Jornalismo e Literatura criam interfaces

… modalidade atrai escritores e trabalha o Jornalismo como arte …

1173718_456308681150304_394948270_n

A realização do sonho que muitos jornalistas têm de ser escritor. Foto: Blog Jornalismo Literário

Emily Caroline Kommers Pereira

O Jornalismo Literário é um jornalismo de autor. Um jornalismo que narra os acontecimentos detalhadamente. Um jornalismo que usa técnicas que só se encontra em boas narrativas de prosa. É quase como ver a cena diante de si, uma precisão em escala cinematográfica.

O jornalista, escritor e professor Edvaldo Pereira Lima traz, em seu site, o conceito dessa modalidade jornalística. Lima é o criador do primeiro curso de pós-gradução em JL do Brasil. Essa escrita é chamada por ele de Literatura da Realidade, Literatura de Não-Ficção e Literatura Criativa de Não-Ficção, pois retrata fatos reais em um texto romanceado, à semelhança da ficção, um relato narrando de maneira contundente contando algo que aconteceu.

Não é à toa que é chamado assim, pois o JL pode ser tão ou mais convidativo à imersão que um livro que descansa na prateleira de “Literatura Nacional” ou “Literatura Estrangeira” em uma livraria. Exatamente a sessão que, em geral, as pessoas buscam ao almejarem por uma história que as faça “entrar no livro”.

Quando alguém decide ler um romance, o faz pelo prazer da leitura, pela capacidade que as palavras têm de envolver e seduzir. Não é o mesmo que ler um jornal diário, por isso a opção de visitar a livraria ou biblioteca, não uma banca de jornal. Nas páginas dos periódicos, a maioria das notícias, por vezes mecanicamente construídas, traz o lead, velho conhecido de todo jornalista, como carro-chefe do texto. Ele é bem consolidado e cumpre com mestria sua função de dizer o quê, quem, quando, onde, como e por quê.

Porém, é a sensação prazeirosa de ler um romance que o JL busca despertar, não a leitura mecânica de um periódico. É essencial que seja contada uma história tão emocionante quanto a de um livro de ficção, mas que contenha verdade em cada palavra. A história deve ser bem narrada, mas jamais inventada. Cativante e verídica. Por isso, em muitas ocasiões, escrever uma reportagem com o melhor estilo literário demanda tempo e dedicação do jornalista, que executa o exaustivo trabalho de investigação.

Hoje em dia, no Brasil, não se produz Jornalismo Literário como antes já se fez. Nas décadas de 1960 e 70, havia publicações inteiras dedicadas ao JL, como a revista Realidade e o Jornal da Tarde. Nelas, as notícias e reportagens contavam histórias de uma maneira que fazia o leitor devorar as páginas com a mesma empolgação como quem lê Stephen King ou J. R. R. Tolkien. Mas com o avanço da Ditadura Militar, esse tipo de texto passou a ser barrado, por se tratar de textos de profundidade investigativa que, muitas vezes, cutucavam as feridas do Regime e tratavam de assuntos proibidos. No site do Estado de Minas é possível conferir uma reportagem da Realidade, publicada originalmente no segundo volume da revista, em 1966.

Contudo, o que se tem na atualidade são as reportagens esporádicas em veículos que se dedicam comumente ao jornalismo tradicional, como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Zero Hora e Gazeta do Povo. Um exemplo de Jornalismo Literário atual por ser encontrado no Caderno G Ideias, no site da Gazeta do Povo, de 22 de maio de 2015. O caderno Aliás, do Estadão, costuma fazer um bom Jornalismo Literário, mas quando se fala em Estadão, pouca gente ou ninguém pensa nele. A Revista Piauí também dá abertura à modalidade, com textos mensais que lembram pequenos romances (mas são, na verdade, longas reportagens). Além desses poucos veículos, o que mais se encontra são livros-reportagem, compostos de reportagens extensas, biografias, perfis, alguma investigação de profundidade, denúncias, estudos de caso. É o que mais se encontra em termos de JL no país. Estes, sim, nas prateleiras de livrarias e bibliotecas, atraem os olhos do leitor.

javier-arancibia-contreras-

Autor de Imóbile e de O Dia em que Deveria Ter Morrido, Contreras está produzindo novo trabalho ficcional – Foto: Reprodução / Veja

É justamente essa literatura jornalística de não-ficção que se tornou o gênero mais vendido entre os autores brasileiros. O baiano Javier Arancibia Contreras, jornalista, escritor e livreiro, disse em entrevista que “a ficção anda em baixa e os autores de não-ficção têm transformando informações reais, jornalísticas, em romance. Veja o À Sangue Frio, por exemplo, o símbolo do Novo Jornalismo norte-americano, os livros do Laurentino Gomes, que são uma delícia de ler, o Caco Barcellos, [que] fez o mesmo em Abusado… os brasileiros estão fazendo isso agora, mas não é algo novo”.

Para Contreras, que se classifica como escritor ficcionista, escreveu apenas um livro-reportagem e não pretende escrever mais nada parecido, é esse o lugar do JL: o livro, a revista. Não há espaço no jornal de todo dia para os textos de Jornalismo Literário. Ele acredita que cada coisa tem sua função e a “do jornal é ser factual”, por isso reportagens literárias não cabem no diário.


Para saber mais:

Indicação de leitura:

  • O Inverno da Guerra, de Joel Silveira

 

Anúncios

Jornalismo rural destaca o desenvolvimento do país

… Informações sobre agronegócios são publicadas a todo o momento nas mídias especializadas …

Jornalismo Rural

Desenvolvimento e modernização na agricultura (Foto: Thaiany Regina / Rural Centro)

Redação

O Jornalismo, hoje, oferece ao público diversas opções de conteúdos especializados. Se o leitor deseja saber notícias sobre seu time favorito, com certeza ele encontrará na sessão de esportes. Agora, se para ele lhe interessa os assuntos financeiros, a sessão de economia certamente lhe ajudará. São opções para todos os públicos: literário, sindical, econômico, policial, político, cultural, internacional, rural, entre outros. Esta estratégia reside nas diversas modalidades do jornalismo, constituídas de características, linguagens, e formatos próprios. Sem contar que também há veículos de comunicação – televisão, revista, jornal impresso, rádio, blog, web – que se dedicam exclusivamente para determinados conteúdos.

Nesse sentido, também o Jornalismo Rural, conquistou seu espaço, e apesar de ser pouco visibilizado, existem diversos veículos especializados nesta modalidade. Conteúdos do agronegócios e assuntos relacionados a temática rural são publicados em veículos —ou editorias— mais específicos.

A Comunicação Rural surgiu com o propósito de ser uma ferramenta capaz de levar conhecimento técnico ao homem do campo e auxiliá-lo em seu dia a dia. Ela passou a ser utilizada por agrônomos veterinários e técnicos agrícolas ligados às secretarias de agricultura estaduais. Os primeiros materiais desta modalidade foram dirigidos especialmente ao agricultor no Brasil ainda no século XIX. A revista pioneira “Auxiliador da Indústria Nacional”, por exemplo circulou em 1833, no Rio de Janeiro. Em 1887, surge também a revista “A Lavoura”.

Prova de organização do setor é demonstrada em 13 de setembro de 1899, em São Paulo, com a Lei 676, que reorganizou o Serviço Agronômico do Estado e atribui à Secretaria de Agricultura a direção e distribuição de publicações oficiais sobre agricultura em geral. Em 1900, nascia o Boletim da Agricultura, e em 23 de dezembro de 1938, o Governo Federal cria o Serviço de Publicidade Agrícola no Ministério da Agricultura.

O ápice da informação agrícola no Brasil aconteceu nas décadas de 40 e 60, quando o jornalismo rural —uma variante do jornalismo econômico—, se expandiu no país a partir do “milagre econômico”, durante o regime militar. Foi nesta época que o campo brasileiro passou por processos de modernização. Foram criadas políticas oficias de desenvolvimento rural e a implantação do serviço oficial de extensão rural. Por meio da modernização do campo, a Comunicação Rural começou a ganhar força.

No início, a editoria rural não possuía espaço expressivo nos meios de comunicação, mas com o desenvolvimento e modernização da agricultura, esta vertente passou a ser autônoma e com recursos financeiros próprios. Para muitos autores, que tratam da temática rural, o jornalismo rural, em sua maior parte, sempre esteve relacionado com conteúdos voltados ao campo patronal, com abordagem elitizada e com visão econômica, destinada aos interesses de grupos econômicos.

Nessa trajetória destacam-se importantes publicações e programas do gênero, acionadas nas regiões de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São nestas regiões que as atividades ligadas ao meio rural têm destaque, pois estão ligadas ao cenário econômico e social do país. Cabe ressaltar que a televisão só firmou relação com a temática rural a partir dos anos 60,  pois antes desta época, dentre os meios de comunicação, o rádio era o que mais atingia os produtores rurais, pela sua acessibilidade.

Somente nos anos 90 é criado um canal que se dedica totalmente a questões voltadas ao agronegócio. O Canal Rural além de ter público consumidor das informações, apresenta um padrão editorial formado e relação com anunciantes. Hoje, a temática rural já se faz presente em todos os meios de comunicação: revistas, canais e programas de televisão, rádio e web. A maioria deles aborda questões relacionadas ao mercado agrícola, política agrícola, clima, produtos, gastronomia, técnicas de produção, entre outros.

Esta modalidade de jornalismo —conhecida também como jornalismo em agribusiness— é especializada, pois anuncia uma informação mais particular e busca atingir um público específico. Reportagens longas e não-factuais são características deste jornalismo. Isto é percebido também na periodicidade de algumas publicações e/ou programas. Globo Rural , por exemplo é uma programa exibido somente aos domingos de manhã –com matérias e reportagens que focam assuntos temáticos, com histórias, dúvidas de telespectadores, deixando o factual para momentos específicos.

No Jornalismo, como método de apuração da notícia, é necessário dar vozes a diversas fontes. Na modalidade rural isto é bastante claro. Pode-se notar, dentre elas: agricultores, biólogos, farmacêuticos, pesquisadores, estudantes, representantes de institutos ambientais, economistas, entre outros.

No tocante ao enunciado, linguagens descritivas e narrativas também são muito utilizadas. Sem dizer o uso de artes, tais como gráficos e infográficos, já que a maioria das matérias possuem informações sobre mercado financeiro e agrícola, cotações de moedas, safra de produtos, entre outros.

O profissional que trabalha com o Jornalismo Rural precisa ter conhecimentos prévios de economia, por exemplo, cotações do mercado agropecuário, cotações de moedas, porcentagem, estatística, análise de gráficos, inflação, impostos, entre outros.

Esta modalidade que coloca em destaque a produção agrícola influencia também outros setores e, ao mesmo tempo, recebe influência de diversos setores. Uma  preocupação sistemática observada éo esforço em atualizar o produtor rural, sendo isso aliado à proposta de levar ao leitor/ouvinte/espectador a importância do setor rural para o desenvolvimento social e econômico do país. Todos os procedimentos adotados pelos jornalistas rurais devem levar em consideração a abrangência do contexto agrário como um todo, para não prejudicar aqueles que necessitam das informações para continuar seu trabalho no ramo do campo.

O desenvolvimento e sistematização da produção rural justifica, cada vez mais o investimento que é feito no jornalismo em agronegócio. O profissional que tiver um conhecimento prévio sobre a área vai ter mais chances no mercado comunicacional.


Jornalismo esportivo cresce no Brasil

… Eventos esportivos são fatores motivadores para oportunidades na carreira …

Copa do Mundo é o sonho dos jornalistas esportivos (Fonte: No minuto)

André de Oliveira Pinto – Atibaia/SP

Com a realização da Copa do Mundo em 2014 e com os Jogos Olímpicos marcados para 2016 aqui no Brasil, o jornalismo esportivo tornou-se a modalidade jornalística que mais cresceu no país nos últimos anos. Várias universidades abriram cursos de pós-graduação voltados em qualificar jornalistas para exercerem essa atividade, além disso, muitos profissionais estão migrando para a área com vista em novas oportunidades na carreira.

As condições de trabalho e o salário, também são fatores motivadores para o crescimento da editoria. Por ser um campo de trabalho muito dinâmico e não tão arriscado como o jornalismo policial ou político, os repórteres estão mostrando sua preferência.

Hoje, por conta do grande investimento destinado a diversos esportes a exemplo do futebol, vôlei, basquete, UFC entre outros, o jornalismo está inovando em suas coberturas esportivas. Mesmo a modalidade sendo recorrente atualmente, custou até que esse ramo chegasse até aqui.

O primeiro registro histórico de uma prática esportiva de que se tem conhecimento é um mural de 1850 a.C. encontrado em Beni Hassan , no Egito, com figuras que descrevem algo parecido com a luta greco-romana. Contudo, o jornalismo esportivo, propriamente dito, é muito recente. Os pioneiros dessa modalidade no jornalismo foram Bell’s Life in London (1822-1886), um caderno inglês semanal de notícias voltado especificamente para esporte, e o periódico Le Sport a Paris (1854) que veio a se tornar um livro escrito por Eugene Chapus.

Durante o século XIX, os esportes mais reconhecidos, divulgados e noticiados eram: caçadas, canoagem, atletismo, arco e flecha, esgrima, boxe, luta greco-romana, hipismo e bilhar. Somente no final do século XIX, o futebol e outros jogos como, vôlei e basquete, ficaram famosos e passaram a roubar a cena.

Jornais como o Estadão oferecem cursos na área (Fonte: Estadão)

No Brasil, o surgimento da modalidade esportiva dentro do jornalismo se deu no início do século passado. Em 18 de outubro de 1901, aconteceu um encontro entre as equipes das duas principais cidades do país: São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse dia, o jornalista do O Estado de S. Paulo, Mário Cardim, ficou responsável por fazer a “cobertura jornalística” do evento. Para isso ele enviava telegramas para os principais jornais brasileiros sobre as notícias dos jogos. Esse evento se tornou um marco na imprensa esportiva. Quase dez anos depois, em 1910, a modalidade começou a surgir com o jornal italiano Fanfulla, que tinha como público alvo os italianos que moravam em São Paulo. Apesar do Fanfulla trazer páginas inteiras de informações esportivas e times italianos, os jornais brasileiros davam pouca importância para a modalidade, dedicando apenas uma coluna para falar sobre futebol.

Por volta dos anos 1920, os jornais do Rio de Janeiro começaram a dar mais atenção para essa editoria colocando lances de futebol nas primeiras páginas de seus cadernos.

Foi quando Mário Filho, em 1926, começou a trabalhar como jornalista esportivo no jornal A Manhã. Em 1931 ele fundou o Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro. Então, em 1933, quando o futebol tornou-se profissional no Brasil, Mario Filho criou o primeiro diário exclusivo de esporte, a Gazeta. A partir daí, o jornalismo “pegou carona” com o crescimento do futebol e começou a noticiar o esporte no país. O futebol, por ser o esporte mais noticiado, era retratado com dramaticidade, os jogadores eram vistos como ídolos e o texto era sempre para motivar o torcedor. Por ser uma modalidade que não tinha preocupações com a realidade, imparcialidade, objetividade e quase sempre era impreciso, havia um forte debate se tais veículos ou, até mesmo, a editoria eram de fato jornalísticos.

No dias atuais, os jornais e/ou cadernos esportivos procuram trazer as últimas informações sobre modalidades esportivas, seja no país onde o jornal atua ou sobre o esporte a nível internacional. Entre as principais notícias de um jornal esportivo estão: contratação e vendas de atletas, resultados dos últimos jogos/competições, classificação dos campeonatos, informações sobre clubes e/ou equipes, entre outros. Alguns jornais também trazem crônicas sobre o esporte, artigos de opinião e crítica, inclusive, alguns textos didáticos sobre regras, táticas de jogo e estratégias.


Jornalismo Comunitário dá voz ao povo

… Comunidades são receptíveis à ideia de participar em ações sociais, utilizando veículos de comunicação popular …

 

15 de julho_Oficina Joaquim Duval (9)

Projeto Educomunicação articula o jornalismo comunitário e ambiental da Universidade Federal de Pelotas

Beatriz Medeiros

O Jornalismo comunitário tem como função dar voz ao povo e abrir espaço para a resposta das autoridades, retratar as curiosidades, os obstáculos e os prazeres do cotidiano, tanto nos centros quanto nos subúrbios.  A proximidade entre jornalistas e leitores dentro da comunidade torna mais clara a identificação de interesses, opiniões e posicionamentos. Com isso, os assuntos pautados e  o material produzido tendem a dimensionar os problemas que atingem a comunidade, ocasião em que recebem muitos comentários. Contribui para isso, o uso de linguagem mais informal e coloquial, principalmente para o público que não possui ou não completou a instrução formal.

Esta modalidade surge ainda no período de escravidão, tendo sido a primeira a chegar ao Brasil, por meio da atuação contumaz de Hipólito José da Costa, quando aqui se instalou a família real. O movimento da imprensa comunitária continuou ainda na clandestinidade quando os Quilombos dos Palmares divulgavam informações, enganando os Capitães do Mato. Deste modo, a concepção do jornalismo comunitário de certo modo demonstra preferência ou proximidade para auxiliar os povos carentes, em um claro compromisso para com a sociedade.

Foto de: Roberto Valverde

Jornalista Marcio Gomes, em lançamento de livro. Foto: R.Valverde

Segundo o jornalista da Rede Globo, Marcio Gomes, em uma entrevista concedida a Gustavo CoelhoQuem trabalha com jornal comunitário tem de pensar não só nas pautas, mas na forma como são desenvolvidas, quais pessoas devem ser procuradas. Este é o nosso grande desafio: não só denunciar os problemas para a população, mas fazer com que ela fique envolvida na solução.” e ainda afirma “Se queremos mostrar que o repórter está vivendo aquela situação, ele precisa aparecer mais. Somos protagonistas da história que vivemos. Nesse sentido, talvez o jornalismo comunitário seja o jornalismo mais cidadão.

Com estas características, esta modalidade fica de olho nos políticos visando resolver diversos problemas sociais que, se não fossem divulgados previamente, provavelmente nunca seriam sanados. Com essa dinâmica mais incisiva, esta prática jornalística ganhou respeitabilidade, mas atualmente mantem-se bastante isolada, tendo algumas se adaptado às redes sociais.

Por causa da precariedade de condições de vida em comunidades mais pobres, os temas mais comuns nesta área são os problemas sociais e de infraestrutura, como resíduos, saneamento, água, luz, telefonia, trânsito, obras, desabamento de prédios e deslizamentos de terra, entre outros.

Para surpresa de muitos, este modelo de jornalismo não podemos é praticado por e para pessoas carentes. Análise  feita no telejornal SP TV e com o site RioOnWatch, pode-se observar que estes adotam linguagens diferentes

jornalTaboinha

Projeto com Comunidades do RJ convida jornalistas comunitários. Fonte: RioOnWatch

No Telejornal SP TV, oberva-se relatos do cotidiano da cidade de São Paulo, onde se pode ver fatos de norte a sul e de leste a oeste, coisas que acontecem em toda a cidade, como acidentes, protestos, inaugurações políticas, entre outros. Já no site RioOnWatch, tem-se informações das favelas do Rio de Janeiro. Nele, não se fala só dos acontecimentos, mas também como as pessoas enxergam as comunidades cariocas, tanto o ponto de vista positivo como o negativo.

Tudo isso corrobora para o entendimento de que a opção do jornalismo é aquela que procura registrar, preocupar-se, averiguar e auxiliar os mais carentes em uma espécie de compromisso para com a sociedade. Para muitos este gênero jornalístico é semelhante ao conceito de comunidade, grupo de pessoas que respiram em conjunto, espaço de encontro dentro da cidade onde todos se acham e encontram suas raízes, lutam juntos por melhorias, por qualidade de vida, enfim, cuidam uns dos outros.

Jornalismo cultural prioriza leitores cultos

… Textos pobres mostram falta conteúdo e leitor para o jornalismo cultural …

Foto por Daniel Deak. Segundo Congresso de jornalismo cultural realizado pela revista CULT organizado na TECA (Teatro da PUC – São Paulo)

Segundo Congresso de jornalismo cultural realizado pela revista CULT organizado na TECA (Teatro da PUC – São Paulo). Foto: Daniel Deak.

Roberta Damiani

O jornalismo cultural nasceu no século XVIII na forma de panfletos e revistas direcionados ao público feminino. Com o tempo esse jornalismo mudou, diversificando-se em revistas, jornais, programas de rádio e televisão que tratam sobre o assunto. Porém as reportagens com conteúdo evidenciando carências na reportagem, levando a vago entendimento por parte do leitor.

A cultura pode ser vista de várias maneiras: a história de uma determinada região, uma crítica sobre um quadro feito por Leonardo Da Vinci, ou um filme estrelado por Johnny Deep. Em resumo, cultura pode ser tudo aquilo que vem da sociedade, a envolve, interpreta ou tenta traduzi-la. Portanto uma reportagem sobre cultura pode englobar diversos assuntos e abordagens, que devem ser tratados cada um a sua maneira.

Jotabê Medeiros, formado em comunicação social e repórter de cultura do jornal O Estado de São Paulo

Jotabê Medeiros, formado em comunicação social e repórter de cultura do jornal O Estado de São Paulo

Apesar de existir vários veículos direcionados para a cultura, grande parte dos conteúdos  são de teor elitizado. O custo elevado e o uso de palavras cultas dificultam o entendimento para pessoas mais simples. As revistas dedicadas à cultura tem uma linguagem mais complexa, com enunciados direcionados para um público especializado.  De um modo geral, pessoas leigas  encontram dificuldade para compreender.

Quem acentua isso é o jornalista Jotabê Medeiros, numa entrevista concedida a Marcelo Januário, quando … “cito o exemplo da música: uma banda de rock só “acontecia” se tivesse a chancela da indústria fonográfica. Só o jornalista mais privilegiado, com a possibilidade de viajar ao exterior, é quem tinha acesso aos novos movimentos estéticos e culturais. Tanto o consumo cultural quanto a crítica cultural eram mais elitizados”.

Por outro lado os programas de entretenimento passados na televisão também superficializam a cultura, na medida em que sugerem programas que preferem se pautar mais pelo que acontece na vida do artista do que na obra que ele produziu e o significado dela.

O jornalista Jotabê Medeiros, diz que a crise atual do jornalismo afeta também o jornalismo cultural.  “O jornalismo como um todo vive uma crise, da qual não se pode excluir o jornalismo cultural. Crise de empregos, degenerescência dos cursos de comunicação, aviltamento das relações profissionais no âmbito das grandes empresas”…

Hoje, quando é analisado as mídias brasileiras é raro encontrar uma pauta em comum nelas. Como no dia 07/09/2015 em que o Jornal do SBT e o SBT Brasil, ambos da emissora SBT, noticiaram fatos diferentes em relação à cultura. O primeiro trazia duas notícias: uma de um passeio de trem com degustação de cerveja no Paraná e a outra sobre uma praça que foi reinaugurada no Rio de Janeiro. Já o segundo programa exibiu notícia sobre o faturamento que de vídeos no canal YouTube. Nas outras concorrentes, o Jornal Bom dia Brasil apresentava uma reportagem sobre o Brazilian Day, e o jornal mais importante da emissora Rede Globo, o Jornal Nacional nada expôs sobre cultura.

As Rádios Jovem Pan e Estadão, em seus respectivos programas matinais Jornal da Manhã e  Estadão no Ar, no mesmo dia 07/09/2015, não noticiaram nada sobre cultura. Curiosamente, a rádio Estadão não teve apresentação do seu programa Estadão no Ar.  Uma justificativa que poderia amenizar vem do fato deste olhar sobre a programação ter ocorrido no dia da independência do Brasil, quando ocorrem vários eventos comemorativos em todo o país.

Nesse mesmo dia também foram observados melhor os veículos impressos —jornal Estado de São Paulo e Folha de São Paulo— que trouxeram notícias sobre cultura em suas capas. O Estadão apresentou uma nota na capa sobre a volta da banda Legião Urbana, enquanto a Folha, além deste anuncio, reservou o rodapé da sua capa para uma reportagem sobre a final do programa de televisão Masterchef Brasil.

Estas publicações parecem mostrar o que circula comumente na indústria cultural, com pouco destaque para artistas e obras mais recentes. Apesar da internet ajudar o leitor a buscar o que lhe interessa, por vezes esta confunde os neófitos ou desatentos., Ou, como diz Michel Laub em seu texto “jornalismo cultural”, publicado em 2013 na Folha de São Paulo “Cada elemento do mundo digital – a interatividade, a fragmentação, o gosto pelo novo e pela síntese – tem mais de uma faceta. A fonte estimulante de conhecimento pode virar um fetiche, quando não um ethos autoritário. Os pequenos consensos da internet são tão nocivos quanto os grandes consensos da velha mídia”.

Instituto Gingas participou do Prêmio Jornalismo Cultural, realizado pelo Itaú Cultural.

Instituto Gingas participou do Prêmio Jornalismo Cultural, realizado pelo Itaú Cultural.

Apesar de existir expressivos nomes na crítica cultural e leitores que se interessam em compreender sobre essa modalidade, falta a maturidade dos jornalistas e repórteres em realizar grandes matérias, com conteúdos relevantes para um público ou audiência mais abrangente.