Imagens de um tempo

Humanos-Web-Titte Zambeli

Titte: realizei meu sonho ao projetar filmes

Livia Magrini

 

Era um domingo preguiçoso. E a chuva estava presente quando chegamos à casa de Titte Zambelli. Ao apertar a campainha, duas senhoras da janela indicam o caminho e autorizaram o acesso. Foi aí que vimos Sr.Titte Zambelli pela primeira vez. Os olhos azuis bem claros chamaram a atenção de imediato. A expressividade de seu olhar pode ser melhor entendido quando conversamos.

No momento em que entramos naquele pequeno porão de três cômodos a reação foi de muita surpresa. Impossível não soltar uma exclamação: “Meu Deus!”, duas palavras repetidas várias vezes. Na expectação ficamos parados olhando todas as cenas e imagens para termos certeza de que tudo aquilo era de verdade.

A conversa com Zambelli começou com sua história no cinema. Aos 17 anos trabalhava de lanterninha no Cine Itá. Nas horas vagas, durante o dia, saía para entregar em lugares próximos, pequenos folhetos anunciando o filme da semana. Depois de algum tempo, foi para a cabine, onde aprendeu a enrolar os filmes. Mas sua maior vontade era um dia poder projetá-los.

Todos diziam que era melhor desistir da ideia, pois não teria tempo para mais nada aos finais de semana, mas ele conseguiu e lá ficou por dez anos.

Percebemos que algo mais fazia brilhar os olhos daquele homem, mais do que o cinema: suas máquinas fotográficas Agfa, Yashica, Polaroid, Rolleiflex, Wagoflex, Exakta. Um universo fascinante naquela sala.

Titte ganhou sua primeira câmera aos 15 anos e mais tarde, quando já trabalhava no Cine Itá, começou a fotografar casamentos, festas e eventos da cidade para ganhar um pouco mais. Com o dinheiro que conseguia, comprava outras câmeras, lentes e filmes. Era sua verdadeira paixão.

Neste salão enxerga-se um cenário: um quadro bem grande pintado de azul com algumas nuvens no fundo. Um urso de pelúcia um pouco velho com uma espada ao lado ajuda a compor o ambiente. Lá, conta Zambelli, ele já fez muitas fotos de crianças. “Elas iam todas arrumadas, com seus melhores vestidos para serem fotografadas”, relembra.

Em meio a tantas imagens, as máquinas e aquilo que conhece de cada uma delas. Mais incrível ainda, saber manuseá las perfeitamente com pleno conhecimento da técnica necessária. Zambelli não deixou de ser fotógrafo, apesar das armadilhas do tempo. Na realidade percebe-se nitidamente que em suas fotos há alma e amor. Nos olhos daquele homem foi possível perceber um desejo: o de que os jovens pudessem conhecer  seu tesouro, em outras palavras sua própria vida.


 

Em suas fotos há alma e amor.

Em seus olhos, o desejo de que os jovens conheçam  seu tesouro,

sua vida, suas imagens


 

+Humanos

 

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