Perfil de um feirante

DESAFIO: Equipe mostra a vida na feira
DESAFIO: Equipe mostra a vida na feira (Foto: André Oliveira)

André de Oliveira Pinto

Eram 2h52m da manhã de um sábado quando nossa equipe partiu para a casa do feirante João da Cunha, que é casado e tem duas filhas. Estava frio e um pouco de neblina tomava conta da rua. Tivemos que ser rápidos, pois sabíamos que se atrasássemos poderíamos perder os primeiros momentos do dia de João. As ruas estavam vazias e silenciosas.

Todos os sábados, João da Cunha acorda por volta das 2h da manhã; prepara as frutas nas caixas, muitas delas ficam em câmaras refrigeradas. Separa as caixas de acordo com os tipos de produtos e, em seguida, coloca tudo no caminhão; na maioria das vezes ele faz tudo isso sozinho. Toda essa preparação não acontece apenas no sábado, isso deve ser feito todos os dias da semana, exceto de segundas-feiras, pois ele ainda trabalha no CEASA.

João nos conta que sempre sai as 3h30m, pois ainda precisa buscar dois de seus funcionários no outro lado da cidade. Aceitamos o desafio e o acompanhamos no trajeto. Dentro do caminhão conversamos sobre muita coisa. João nos contou sobre sua história e sobre suas dificuldades. Ele cresceu trabalhando na feira com seu pai e seu avô. Além disso, João disse que os dias chuvosos é a pior parte do trabalho. Dependendo da força, a chuva pode estragar as frutas e destruir as barracas. Quando isso acontece não há nada que pode ser feito para resolver o problema. “Muitos feirantes acabam com prejuízos enormes quando isso acontece” afirmou João da Cunha.

Outro fato que João nos revela é que atualmente encontrar mão de obra para trabalhar na feira não é fácil. Uma das razões é a instabilidade de renda. Muitos comerciantes acabam deixando a profissão porque ela não garante renda fixa. Assim, João revela que a melhor opção é fazer investimentos. A conversa continuou e foi cativante. Pegamos os funcionários, então partimos para a feira.

Às 4h15 João chega na feira. Começa o processo para descarregar as frutas do caminhão. O local já contava com alguns feirantes, porém, a rua vazia e escura, não parecia ser o local onde haveria uma feira pela manhã.

O processo de montagem foi lento e demorado. As estruturas da barraca precisavam ser bem encaixadas para não correr o risco de desmontar em cima das frutas. A barraca só ficou completamente pronta perto das 7h. Avistamos os primeiros fregueses e, em pouco tempo, aquele local parecia mágico. Pessoas diferentes umas das outras começaram a ocupar o cenário. Cores, movimento, sons e cheiros trouxeram vida ao ambiente, e aquilo que nos prontificamos a fazer havia acontecido: vivemos a vida de um feirante. Assim, quando João da Cunha disse “não me vejo fazendo outra coisa” eu sabia o porquê.

Veja entrevista com o feirante

MADRUGADA: repórteres mostram a vida dura do feirante, como a de João (foto)

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