Passeio no Centro

O Centro mudou, mas preserva alguns legados, como a igreja matriz.

Hugo Moura e Yuri Felipe

Na rua, a primeira essência a pairar é a curiosidade: pessoas passam por você olhando, buscando,
tentando encontrar algum sentido naquela pessoa a tirar fotos daquela mesma rua que passamos todos os dias, sem nenhum motivo aparente.

José Bim, José Inácio e Benedito Almeida Bueno são familiares aos cidadãos que transitam o centro da cidade. Alguém reflete “como fora aquele local há 60 anos?”. Como era a Praça
Guilherme Gonçalves, cuja torre da Igreja do Rosário desponta no céu azul da acrópole climática assentada meio às montanhas remanescentes do sul de Minas Gerais, circunscritas em território paulista.

Histórias reverberaram no interior paulistano. Aquela cidadezinha, da Pedra Grande, dos Montecchios e Capuletos – à nossa maneira – fundada pelos desbravadores de terras, os Bandeirantes, geralmente usada como parada para descanso, por aqueles que mais tarde fundariam a cidadela de uma única igreja. Jerônimo de Camargo, fugido da Vila de São Paulo, em virtude da rixa com a família Pires, fixou-se por estas bandas.

Anos mais tarde, além da Igreja principal, fora construída outra: a do Rosário. Imediatamente
defronte para a Matriz – frequentada exclusivamente fiéis brancos. Em contrapartida, Rosário, somente por negros: nosso próprio apartheid. O resto, por mais fascinante que seja, é história. Esta, nem sempre conhecida por seus habitantes, marcada pelos olhares e pelas paragens mudadas, mas nunca descaracterizadas.

Da rua, resgatou-se relatos de senhores e senhoras daquele tempo. Desses, um resultado incrível: um retrato fiel das casinhas uniformes, quadradas, de janela azul e alvenaria cor de gelo esmaeceram junto às areias do tempo foi se formando. Hoje se destacam lojas e prédios, quase
que numa luta constante com a memória das ruas vazias, muitas ainda de terra, das vestimentas e pessoas de um passado não tão distante.

À frente do município estava o prefeito Walter Engracia de Oliveira, indicado pelo Governador do Estado, Lucas Nogueira Garcez. O chefe do executivo atibaiano, natural de Ribeirão Preto, fora um engenheiro nato. Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Engracia foi competente, bem como um sonhador e visionário: durante sua administração (1951-
1954), trouxe infraestrutura à cidade interiorana.

Você leitor, conhece o Museu Municipal ou a Biblioteca Pública? Sim? Os locais são parte da obra de Engracia.  O Paço Municipal, Parque Edmundo Zanoni e Fórum da Cidadania são nomes que se destacam dentre os feitos do ex-prefeito, perpetuado como melhor prefeito que Atibaia –
ou, do tupi, Tybaia- já teve.

As pautas incumbiram-se realizar as tarefas mais deliciosas de todas: entrevistar os conhecedores da cidade e da Belle Époque atibaiana; e reproduzir aquelas fotos antigas de coloração enferrujada, coladas desniveladas sobre as páginas, tiradas nos anos de 1953 e 1954. Desta forma, a comparação presente/passado torna se tangível. Meticulosamente preparadas —longe de um retrato fiel às originais, porém— as fotos contam o que a cidade por si só conta. As entrevistas contam o que só quem viu pode contar.


 Hoje se destacam lojas e prédios,

quase que numa luta constante com a memória das ruas,

das vestimentas e pessoas de um passado não tão distante


+Humanos … +Lugares …

 

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