Variedade de tudo

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OLHARES: Relatar tudo o que ocorre em uma feira daria um livro (Foto: Fabio Galuppi)

Larissa Godoy

Às nove da manhã o sol ardia na cabeça de quem se estava na feira livre em Alvinópolis. Em meio a uma imensidão de barracas, modelos de automóveis ali presentes mostram que o espaço costuma ser frequentado por todos os segmentos sociais. Um simpático flanelinha se aproxima e ajuda a manobrar o carro. Nosso passeio começa então pelo imenso corredor que reúne 120 barracas, que vendem diversos produtos, entre frutas, legumes, roupas e brinquedos.

Às nove e meia à multidão ainda não tomou conta da rua estreita. Os passos lentos e os olhos atentos me ajudam a perceber algo de singular por ali. Uma calmaria não convencional. Naquela feira livre, que por natureza é um local de gritos, manifestações e brincadeiras de feirantes a fim de chamar os clientes, os sorridentes feirantes não gritam – deixam que os consumidores venham até eles. E os clientes vão. Perguntam, testam e levam as frutas que estarão em suas casas.

Dez horas da manhã. O sol que antes ardia nas cabeças, agora queima a nossa pele, que passa de branca para rosada, deixando marcas na pele. Tiro então minha câmera da bolsa. Acabou a observação, hora de colocar a mão na massa.

– Vai queimar o filme, moça – disse um feirante, que ao ver tirar algumas fotos, tentou puxar assunto.

– Vai não, senhor. A foto ficou boa!

– E vocês, estão fazendo o que aqui?

Uma hora essa pergunta ia chegar até mim. Minha primeira matéria externa começava a ganhar asas e chegar às pessoas.

– Somos estudantes da FAAT, estamos desenvolvendo um trabalho da faculdade.

– Que legal.

Vi meus colegas conversando e fui ao encontro deles, que gravavam uma entrevista, com microfone, câmera e tudo o que têm direito. Observei, tirei algumas fotos e, ao ser abordada, me desviei da ideia de aparecer no vídeo. Por sorte fui salva por um colega, que chegou na hora certa…

Moradores, comércio, feirantes. Conversamos e entrevistamos pessoas que, de algum jeito, têm suas vidas entrelaçadas pela feira. Histórias e depoimentos que, de alguma maneira, fazem a história da cidade. Um espaço que deixa de ser apenas um centro de comércio de hortifrutigranjeiros para se tornar um ponto de encontro, de passeio e um espaço de distração para quem quer fugir do movimentado centro da cidade.

O relógio passava do meio-dia e nosso trabalho estava terminando. Com a sensação do dever cumprido, me vi fazendo o mesmo caminho de algumas horas antes. Agora com o sol em cima da minha cabeça, com as 120 barracas ao fundo e o flanelinha que encontrei no começo da minha história, ainda em seu trabalho, auxiliando os que ainda chegavam para ganhar suas moedas de agradecimento.

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