Moradia será um caos no futuro

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Diego Perez

Muito ainda precisa ser feito e melhorado, mas visando todos os residentes do mundo e representantes de ambas as classes, baseando-se em números e pesquisas, já temos base para uma projeção de como estará socialmente as moradias a nível mundial em 2050, socialmente e esteticamente.

A Política de moradia nos países, de construções e padronizações em larga escala, irá escancarar e reforçar cada vez mais a segregação dentro das cidades. Visando o alerta feito pela arquiteta Elisabete França, responsável pela Secretaria de Habitação da prefeitura de São Paulo, no governo Gilberto Kassab (PSD), durante um seminário internacional do núcleo USP Cidades. Esteticamente e arquitetonicamente, as semelhanças estão claras, com um grande aumento de casas simples, ao invés do uso das novas tecnologias para uma melhor estruturação das casas em geral.

“O discurso de que bons projetos de arquitetura de qualidade resultam em especulação imobiliária e mais segregação é extremamente elitista. Vê os mais pobres como incapazes de decidir sobre suas vidas”, diz ela. “Ou seja, vamos produzir moradias baratas e distantes, porque assim os mais pobres não vão vender e vão ficar ali.” – Elisabete França, Carta Capital – 2013.

Para Eberton, aluno de jornalismo e residente de um condomínio da alta classe no interior de São Paulo, muito dessa segregação é culpa do governo. ”A cidade é mal planejada, o plano diretor, a meu ver, é um retalho que atende os interesses de uma oligarquia (poucos grupos que definem as diretrizes de loteamento e segregação do município). O poder público é covarde e sem nenhum plano em longo prazo. A cidade tem bolsões de pobreza que vem crescendo. Minha preocupação é com o aumento de problemas de segurança (principalmente tráfico de drogas), ineficiência do poder público, inflação que esses grupos empresariais fazem com loteamento, a inflação que a área imobiliária tem sofrido com programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, onde entregam uma casa sem se quer a ligação de esgoto. No zoneamento municipal, com esse programa do governo federal e ao autorizar dividir lotes para construir casas pequenas e não deixar área para o verde e meio ambiente tem contribuído com a queda da qualidade do clima no município  e elevar a temperatura, contribuindo também para o aquecimento global. A preocupação é baseada a um conjunto sistêmico, sem planejamento que tem agravado as diferenças econômicas e sociais.” Disse Eberton.

Os Estados gastam milhões em obras, mas não gastam do modo certo, pelo menos não o certo visando a população, mas sim visando o lucro para eles. Muito desse dinheiro é investido para o mantimento da mesmice, da uniformidade das moradias. E quando investe em tecnologia é para apenas um nicho da população, o que quase não acontece também, pois quem realmente investe nesse aglomerado são os condomínios privados.

“Foram construídos milhões e milhões de apartamentos de baixa qualidade nas periferias e hoje o que a gente tem?… Onde todos os espaços públicos viraram favelas e reproduzem a segregação.” – Elisabete França, Carta Capital – 2013.

Com alguns números podemos observar a perspectiva de moradias no Brasil visando os próximos anos, assim, o futuro. De acordo com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feitos durante o Censo de 2015, quase 11,4 milhões de pessoas (6% da população) vivem em aglomerados subnormais. O IBGE identificou 6.329 favelas em todo o país, localizadas em 323 dos 5.565 municípios brasileiros. (Wikipédia, IBGE). Nos últimos sete anos, o aumento no número de condomínios no país teve cerca de 23%, segundo um levantamento nacional do Secovi. O Brasil tem hoje 180 mil condomínios, sendo que 51 mil deles se encontram no Estado de São Paulo. (Folha de São Paulo, 21 de março de 2015). Podemos dizer que o progresso vai de acordo com a sua classe social, não há um desenvolvimento de ambas as partes e sim uma obviedade de interesses e desleixo com aqueles que realmente precisam de uma melhor estruturação e que constantemente cresce com o mau momento econômico e financeiro que estamos, e que com esses números, estaremos em 2050.

E é triste pensar no futuro olhando a realidade, o futuro não está caminhando para um lugar onde a tecnologia vá imperar e sim o caos, as moradias destes locais se baseiam em barracos e obras mal construídas. À histórica dificuldade do poder público em criar políticas habitacionais que priorizem um sistema de moradia mais adequado, é um dos fatores que têm levado ao crescimento dos domicílios em favelas. E esse público, essas pessoas, serão na maioria adulta, com escolaridade média e que por conta do desemprego foram expulsos do mercado de trabalho. Apesar de toda tecnologia e de varias ideias no constante desenvolvimento do mundo, cerca de 33% da população mundial, 863 milhões de pessoa, já vivem em favelas (segundo a UN-HABITAT, Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos).

Analisando o rumo das coisas, apenas uns pequenos aglomerados de beneficiados aproveitarão das novas ideias e exemplos que vamos possuir e desenvolver, e isso de nada adiantam se não visarmos à sociedade e a população como um todo. Em 2050, os edifícios e casas serão construídos já contando com sistemas de inteligência artificial que permitirão, por exemplo, controlar a temperatura ou a iluminação dos ambientes. Os robôs voadores, por exemplo, serão autônomos, e vão poder construir uma torre de seis metros, sem qualquer intervenção humana. Casas que serão construídas usando o método de impressão em 3D. Mas todo esse financiamento tecnológico não favorece o desenvolvimento urbano, apenas contribui ainda mais para essa desigualdade de classes existente em todo o mundo. É difícil pensar que em 2050 estaremos com nossas moradias seguras e intactas de novas tecnologias, estaremos vislumbrados em um clima hostil e decadente visando a moradia dos favorecidos financeiramente. As próximas décadas trarão grandes mudanças no tamanho e distribuição da população global. A contínua urbanização e o crescimento geral da população fará com que 2,5 bilhões de novas pessoas passem a viver em áreas urbanas em 2050.

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