no Brasil, que são estudados por inúmeros pesquisadores em universidades de quase todas as regiões do país. Os núcleos mais fortes de pesquisa e produção em web arte e arte e tecnologia (que envolvem também outros meios tecnológicos além da internet) estão em universidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Brasília e Goiás.  Fora do universo acadêmico, há também vários eventos que propiciam a discussão ou exibição de obras criadas para a rede Internet, como por exemplo o FILE – Festival de Linguagem Eletrônica, realizado anualmente em São Paulo e outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O Professor Fábio acredita que  toda produção artística – seja tecnológica ou não – deve possuir propósitos provocadores, no sentido de “provocar” algo naquele que a experimenta (vê, ouve, assiste, interage), para o artista muitas obras possuem o papel de fazer-nos conseguir enxergar o mundo de outra maneira. Essa é uma propriedade que boas obras de artes permitem. Isso se estende também para a web arte, que vêm possibilitando que pensemos em outras formas de ver esse mundo tecnológico que nos rodeia.  Isso é uma mudança social bastante significativa, pois estes novos meios precisam ser pensados de outras maneiras além da sua utilização objetiva e cotidiana. A web arte pode propiciar ver o que não é óbvio, ver aquilo que é criativo e especialmente, nos trazer ao universo do sensível e do pensamento.  Essa mudança, por ser sutil, é naturalmente silenciosa e quase imperceptível.

ImagemImagem

Obras de Web Art

Há vários perfis de criadores na web arte. Há uma significativa parcela de artistas que estão vinculados a universidades: são pesquisadores em nível de mestrado e de doutorado, ou ainda, professores doutores que possuem pesquisas na área. Fábio FON sempre está participando de bancas de avaliação e eventos com pesquisadores que têm criado muitos trabalhos bastante significativos do ponto de vista técnico (como tecnologias mais recentes, como o uso de telefones celulares, por exemplo) e do ponto de vista poético, também.

Há também uma parcela bastante importante que é o artista independente – normalmente são artistas jovens que possuem um grande domínio das particularidades da rede Internet, sendo que a Internet é um espaço vivo do cotidiano, tal como o mundo “fora da rede”. Assim é natural criar para esse meio.  Normalmente, esse artista também possui afinidades com outras linguagens – é cada vez mais presente o perfil de um artista intersemiótico, ou seja, que transita entre diferentes linguagens, também realizando performance, desenhando, pintando, compondo poemas ou músicas ou outras ocupações.
O Professor Fábio não se arrisca dizer um número preciso de quantos artistas e obras existem, pois como sabemos, a Internet é um universo bastante fluído e dinâmico, mas acredita que seja entre três a quatro dezenas de artistas entre criadores de diferentes linguagens que fazem uso poético da rede Internet, incluindo autores de linguagens mais específicas como a poesia digital e as Histórias em Quadrinhos Eletrônicas. Eles não são muitos, se levada em conta toda a população conectada, mas, em regra são trabalhos bem realizados, com rigor poético e técnico.
Há também uma importância que é de instaurar uma nova linguagem artística coerente com o nosso momento presente. Isso é muitíssimo importante para as artes. A web arte surge, em primeiro lugar, da necessidade de vários artistas em investigar os meios de sua época: em nossa contemporaneidade a Internet constitui-se em uma significativa quebra de paradigmas em muitos campos do conhecimento e no cotidiano. A web arte naturalmente é reflexo de um mundo conectado, virtualmente distribuído e cada vez mais desmaterializado.
Historicamente falando, podemos citar a Arte Postal (ou Mail Art) como um antecedente importante enquanto ação artística transnacional e, algumas vezes, colaborativa. Ao mesmo tempo, não há como não citar as influências diretas de outros meios em uma nova percepção tecnológica: a televisão, o vídeo, os satélites, o fax, o videotexto e outras situações que instigam novas poéticas.