Cultura Nacional

Miscigenação serviu como estratégia para evitar conflitos. Fonte: Identidade Perdida

Miscigenação serviu como estratégia para evitar conflitos. Fonte: Identidade Perdida

 

Evelyn  Teixeira Silva e Marcelo Rachid

A cultura sempre esteve presente na vida do homem, desde os povos mais primitivos, manifestando-se em tudo o que a inteligência humana pode criar: costumes, crenças, artes, ciências, culinária, leis, mitos, valores morais, e tudo o que envolva os pensamentos, ações e sentimentos de determinada sociedade, grupo ou povo.

É comum, ao pensarmos em culturas diversas, referirmo-nos a diferentes hábitos entre as várias nações do mundo. No entanto, as diferenças culturais estão muito mais próximas de nós do que isso: em um mesmo país, em um mesmo estado, em uma mesma cidade, podem coexistir diversas culturas e formas de manifestá-las.

No Brasil, a diversidade cultural é enorme. Por tratar-se de um país bastante miscigenado, não existe uma cultura homogênea, mas sim o resultado das influências de diversos povos. Inicialmente, no período da colonização por Portugal, houve a fusão cultural entre os indígenas, os africanos trazidos como escravos e os portugueses. Já no século XIX, com o início da imigração de outros povos europeus, asiáticos e árabes, o cenário cultural diversificou-se ainda mais. Além disso, as culturas estadunidense, inglesa e francesa também foram bastante difundidas no Brasil, por tratarem-se estes países de grandes exportadores mundiais de produtos e hábitos culturais.

Arte urbana, mostra que no Brasil as cores vibram. Fonte: ArteCulturaModa

Arte urbana, mostra que no Brasil as cores vibram. Fonte: ArteCulturaModa

Ao longo da história do Brasil, importantes movimentos artísticos e culturais ocorreram. Citando alguns dos mais importantes, temos: o Arcadismo (1768 – 1808); o Regionalismo (meados do século XIX – final do século XX); o Modernismo (que teve seu pontapé inicial no Brasil com a Semana de Arte Moderna, em 1922, inovando os padrões artísticos e culturais da época, influenciando até os dias de hoje); o Pós-Modernismo (1945); e o Tropicalismo (entre 1967 e 1968, o movimento rompeu com os padrões do cenário musical àquela época, com Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé, e outros nomes importantes da MPB atualmente).

É importante ressaltar, aqui, que os movimentos culturais sempre acabam por influenciar a sociedade de alguma maneira, e que a cultura nunca é definitiva, mas sim, algo em modificação constante. Todo movimento ou manifestação cultural ajuda a criar a identidade de um povo. Por isso, é importante que haja o incentivo à cultura, para que todos possam fazer parte da produção da identidade do país. E o governo, hoje, também regula leis que incentivem a cultura.

Em 1986, foi promulgada a primeira Lei de Incentivo a Cultura, lei nº 7.505, quando o país passava por um processo de redemocratização, no governo de José Sarney. Foram anos até o projeto, apresentado em 1972, tornar-se realidade. No entanto, a lei Sarney, como ficou conhecida, não estabelecia que os projetos culturais passassem por aprovação técnica, e sofreu diversas críticas. Em 1990, no governo de Fernando Collor, o então presidente revogou a lei. No ano seguinte, Collor aprova a lei nº 8.313, formulada pelo secretário da cultura Sérgio Paulo Rouanet, para retomar a produção cultural no país. No site do Planalto, é possível consultar a legislação.

Incentivo à Cultura

Capoeira conquistou as cidades. Fonte: Prigraves

Capoeira conquistou as cidades. Fonte: Prigraves

Segundo o site Itaú Cultural, “as leis de incentivo à cultura são instrumentos legais por meio dos quais o governo disponibiliza um montante de sua arrecadação, da qual abrirá mão, a agentes da iniciativa privada que investirem recursos financeiros em projetos culturais previamente aprovados por instâncias governamentais.”

No site do Ministério da Cultura, é possível consultar os relatórios dos projetos auxiliados pela lei Rouanet, como ficou conhecida. Projetos das mais variadas vertentes culturais estão sendo beneficiados. Segundo o portal oficial do Governo brasileiro: “Na primeira etapa, está empenhado montante de R$ 19,5 milhões a 12 projetos aprovados pelo edital lançado em maio do ano passado”.

Contudo, um país como o Brasil, com diversidade cultural ampla, ainda carece de uma política efetiva no âmbito da cultura. Os programas existem, mas poderiam ser mais divulgados, eficazes e acessíveis.

A parte boa é que, ao menos, a democratização da cultura está começando a dar voos mais altos. Por exemplo, recentemente foi aprovada a criação do vale cultura, que permite que trabalhadores, que recebam no máximo cinco salários mínimos, recebam ajuda para que aproveitem as diversas atividades culturais do nosso país.

Tags: Cultura, Brasil, Movimentos culturais,


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5 pensamentos sobre “Cultura Nacional

  1. O nosso país, é uma grande miscigenação de cultura. Desde a sua descoberta, já houve um choque de culturas: os índios e o homem branco. A partir de então, se formos analisar a história, muitas civilizações ajudaram a construir o que somos hoje.
    Outro fato que faz com que o Brasil seja tão diversificado, é a sua extensão territorial. Nosso país, tem muitos “países” que se misturam. Se formos para o Sul, vamos encontrar algo mais europeu. No norte/nordeste, temos muita influência dos homens negros africanos, que vieram como escravos. Enfim, cada canto do País é de um jeito.
    Infelizmente, não vemos uma preocupação grande do Governo em preservar essa Cultura, ou melhor, incentivar a população em se expressar através da arte, dança, gastronomia. Como vemos no texto, existem alguns incentivos, porém, ainda há muito o que fazer para melhorar nesse quesito.

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  2. Lembro da desastrada era Color, que além de sequestrar o dinheiro do povo brasileiro, sepultou a Cultura. Naquela época, muitos desistiram da área, pois além de não reconhecida, não havia o que fazer.
    Foi com o filme Carla Joaquina, de Carla Camurati que o cinema revigorou as mentes e os profissionais. Ela utilizou papel para fazer os vestidos de Carlota e mostrou o verdadeiro papel do brasileiro que acredita no que faz. Curiosamente um tal de Collor transita em Brasília e com todo o poder que deram a ele, por meio da ignorância dos pobres e dos que não sabem e nem querem aprender as duras lições pelas quais passam. Um que não mais voltou para sua arte foi o comentarista da Globo, o Arnaldo Jabor.

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  3. O Brasil não é composto de uma identidade nacional e sim um conjunto de identidades, tendo em cada um, uma forma de se expressar, sendo uma delas a cultura.

    Essas inúmeras expressões culturais não costumam ser tão valorizadas pela população, que dão mais atenção à demonstrações de outros países ou as mais populares, não buscando alternativas.

    A culpa muitas vezes é colocada na mídia que polariza a cultura de certas regiões nos veículos. Outros dizem que o culpado é o governo que não incentiva, sendo que pode até ser verdade, mas não para por aí.

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  4. A grande questão no Brasil em torno da cultura, hoje, é o papel que as grandes mídias classificam como cultura. Como apontado pelo ator Caio Blat (http://jornalggn.com.br/noticia/caio-blat-revela-como-a-globofilmes-monopoliza-o-cinema-nacional), sem o apoio das Organizações Globo, nenhuma produção tem sucesso sem o aval da maior emissora do país, que não só é a maior na tela da tv, mas em radios, revistas, jornais. E o que ela produz e apoia? Produtos quadrados, copiados de quaisquer lugares, que não oferecem a dinâmica da realidade e a pluralidade de nosso país e das pessoas nele.
    Mesmo com produção independente ou através da Lei Rouanet, o audio visual não consegue se manter e atingir o número de pessoas que uma Tv Globo da vida pois são exibidos em canais pouco vistos como Tv Brasil e Tv Futura, enquanto a massa continua ligada no “Zorra Total” ou no “Programa do Faro”

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