Os fazeres de Dona Ana

Vocação: dona de casa com muito saber

Vocação: dona de casa com muito saber

Milca Oliveira

Entre os diversos retalhos e o barulho da máquina de costurar, Dona Ana, de olhar meigo e sorriso no rosto espia pela janela e rapidamente abre as portas de sua casa para nos receber. Sozinha, ela vem com um pão quentinho feitos por ela e nos conquista com o sabor inigualável de um café, preparado por ela mesmo e incluindo nisso a torragem e a moenda dos grãos.

Aos poucos as memórias e lembranças vão tomando conta da conversa. Em vias de completar 90 anos, Dona Ana monstra-se uma mulher forte, de fé, trabalhadora, com grande sabedoria e conhecimento de mundo. Vinda de uma família pequena do interior de Minas Gerais, casou-se aos 16 anos, teve 11 filhos, “os quais criei com grande amor”. Dona de casa por vocação e paixão, possui muitos talentos. Faz de tudo um pouco. Desde crochê, tapetes de retalhos, costuras, biscoitos caseiros de polvilho, e broas de milho. Tudo isso ela aprendeu ao longo de sua infância, quando ainda morava no sítio. Era ela quem cuidava do gado e da lavoura: seu trabalho era na roça. “No capinar”.

Foi também no sítio que Dona Ana aprendeu sobre ervas medicinais. São centenas de nomes. E ela se lembra de todos e para o que cada um deles serve. Enquanto caminhamos no quintal ela aponta para plantas. Eucalipto de cheiro, caroço de abacate, gengibre, cânfora, arnica, folha de dália, bálsamo, óleo de girassol, marcelinha, pariparoba, hortelã, poejo, boldo, conta do rosário etc. Tem remédio para tudo.“Para dor de cabeça, alergia, gripe e até para rachadura no pé”, acentua.

Não à toa muitas pessoas a procuram em busca das “garrafadas” de remédios para as doenças. Entretanto, diferentemente de qualquer outra pessoa que acredita somente no “poder” das ervas, ela confia, mesmo, que o poder vem de Deus. E que ela é apenas usada para transmitir seu conhecimento aos outros. Em meio as conversas, Dona. Ana ensina diversas receitas e relembra os “causos” de antigamente. Faz questão de mostrar todo seu trabalho. Aliás, ela não se cansa. A todo o momento está atarefada fazendo as coisas da casa.

A conversa dura a manhã inteira. Cada momento é um aprendizado. Aos poucos, vamos nos despedindo, com muito carinho, desta mulher tão humilde e alegre, levando na bagagem um pouco de conhecimento e de experiências da vida.


 

Sem parar de trabalhar, conhece todas as plantas do quintal ( eucalipto de cheiro, gengibre, cânfora, arnica, folha de dália, bálsamo, óleo de girassol, marcelinha, pariparoba, hortelã, poejo, boldo, entre outros, e diz:

—Aqui tem remédio para todas as dores”


 

 

 

 

 

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