Brasil gasta milhões para enterrar lixo

O problema ocorre em virtude de questão cultural e falta de responsabilidade

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Lixão da Estrutural. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Márcia Silva

Responsabilidade compartilhada e investimento na educação são os pontos mais urgentes para a sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Estevão Vernalha, professor de Gestão Ambiental da FAAT, afirma tratar-se de uma questão cultural, social e econômica.

Ele explica que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) orienta a gestão e toda a cadeia de gerenciamento do lixo, porém afirma que o ponto principal é a responsabilidade compartilhada. “Todos são responsáveis, desde o gerador do resíduo. Será que ele separa o resíduo? Faz compostagem?”, perguntou Vernalha.

Para o professor, a palavra lixão é algo que causa arrepio, pois recolher o resíduo orgânico de um local e levá-lo para outro pode parecer uma proteção para a coletividade, mas na verdade causa grandes impactos ambientais. Diante disso ele também explica que o aterro sanitário não é a solução. “Vivemos numa sociedade cada vez mais consumista, que utiliza cada vez mais recursos, assim geramos cada vez mais resíduos e precisa-se de mais espaço para fazer aterro sanitário”, diz Vernalha, que manifesta sua preocupação com o aumento na produção do lixo.

“O Brasil e outros países de Terceiro Mundo gastam milhões para enterrar bilhões! É de chorar, mas é exatamente isso”, declara Vernalha. Para ele, grande parte destes resíduos poderia ajudar o país. Ele afirma ser difícil fazer um prognóstico, mas declara que “um pano de fundo importante é o investimento em educação verdadeira”.

Práticas Sustentáveis crescem na Região Bragantina

Por Fernanda Domingues e Cristiane Ferreira

Sustentabilidade é hoje um assunto que cada vez mais ganha importância no mundo. Cobra-se muito que um país se desenvolva sem a destruição total dos recursos naturais. No entanto, mais importante que o conceito são as práticas sustentáveis que podem ser realizadas por qualquer pessoa para que haja a preservação do meio ambiente e uma convivência mais respeitosa na sociedade.

Seguindo essa linha, algumas iniciativas na Região Bragantina podem servir de exemplo. A Escola Estadual Prof. Carlos José Ribeiro, localizada no centro de Atibaia, desenvolve o trabalho de práticas sustentáveis e de educação ambiental com os alunos.

Eles limpam as salas e carteiras duas vezes por semana; fazem a limpeza do entorno da escola (retirada de lixo e plantio de árvores); cuidam da manutenção e conservação de uma horta dentro da escola, onde os alimentos plantados (salsinha, cebolinha, couve, tomate, alface, abóbora, entre outros) são utilizados na merenda; separam o lixo; participam de palestras e peças teatrais sobre meio ambiente; entre outras atividades.

A diretora da escola, Ísis Gonçalves, utiliza os conceitos de comunicação intrapessoal, que é estar bem consigo mesmo, e interpessoal, que é saber se relacionar com o próximo, para a educação dos alunos. Ela utiliza também o conceito de cuidado com o ambiente físico, o meio em que vive, para depois semear o cuidado com o meio ambiente. “Esse é o processo da educação ambiental. É preciso primeiramente cuidar de si próprio para então cuidar do outro, pois sustentabilidade nada mais é que a capacidade de cuidar”, salientou Ísis Gonçalves, que trabalha na escola há mais de 20 anos e já é reconhecida na cidade pelo seu trabalho voltado ao meio ambiente.

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Diretora Ísis relata que os conceitos aplicados aos alunos são baseados na Carta da Terra

Comunicação

Preocupada com a preservação do meio ambiente, uma agência de comunicação trabalha oferecendo a seus clientes serviços e produtos com responsabilidade ambiental.

Eles orientam os clientes a utilizarem pouco material impresso e sugerem a utilização da internet como forma de atingir seu público alvo mais facilmente e para que a ferramenta ajude também de forma ecológica. “Além de fazer com que menos papel vá para a rua, a internet, que cresceu de forma avassaladora, nos oferece diversos recursos e está disponível para grande parte da população”, relata Hernanny Gutierres, presidente da agência.

Se o cliente ainda quiser usar material impresso, Hernanny conta que indica papel reciclado e gráficas que trabalham com tinta a base de materiais vegetais. São empresas ecologicamente corretas, que possuem selo verde. “Hoje existe papel reciclado da cor e textura que o cliente quiser, não só aquele marronzinho. Também existem gráficas que utilizam tinta a base de soja e óleo”, explica.

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Com sua agência de comunicação, Hernanny resolveu fazer a diferença como profissional

Fomentadores

A Ong Terceira Via, com sede na cidade de Joanópolis, faz o trabalho de fomentar práticas sustentáveis. Por meio dos projetos Coletivo Mantiqueira e Bragança Sustentável, a Ong trabalha com educação ambiental, formando militantes nas causas socioambientais pela região a fora.

O Coletivo Mantiqueira já formou grandes lideranças pela prática sustentável em diversos municípios. É um projeto financiado pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente, que trabalha com os municípios de Extrema, Itapeva, Camanducaia, Itapira, Joanópolis, Piracaia, Bragança Paulista, Atibaia, Mairiporã, Nazaré Paulista e Bom Jesus dos Perdões.

Com o projeto Bragança Sustentável, foram formados 500 agentes em 20 bairros da cidade. A Ong tem fomentado nos projetos de educação ambiental a questão da reciclagem, mudança do hábito, reutilização, entre outros. Ela procura entender quais ações estão em andamento para, assim, poder fazer um trabalho em conjunto. “Em Bragança, por exemplo, levamos o curso de capacitação para os bairros onde tem coleta seletiva, esperando que isso ajude o processo do poder púbico e amplie a prática da coleta”, ressalta Gianmarco Bisaglia, um dos diretores da Ong.

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Há dez anos Gianmarco e sua Ong trabalham com educação ambiental

 Consciência

O vereador Paulo Fernando Lara Pereira de Araujo, o Prof. Paulo Jesus, propôs neste mês de abril a criação da Comissão de Assuntos Relevantes para Práticas Sustentáveis e Tecnologias Verdes na Câmara Municipal de Atibaia.

A iniciativa surgiu com a falta de realização de práticas sustentáveis na Casa de Leis. Nesses primeiros três meses trabalhando na Câmara, o vereador constatou que não existe nenhuma prática para redução de resíduos, política de reciclagem e é grande a quantidade de papel gasto pelos vereadores e funcionários. “Como o Legislativo é aquele poder que tem a função de analisar os problemas do presente e pensar em soluções para que esses problemas não se repitam no futuro, propus a criação da comissão”, destaca Paulo Jesus.

A ideia do vereador, presidente da comissão, é fazer com que pessoas na área de meio ambiente possam ministrar palestras, explicando a tecnologia e as práticas sustentáveis para vereadores, funcionários e população. “Essas práticas podem trazer uma consciência maior para as pessoas, pois elas poderão entender que todos nós somos agentes transformadores dentro da sociedade”, enfatiza.

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Vereador quer implantar sistema de captação de água da chuva e energia fotovoltaica