Saúde reprovada

EMERGÊNCIA: em Pronto Socorro geralmente os pacientes ficam onde há espaço

EMERGÊNCIA: em Pronto Socorro geralmente os pacientes ficam onde há espaço

André Oliveira Pinto e Milca Oliveira Pinto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera saúde como sendo “o completo estado de bem-estar físico, mental e social, não consistindo somente de ausência de doença ou enfermidade”. Além disso, segundo a Lei Orgânica da Saúde os fatores que avaliam a saúde são a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Para esta matéria foram analisados quatro rankings que compreendem alguns desses indicadores e que avaliam o setor da Saúde no Brasil.

De acordo com o Ranking do Sistema Mundial de Saúde por Países da OMS feito em 2011, o Brasil ocupa a 125ª posição de 190 países listados. No Ranking de Investimento Público em Saúde, também divulgado pela OMS em 2011, o Brasil ocupa a 72ª posição de 193 países listados. Conforme o relatório, o Brasil gasta US$ 317 por pessoa/ano em saúde, 20 vezes menos que a Noruega. Ainda de acordo com o relatório, na América do Sul, o país investe em saúde menos que Argentina, Uruguai e Chile. No G-20, o Brasil  fica em 15° lugar; só superando África do Sul, China, México, Índia e Indonésia. Diante disso, o desempenho no financiamento da saúde pública é 40% mais baixo do que a média internacional (US$ 517).

No Ranking de Eficiência dos Serviços de Saúde feito pela instituição americana Bloomberg, um dos principais provedores mundiais de informação para o mercado financeiro, o Brasil ficou em último lugar (48ª posição). O levantamento considerou apenas as nações com populações maiores que 5 milhões, com o PIB per capita superior a US$ 5.000 e expectativa de vida maior que 70 anos. Assim, 48 países foram classificados e a pesquisa teve como cálculo a expectativa de vida, média do custo do serviço de saúde e quanto esse custo representa comparado ao PIB per capita de cada país. O relatório, feito em 2013, teve como base dados oficiais do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e da OMS.

Por fim, no Ranking Internacional de Saneamento feito pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável em 2011, o Brasil ocupa a 112ª posição em um conjunto de 200 países no setor de saneamento básico (incluindo países que não são considerados estados-nação). Na pesquisa foram usados como indicadores o Índice de Desenvolvimento do Saneamento, índice médio de coleta de esgoto por moradia, expectativa de vida da população e índice de casos de vítimas de doenças infecciosas.

Uma pesquisa realizada no Brasil pelo Instituto Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Paulista de Medicina (APM), com 2.418 entrevistados revelou que há o descontentamento com serviços de saúde publica. Dos entrevistados, 69% deram nota de 0 a 7 para o atendimento das emergências em prontos-socorros da rede pública, o que demonstra uma avaliação de péssimo, ruim ou regular. Além disso, os serviços públicos e privados de saúde no Brasil a nível geral foram avaliados como sendo péssimos, ruins ou regulares para 93% dos brasileiros.

Tags: Saúde, Avaliação, Precariedade


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4 pensamentos sobre “Saúde reprovada

  1. O que os índices mostram, muitas pessoas vivem no dia-a-dia: a saúde no Brasil está pedindo por socorro. Apesar das intervenções do Governo com programas como o Mais Médicos, a situação não apresenta melhoras.
    Em média, o tempo de atendimento no pronto-socorro do SUS na minha cidade, é de quatro horas. Se o dia estiver agitado, esse tempo pode se estender para até sete horas. Muitos pacientes desistem do atendimento, ou preferem se medicar por conta própria.
    Esses dados, levam a crer que em nosso país, os pacientes estão longe de conhecer o conceito da OMS sobre saúde: “completo estado de bem-estar físico, mental e social.”

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  2. Fico imaginando o cenário descrito pela Beraldo, no sentido de que muito se fala nas prioridades e destinação de verba, mas parece não estarem atacando os pontos nevrálgicos.
    Quando uma pessoa fica um tempo excessivo como esse em uma fila, isso traduz vários indicativos que deveriam estar sendo anotados, quantificados, priorizados se for o caso, e resolvido. A Saúde oferecida pelo governo de um modo geral não parece ter um acompanhamento de perto.
    Pior que isso está no fato de que a maioria destas pessoas que recorrem a estes serviços efetivamente não têm dinheiro para pagar um convênio

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  3. Todos os índices apresentam claramente o quanto a assistência à saúde no país é ridiculamente precária. Diariamente saem notícias de hospitais em péssimas condições e pessoas sendo tratadas de forma tão desatenciosa.

    O que muito se questiona é o que os responsáveis por este setor, estão fazendo realmente. Passa-se anos, muda-se de governantes e a situação continua a mesma.

    Enquanto isso, o Brasil cresce economicamente, mas em diversos setores, como a saúde, deixa a desejar, sendo que é um dever do Estado servir um serviço de qualidade à toda população.

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  4. No Brasil, parece-me, que uma pessoa só precisa de atenção apenas ao ir até médico. Entretanto, mais importante do que o tratamento é a prevenção. O Brasil, como apontado, é o 112º em saneamento básico, e expostos a riscos a taxas de mortalidade infantil e expectativa de vida da população ficam longe do ideal.

    Com a pouca estrutura, a má distribuição de verba e a super lotação, o Sistema Único de Sáude opera no limite com a população em corredores a espera de exames e cirurgias que demoram o tempo que eles não tem para serem feitos.

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