Reforma política sugere mudanças

Congresso Nacional eleito em 2014, foi considerado o mais conservador desde 1964, afirmou a Diap. Foto: Google Imagens

Roberta M.C. Damiani e Larissa D.G. Barbosa

Tramitando na Câmara dos Deputados há quinze meses, a PEC 352/13 dispõe sobre a alteração de seis artigos da Constituição que se referem ao sistema eleitoral brasileiro. Nele, pretende-se colocar em prática a reforma política. Entretanto, a burocracia e as constantes requisições para a soma de mais mudanças que defendem outras visões sobre como o Projeto de Emenda de Constituição (PEC) deveria ser, podem ser visto como um atraso de sua constituição, e mostra que os deputados e partidos ainda não entraram num acordo pleno nos ajustamentos, o que gera demora e esquecimento do assunto por parte da mídia imediatista.

Nesse longo período de transição entre comissões, sessões, debates, requerimentos, votações (ou as não votações, impossibilitadas —na maioria das vezes—  por falta de decoro parlamentar) , incluindo um seminário, criou-se uma Comissão Especial a fim de perpetrar uma decisão sobre a PEC que trata a modificação dos artigos 14, 17, 27, 29, 45 e 121. A comissão é composta por 34 deputados e teve seus trabalhos iniciados no dia 24 de fevereiro de 2015. Os parlamentares escolheram para a presidência o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e para a reitoria Marcelo Castro (PMDB-PI), ambos da oposição. A tarefa, contudo, não é fácil e nem será rápida, pois estão em jogo interesses partidários, individuais e toda a complicada atual situação da política em que o país se encontra.

O site G1 perguntou a 28 dos 34 parlamentares a opinião sobre os pontos a serem debatidos para a realização de um parecer da PEC. O levantamento mostrou que em pelo menos dois pontos as opiniões estão muito divergentes. São elas: a mudança da maneira do financiamento eleitoral e, em menor desacordo, o sistema de votação para o Legislativo.

Essas divergências quanto aos pontos mais polêmicos realça as ideologias defendidas pela oposição e situação. A oposição, composta principalmente por PSDB, PMDB, PP, defende o financiamento eleitoral inteiramente privado. Já o PT, mesmo com suas rachaduras internas, defende a utilização de verba pública para o financiamento público ou no máximo misto. É essa mudança que vai medir a força entre governo e oposição medida. Nos primeiros embates, a situação não conseguiu que seus aliados obtivessem posições expressivas. Hoje, a verba pública do Fundo Partidário e doações de pessoas físicas e empresas compõem o dinheiro destinado para as campanhas dos partidos nas eleições.

A presidente Dilma Rousseff (PT) , desde os protestos de junho de 2013, falava sobre a reforma política. Em seu primeiro discurso, ela prometeu mudanças ainda no primeiro semestre desse ano de 2015: “Sei que estou sendo reconduzida à Presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Dentre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política”, afirmou Dilma.

Propostas

– O financiamento das campanhas eleitorais, segundo o projeto, seria feito somente por pessoas físicas, para que não haja vínculo com empresas e provocar um esquema de corrupção. O financiamento público seria dividido de acordo com as bancadas na Câmara dos Deputados.

– A presidente Dilma defende a eleição de deputados em dois turnos. No primeiro o eleitor votaria numa lista hierárquica de um partido e no segundo turno, ele votaria num candidato.

– Nas campanhas do Legislativo e do Executivo, os partidos podem fazer coligações que não são necessariamente as mesmas nas duas campanhas. A proposta é que se a coligação vença uma eleição eles são obrigados a ficar juntos durante três anos seguidos.

– Presidente, governador e prefeito podem se reeleger após os primeiros quatro anos de mandato, a proposta propõe que a reeleição seja negada e que o mandato dure cinco anos. A presidente Dilma Rousseff afirma que não há governo efetivo em quatro anos e pede uma discussão sobre o assunto.

– Hoje, os senadores são eleitos por voto majoritário e não proporcional, e lançam sua candidatura com dois suplentes na chapa. Propõe-se que o suplente seja escolhido de acordo com a quantidade de votos, sendo assim o suplente seria o segundo mais votado, e assim por diante.

– A proposta é que em todas as votações no Senado sejam feitas em aberto, e não somente para a cassação de mandatos e vetos presidenciais, como é hoje.

– Atualmente, o Brasil possui eleições a cada dois anos, intercalando as eleições municipais e as nacionais. A nova proposta é que seja feita uma única votação a cada quatro anos. Para ajustar as votações, os vereadores e prefeitos eleitos em 2016 ficariam seis anos no mandato, para que todas as eleições coincidam em 2022.

Na segunda semana do mês de março deste ano, só foram analisadas três propostas de emenda à Constituição, que são sobre a proibição de coligações, desincompatibilização de presidente, governador e prefeito que queriam se reeleger, e novos critérios sobre a criação de partidos políticos.

Como atentou a Professora do Departamento de Política e do Programa de Pós- graduação em Ciências Sociais, Vera Chaia, em seu artigo O voto no Brasil, “a população deve entender a importância de conhecermos a história da extensão do voto no Brasil, pois ela representa a busca no aprimoramento da representação política e a ampliação do significado da participação”, escreveu.

A reforma política ainda envolve interesses que vão além do bem estar da população. A queda de braço entre governo e oposição, principalmente neste momento em que protestos pró e contra a presidente Dilma Rouseff acontecem pelo país, a reforma política é algo pouco debatido. Prefere-se acusar, deliberar xingamentos e polarizar relações sejam elas políticas ou pessoais, antes de debater a reforma de um sistema que muitos veem como corrupto independentemente de partidos. O sucesso não é garantido, entretanto, apenas o ato de ser consciente da própria realidade já ajuda a entender o significado da participação do povo na política.

Infográfico sobre a reforma política

Infográfico sobre a reforma política


Fontes:

Carta Capital

Él Pais

Arborização ocupa grandes centros urbanos

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Rua arborizada no Paraná. Foto: Copel

José Pinheiro

Iniciar um processo de arborização, requer empenho e conjunto com instituições e sociedades, o meio ambiente é o principal fator que motiva o cultivo de árvores e plantio de centenas de espécies nas grandes metrópoles do Brasil.

A arborização em locais públicos do Brasil, cresce em ritmo constante. O plantio de árvores nativas em locais como parques descampados, vias, calçadas e escolas, deu um salto expressivo nos últimos anos. Muitas das espécies utilizadas são selecionadas para não serem prejudicadas, nem interfiram no  clima do local.

Nestes casos considera-se a diferença entre os ambientes  urbano e florestal, incluindo o nível de crescimento de uma árvore, cujas copa e tronco devem ser menores, sem dizer a interferência provocada pela poluição. Exemplo disso está na  adaptabilidade ao local de plantio, os modos como se desenvolvem, a sobrevivência e a vivência, aspectos que exigem seleção criteriosa antes de serem adquiridas.

Árvores que fazem parte de planos de arborização chegam até os 7 metros de altura, e podem passar disso quando são plantadas em parques e campos abertos, mesmo em zonas urbanas. Diante disso, prioriza-se o plantio de determinadas espécies para cada rua, o que facilita a conservação, a poda e o acompanhamento do seu desenvolvimento, além de proporcionarem um ambiente mais limpo e bonito.

De acordo com pesquisadores da Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), da cidade de Petrolina, “é importante que as pessoas saibam quais são as espécies mais adequadas para cada região, para que estejam atentas no espaço que vai ser destinado à planta, e saibam sobre o processo de plantio, adubação e conservação. Tudo isso representa tempo e também investimento.”  É isso que “ajuda a manter as metas de educação sobre a arborização urbana”, acentuam.

Cidades que aderem a arborização

Foto Jaelson Lucas  Prefeitura de Curitiba

Alameda em Curitiba. Foto: Jaelson Lucas

Curitiba é hoje a cidade exemplo quanto à arborização urbana. Lá cerca de 300 mil árvores estão plantadas pelas vias públicas para que haja uma maior adaptabilidade. O secretário do meio ambiente de Curitiba, Renato Lima,  destaca que com isso “estamos reavaliando programas e projetos, visando harmonizar a natureza e o homem no meio urbano”.

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Avenida arborizada em Porto Alegre. Foto: Site Arte Plural

A cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, também é famosa quanto ao verde, pois nela há mais de 1,3 milhões de árvores plantadas somente em ruas e vias urbanas, sem contar parques e praças. Em 2007 a soma desta vegetação equivalia a praticamente uma árvore para cada habitante, na casa de 1,44 milhões de pessoas, segundo a Secretaria  Municipal do Meio Ambiente.

Leis e Manual da Arborização

A Lei 7347/85, estabelece que o meio ambiente é um bem de uso comum do povo, assegurando a todos o direito a um meio ambiente equilibrado, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e as futuras gerações.

O manual da arborização da cidade de São Paulo, especifica dados para plantio de árvores em vias públicas, e por isso determina tamanhos e espaços dedicados ao plantio, que deve ser em calçadas com no mínimo 2,40m de largura, medida que comporta árvores de até 8 metros de altura, consideradas de médio porte.  Já em  áreas que possuem rede elétrica com fiação exposta, as árvores cultivadas não podem passar dos 5 metros (de pequeno porte). Locais com calçadas cuja largura seja maior do que 3 metros, podem comportar árvores de 12 metros ou mais (de grande porte), igualmente vetadas em local com rede elétrica.

Pequeno Porte Médio Porte Grande Porte
Até 5 metros De 8 aos 12 metros Igual ou superior a 12 metros

 

Viveiros Municipais

Em todo o Brasil, são registrados mais de 200 viveiros municipais, divididos entre as capitais e nas cidades do interior e encarregados em produzir mudas de diversos tipos de árvores.

Benefícios da Arborização 

Arborizar as cidades não contribui somente com a beleza e o setor paisagístico, mas também com melhorias nas questões climáticas e ambientais. Além disso esta ação deve atingir objetivos de ornamentação, melhoria microclimática e diminuição da poluição, sem dizer a interceptação, reflexo, absorção e a transmissão da radiação solar, melhorando a temperatura do ar no ambiente urbano. A eficiência deste processo depende das características da espécie utilizada, tais como a forma da folha, a densidade foliar e o tipo de ramificação.

O vento também afeta o conforto humano e seu efeito pode ser positivo ou negativo, dependendo grandemente da presença de vegetação urbana. No verão, a ação do vento, retirando as moléculas de água transpiradas por homens e árvores, aumenta a evaporação. No inverno, significa um aumento do resfriamento do ar.


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Alameda Paulistana. Foto: vidaorganizada

Curiosidade

As ruas e avenidas que possuem uma grande população de árvores nativas, podem ser caracterizadas por alamedas, a palavra alameda vem de álamo, que é uma espécie de árvore, as alamedas possuem árvores que se entrelaçam entre si, de um lado para outro, influindo na paisagem do ambiente, qualquer munícipe pode pedir a mudança do título rua ou avenida para alameda, desde que haja no local, uma grande povoação de árvores.


Valor de uma árvore

As arvores não são somente objetos de valor custoso, mas sim de valor para a vida, desde o início dos tempos as arvores contribuem para nosso meio ambiente, é impossível hoje, falar em “verde”, sem que citemos uma árvore como base, é necessário cuidado e plantio, para que jamais esqueçamos da importância de uma árvore na sociedade em que vivemos.

Filmes brasileiros têm pouca bilheteria

E dos que têm mais, poucos ultrapassam da faixa de um milhão de espectadores

Pouca gente vai ao cinema para ver filmes nacionais - Blog Inffinito

Pouca gente vai ao cinema para ver filmes nacionais – Blog Infinito

Emily K. Pereira  e Beatriz M. Oliveira

Dos 83 filmes brasileiros lançados no cinema em 2012, apenas quatro ficaram entre as 20 melhores bilheterias no Brasil, o restante é originário dos Estados Unidos. Em 2013, o cenário foi ainda mais desanimador: de 129 títulos, três ficaram entre os 20 mais vistos e novamente os demais são dos EUA.

Estes são dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema) que evidenciam o que muitos já sabiam ou desconfiavam: o cinema brasileiro não tem vez no Brasil. O crítico de cinema de O Estado de S. Paulo, Luiz Carlos Merten, disse no fim de 2013 que “o cinema brasileiro vai bem, mas a maioria dos filmes vai mal”. Embora produza muitos filmes, são poucos os que chegam a vender mais de um milhão de ingressos. Nos dois anos analisados, de 212 títulos, somente 14 atingiram a soma.

Trailer de “Quase Um Tango”, de 2009

Por outro lado, ao analisar os filmes com público menor que 1000 pessoas, o número sobe para 80. Ou seja, poucas produções brasileiras podem ser consideradas um sucesso. Em 2013, três títulos nem chegaram a ter sua bilheterias computadas, como Quase Um Tango, filme gaúcho produzido em 2009 e premiado no Festival de Gramado do mesmo ano, que estreou em uma única sala de cinema.

O que os Estados Unidos têm a ver com isso? Não muito, na verdade, mas estes dados e a liderança norte-americana nas bilheterias do país confirmam a existência de um velho conhecido do brasileiro: o Complexo de Vira-latas. A expressão, cunhada por Nelson Rodrigues em 1958, tratava da derrota do Brasil na Copa do Mundo de 50, contudo não se refere somente ao futebol, mas a diversos outros aspectos da vida no Brasil. Para muita gente, o país não é bom o suficiente, inclusive quando se trata de filmes. Preferem os norte-americanos, como apontado acima.

A ironia está quando os estrangeiros vêem com bons olhos o filme que o povo do próprio país ignora. Filmes nacionais são premiados com uma frequência que pode espantar o público leigo, o que prova que as pessoas de fora aprovam muitos dos filmes feitos aqui.

Trailer de “O Som ao Redor”, vencedor de diversos prêmios

Este é o caso de O Som do Redor, filme do pernambucano Kleber Mendonça, de 2012, mas que só chegou aos cinemas brasileiros no início de 2013. Em sua premiere mundial, conquistou um prêmio da Federação Internacional de Críticos, a FIPRESCI, no 41º Festival Internacional de Roterdã, na Holanda. Fora este, o longa-metragem conquistou prêmios na Dinamarca, Polônia, Sérvia, Turquia e na terceira edição do Prêmio Cinema Tropical, entregue na sede do The New York Times, em cuja lista de Melhores do Ano em 2012 teve sua presença garantida. Ao todo, o filme foi exibido em mais de 30 festivais fora do Brasil.

Em casa, por outro lado, o filme, primeira aventura do diretor no mundo da ficção, teve uma repercussão pequena, com um público de menos de 100 mil espectadores, sem falar da estreia tardia nos cinemas. Na listagem de filmes lançados em 2013 no Brasil, se encontra em 132º lugar.

Com base no que foi exposto, é possível imaginar porque o filme Que Horas Ela Volta? ainda não estreou no Brasil, mesmo estando pronto e tendo sido lançado fora daqui. O longa já está conquistando prêmios mundo afora, como o especial do júri na categoria atuação no Festival de Sundance, nos Estados Unidos. O prêmio foi dividido por Regina Casé e Camila Márdila, já que ambas atuaram de forma digna da premiação. Outro prêmio conquistado mal o ano começou foi no Festival de Berlim, em fevereiro, no qual o longa-metragem ganhou como Melhor Filme e foi ovacionado pelo público.

Trailer de “Que Horas Ela Volta”, com Regina Casé

Dirigido por Anna Muylaert, o filme não tem previsão de estreia em terras brasileiras. Se “jogar no Google”, o que se encontra são muitas matérias, críticas e o título internacional, que aparece com frequência, The Second Mother (A Segunda Mãe). Mesmo o trailer oficial é devidamente legendado em inglês. No exterior, o filme já obteve sucesso e as críticas são positivas, tendo os direitos vendidos para os Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá, Itália, Espanha, Bélgica, Luxemburgo e Suíça.

De fato, a presença do Brasil em festivais do exterior é constante. Só em 2015, filmes brasileiros já participaram de mais de dez festivais internacionais, e participou recentemente de outros três: Festival de Cinema Du Réel, em Paris/França, South by Southwest, em Austin/EUA, e 27° Cinelatino, em Toulouse/França.

Agora, o que resta é esperar por Que Horas Ela Volta. Espera-se que o brasileiro deixe de lado o Complexo de Vira-lata do qual falou Nelson Rodrigues, para que possa apreciar e dar o devido valor a um filme que já é reconhecido internacionalmente.


A comédia é o mestre

Ingred Guimarães como Alice - AdoroCinema

Ingrid Guimarães como Alice AdoroCinema

O filme brasileiro de maior bilheteria em 2012 foi De Pernas Pro Ar 2, com mais de 4 milhões de espectadores.

Se não é comédia, o filme não é valorizado AdoroCinema

Comédia é “o gênero” do cinema nacional atual. Os quatro brasileiros na lista dos 20 mais vistos são comédia. Além de De Pernas Pro Ar 2, estão Até que a Sorte nos Separe, E aí, Comeu? e Os Penetras.

 

Para a cineasta Sandra Werneck, em entrevista ao Uol, é comum, se não for comédia, ficar pouco em cartaz. O diretor de E aí, Comeu?, Felipe Joffily, gosta de cinema independente, mas eles não são bem aceitos.

O público não vê outros gêneros. Mesmo ótimos filmes como o drama Xingu, que não chegou a 500 mil espectadores.


O Brasil está fora

Se havia dúvida de que os brasileiros preferem os filmes internacionais aos nacionais, ela foi sanada com os dados levantados no último ano. Segundo o cmais, portal da TV Cultura, dos mais vistos em 2014, todos são estrangeiros, com a questionável exceção de Rio 2, por ser mais um filme norte-americano que brasileiro. Veja a lista:

10° – O espetacular Homem-Aranha 2: A ameaça de Electro

9° – Como Treinar o seu Dragão 2

8° – Planeta dos macacos: O confronto

7º – Transformers 4: A Era da Extinção

6º – Capitão América – O soldado invernal

5º- Rio 2

4º – X-Men: Dias de um futuro esquecido

3º – Noé

2º – A culpa é das estrelas

1º – Malévola

Malévola foi o filme mais visto pelos brasileirosVortex Cultural

Malévola foi o filme mais visto pelos brasileiros – Vortex Cultural


Para saber mais:

Entre os Limites e os Avanços – Cinema Brasileiro em 2013

Top 10 Maiores Bilheterias de Filmes Brasileiros na História do Cinema

Cem ou 1 Milhão: Veja Menores e Maiores Bilheterias no Brasil em 2012

Cinema Brasileiro Perdeu Espaço em 2014 e a Culpa é dos Filmes

Outras fontes:

Continua no exterior a escalada do filme brasileiro O Som ao Redor

Brasileiros têm boa recepção durante o Festival de Berlim

Que Horas Ela Volta? é Ovacionado no Festival De Berlim

Terrorismo mata por convicção

Vítimas do terrorismo são usadas como objeto simbólico para intimidar

Foto AFP Photo - Welayat Salahuddin

Com diversos ataques, Estado Islâmico já domina 30% da Síria.
Fonte: Foto: AFP Photo/HO/Welayat Salahuddin

André de Oliveira Pinto e Milca de Oliveira Pinto

    Com uma faca na mão o terrorista executa a vítima em poucos instantes. Vestindo roupas cheias de explosivos, homens se tornam armas vivas. Torturas em ambientes públicos aterrorizam a sociedade. Estas e outras ações são exemplos claros e constantes das práticas de grupos terroristas ao redor do mundo.

    “O terrorista não mata por prazer ou sadismo, mas pela convicção de que a sua causa deve ser defendida e difundida a qualquer custo. O ato terrorista não é cometido a esmo. Ao escolher um alvo, uma organização terrorista avalia vários aspectos, dentre eles a competência do Estado em antever e prevenir o atentado e/ou de neutralizar os seus executores” afirma Layla Santos, oficial da Polícia Militar do Distrito Federal e analista de inteligência na Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, que define com clareza o que realmente é o terrorismo.

   Assim, terrorismo é um método psicológico que leva a inúmeras ações violentas praticadas por um indivíduo, grupos clandestinos e/ou Estado. Ao contrário do assassinato, os alvos diretos da violência não são as principais metas, as vítimas servem apenas como instrumentos de manipulação e intimidação. As vitimas geralmente são escolhidas de forma seletiva ou por acaso, para servirem de objeto simbólico de uma população. “A violência contra as vitimas é usada para manipular o alvo principal transformando-o em objeto de demandas ou de intimidação”, segundo afirma Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP. Segundo Nasser, o terrorismo é um instrumento de luta, consequência do conflito entre os Estados e suas sociedades.

   O crescimento do terrorismo aconteceu no século XX, com o desenvolvimento da ciência e tecnologia, as ações terroristas se fortaleceram através de conexões globais sofisticadas, uso de tecnologia bélica de alto poder destrutivo, redes de comunicação (internet) etc. Porém, o terrorismo tem suas origens há muitos anos atrás. Por exemplo, foi utilizado durante a Revolução Francesa, quando houve as execuções em massa nas guilhotinas, a fim de intimidar os inimigos do Regime e impor obediência ao Estado.

   Outro exemplo aconteceu após a guerra civil nos Estado Unidos em 1865. Veteranos confederados criaram a Ku Klux Klan e passaram a usar o linchamento, assassinatos e atos de intimidação para subjugar os ex-escravos durante as chamadas guerras de libertação nacional, povos que tiveram suas terras ocupadas por estrangeiros também utilizaram atentados terroristas contra os ocupantes.

   Nos últimos quatro anos. Os extremistas de um grupo terrorista chamado Estado Islâmico se aproveitaram do vazio político causado pela Guerra Civil na Síria, se infiltraram entre os rebeldes sírios, roubaram armas enviadas pelos EUA para tentar derrubar o regime do ditador Bashar al-Assad, enfrentaram os próprios rebeldes – de quem haviam sido aliados –  e, com isso, tomaram mais de 30% da Síria. O objetivo deste grupo é a criação de um califado e a execução de todos aqueles que se opõem ao islamismo. Os extremistas islâmicos querem derrubar os Estados e criar uma hegemonia islâmica por todo o Oriente Médio.

   Além disso, atos de um único indivíduo também se tornaram comuns. Certa vez, o terrorista chamado Rolihlahla criou uma milícia armada em seu país, distribuiu armas, explodiu bombas e incitou a violência o que resultou em milhares de mortos, foi preso e condenado à prisão perpétua. Anos depois, se tornou conhecido como Nelson Rolihlahla Mandela[1]. Cumpriu pena de 26 anos e foi posto em liberdade em 1990; elegeu-se presidente em 1991 e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993. Outros homens considerados terroristas também receberam o Prêmio Nobel da Paz, como o judeu Menachem Begin e o palestino Yasser Arafat, que tiveram como causa a criação de um Estado para seus respectivos povos.

   Em 1995, Timothy McVeigh, foi outro homem que, sozinho, causou inúmeras mortes ao explodir um caminhão com 2 toneladas de explosivos caseiros[2].

   Apesar de tantos exemplos de terrorismo, o Estado matou ou torturou mais pessoas e violou mais as regras de direitos humanos do que seus inimigos não estatais, seja agindo contra seus próprios cidadãos, como no caso dos regimes totalitários ou contra outros povos durante as guerras.

O Velho e o Novo Terrorismo

  Sobre os diversos aspectos que envolvem a questão do terrorismo é necessário destacar os conceitos do “velho terrorismo” e do “novo terrorismo”, que está sendo muito difundido pelo mundo e que ganhou maior destaque, após o ataque de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

   Atualmente, o “novo terrorismo” é visto como o islâmico ou jihadista, em que a religião islâmica está ligada ao terrorismo, e que os novos terroristas são fanáticos religiosos que só querem destruir, matar pessoas e explodir carros e lugares.

   Todavia, a concepção do “novo terrorismo” é muito difícil de afirmar, já que não podemos associar as atuais ações dos grupos terroristas com a religião.

  O diferencial no chamado “novo terrorismo” é que os grupos extremistas possuem uma estrutura em rede não hierarquizada, e sabem aproveitar as ferramentas de comunicação; o que permite que eles se organizem com mais facilidade, e consigam armas e dinheiro além de suas fronteiras.

   A rede é o ponto forte do “novo terrorismo”, pois através das imagens que são jogadas constantemente na internet, os terroristas potencializam suas ações. Quando as cenas gravadas do atentado de 11 de setembro circularam pelo o mundo, o grupo terrorista conseguiu alterar as percepções de poder até então vigente.

   Ao contrário do conceito de “novo terrorismo” se encontra o “velho terrorismo”, ações terroristas que duraram anos na Europa e Ásia, antes do ataque ao World Trade Center, e que seriam caracterizadas como atividades muito bem planejadas e com objetivos fundamentados.

   Por exemplo, as organizações do Hezbollah, Hamas e Al-Qaeda têm objetivos bem concretos, que são expulsar os estrangeiros de seus territórios, mesmo que seus métodos sejam polêmicos. Observa-se que, assim como no “velho terrorismo”, estes grupos têm metas bem planejadas, contudo são considerados extremistas do “novo terrorismo”.

   Conclui-se, portanto, que as novas características do terrorismo nada mais são que as mudanças ocorridas na sociedade. Não se pode relacionar a religião ao “novo terrorismo”, isso traria consequências perigosas, pois cria preconceitos e novos conflitos. Além de não justificar as causas políticas e sociais que motivam o terror.

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 1] Veja também: http://www.history.com/topics/nelson-mandela
[2] CAVENDISH, Richard. in: 1001 dias que abalaram o mundo. Edição geral de Peter Furtado. Trad. Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Pedro Jorgensen Junior – Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2009.

FONTES:

1. G1-Globo.com-terroristas
2. G1-Globo.com-jihadistas
3. Guia Estudante Abril
4. Noticias Terra
5. Super Abril
6. Veja-Terroristas ricos
7. Areah-organizações terroristas
8. http://www.brasilescola.com/historia/terrorismo.htm
9. http://www.historiadomundo.com.br/arabe/o-fundamentalismo-islamico.htm
10. http://www.infoescola.com/historia/hezbollah/
11. http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/biography/begin.html
12. http://www.universocatolico.com.br/index.php?/terrorismo-e-fanatismo-religioso.html
13. http://polisci2.ucsd.edu/foundation/04Moore1966.pdf