História de uma feira

FEIRÃO: … em Alvinópolis, este mercado ocupa cinco quarteirões (Foto: Larissa Godoy)

José Pinheiro

A feira livre é um evento em local público, com dias e horas marcadas. Nela, pessoas vendem e mostram seus produtos a outras pessoas que procuram produtos (frutas, legumes, verduras, lanches, roupas, entre outros) com valores geralmente abaixo do mercado tradicional. Por volta de 500 a.C, no Oriente Médio, as feiras, nomeadas como “Fenícia de Tiro”, passaram a ter o caráter “livre” que ainda vigora.

Na Idade Média, estes encontros mostravam-se correlacionados com festividades religiosas e alguns dias santos. Nelas eram realizadas trocas de produtos que eram trazidos por mercadores que vinham de terras distantes. A palavra feira vem do latim feria, que significa “dia santo ou feriado”, etimologia que a vinculava fortemente à religião.  Além disso, a palavra feira se adequava a outras línguas que à adotavam, como fair na Inglaterra e feria na Espanha.

Na Idade Média, a partir do fim do século XI, a crise do feudalismo afirma o surgimento das feiras medievais, marcando o ressurgimento do comércio na Europa, a partir desse contexto histórico os europeus puderam vivenciar um maior contato com o Oriente Médio, lugar aonde vinha as mercadorias raras, como: cravo, canela, pimenta, seda, perfumes, porcelana.

Durante a realização das feiras interrompiam-se guerras, a paz era garantida para que os vendedores pudessem expor seus produtos, dispostos lado a lado e com segurança. A guarda mantinha vigilância no perímetro da feira para proteger os que a participavam. O evento da feira também atraía a atenção de saltimbancos e outros artistas de rua, que buscavam mostrar suas obras para a população feirante. Para comerciar ou simplesmente distrair.

As feiras instalavam-se em pontos estratégicos, como povoações que pretendiam desenvolver o cruzamento de rotas comerciais. Algumas com abrangência nacional. As feiras também atraíam o comércio e circulação de dinheiro na época. A movimentação da economia era grande. Já que nos séculos anteriores eram praticamente inexistentes.

No século XII e XIII, o crescimento econômico e demográfico levou a feira para territórios que viriam a constituir Portugal, assim o consumo aumentou e o comércio teve um crescente numero de feirantes. As feiras portuguesas eram um espaço de encontro de produtores, consumidores e distribuidores, que em datas e horas marcadas procuravam aumentar  o nível de comunicação. Marcando a “formalização” das regras da feira. A feira a partir desse século passou a ser mensal ou até mesmo semanal, em variados lugares da Europa. Muitas aconteciam próximas ou juntas a festa da Igreja Católica, com um certo tom de paz e “boa vizinhança” nos negócios.

A feira mais antiga registrada em relatos oficiais era portuguesa, conhecida como Ponte de Lima, no ano de 1125, seguida pelas feiras de Melgaço e de Constantim de Panóias. Posteriormente, nos inícios do século XIII, foram instituídas as feiras de Vila Nova de Familicão e  Castelo Mendo (concelho de Almeida). A feira desta última encontra-se estipulada em sua Carta de Foral, passada por Sancho II de Portugal (1223-1248) em Vila do Touro, a 15 de Março de 1229, com indicação de que será realizada por oito dias, três vezes por ano: na Páscoa, no São João e no São Miguel. Todos os que a ela concorressem, tanto nacionais como estrangeiros, teriam segurança contra qualquer responsabilidade civil ou criminal que pesasse sobre eles.

No Brasil, a chegada da feira não tem data certa, mas ela se constituiu junto com a descoberta do país, pois ela veio de Portugal e se fixou aqui para vender alimentos as pessoas que trabalhavam na exploração das florestas. A partir da sua instalação no Brasil, não teve mudanças significativas, pois o padrão europeu para a feira predominou em todos os lugares que a importaram. Hoje, a feira de Santana no Pará, é a mais conhecida, por conter produtos raros e exóticos.

A feira desde seu inicio a 500 a.C. até os dias atuais manteve seu objetivo –manter um segundo mercado de venda de mercadorias por um preço mais baixo e destinado a todas as classes econômicas.

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