Passado e presente no Centro Histórico

Tradicional Pousada Alfonsi, revigorada.

Paulo Silva e Leticia Reis

Atibaia, em todo o seu esplendor, é de fato uma cidade histórica. Através das fachadas e casarões tombados, vislumbra-se o passado em forma de presente em cada detalhe de suas austeras, curvilíneas, remaquiadas e despojadas arquiteturas. A Pousada Alfonsi, localizada na Rua Lourenço Franco, centro, não foge a regra.

Ao andar pelos corredores amplos e silenciosos, o que  prende a atenção é a decoração: fotografias da cidade, da velha Atibaia, imagens que Dona Ana, mulher do Sr. Ricardo, herdou da família. Ali estão eternizados os mais famosos pontos históricos de Atibaia, como o Museu, a igreja Matriz, o prédio do Colégio. Major. Memórias monocromáticas.

De acordo com o Conselho Municipal de Cultura, entre os bens tombados do centro histórico de Atibaia, estão as duas igrejas – Matriz e Rosário –, o casarão Júlia Ferraz e duas fachadas na Rua José Lucas.

O Casarão, localizado na José Lucas, nº 11, teve sua base construída no século XVIII, o segundo andar em 1834 e a sacada com platibanda neoclássica foi introduzida em 1903, após uma reforma. Foi tombado
como patrimônio estadual em 1975 pelo Condephaat. Atualmente agoniza escorado em esteios de madeira. Sem telhado e com as fundações comprometidas, aguarda restauro.

Caminhando pela José Lucas, adiante, nota-se uma casa laranja. De acordo com Lilian Voguel, coordenadora do Museu Municipal de Atibaia, foi moradia de João Batista Conti e, posteriormente,
Sarau. A coordenadora ressalta ainda que o poeta Mário de Andrade frequentemente vinha à cidade e hospedava-se ali a fim de pesquisar as festas e congadas regionais. O Conselho Municipal de Cultura quis tombar a casa por completa, mas só a fachada foi beneficiada.

Alguns prédios do centro são isentos de IPTU, mesmo não sendo tombados como patrimônio municipal. O acordo foi consequência de longos períodos de negociação entre o Conselho Municipal de Cultura com
a Prefeitura de Atibaia. Isentá-los foi a medida tomada pelo Executivo a fim de preservá-los, assegurando-os pelo decreto 7064 de 16 de agosto de 2013.

Outro recurso é tombamento, que consiste em reconhecer o valor histórico e cultural de um bem, transformando-o num patrimônio municipal, estadual ou nacional, de acordo com o valor social e cultural atribuído a ele. Essa avaliação é feita por especialistas que mensuram a importância histórica, arquitetônica, assim como a preservação do bem a ser tombado.

De acordo com o historiador Marco Milani, membro do Conselho Municipal de Cultura, o valor simbólico,
social e cultural dos bens tombados, devem ser evidenciados. Ele aponta para a necessidade da população olhar com mais carinho ao entorno e conhecer as riquezas históricas que as cercam e procurar preservá-las.
“Valorizar o patrimônio, a história da cidade é fundamental para que as pessoas que moram nela compreendam como parte de sua comunidade e se empenhem no seu cuidado. Isso tem um efeito mais imediato, que é a possibilidade de retorno financeiro com o turismo, mas, acima de tudo, tem um efeito
a longo prazo que é a consolidação da cidadania. Efeito este que não pode ser medido em
valores monetários”, pontua.


 Valorizar o patrimônio, a história da cidade

é fundamental para que as pessoas que moram nela

compreendam como parte de sua comunidade

e se empenhem no seu cuidado


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