Agência Mural, pimeira a noticiar periferias de São Paulo

Jornalistas escrevem sobre a realidade de vida dos moradores com um olhar positivo e otimista

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Agência mostra o que vê de bom nos bairros afastados, onde a vida continua. Fonte: Mural

Sabrina Duarte

Com o surgimento de cada vez mais veículos independentes, é possível fortalecer a democracia da informação. Com ela, o jornalismo se renova e a sociedade só tem a ganhar com a pluralidade. Contribuindo de modo particular, para a construção de uma realidade culturalmente bem desenvolvida, além de causar um impacto positivo ao reportar histórias de grande relevância social. A Agência Mural faz parte da história de evolução desse processo, criada em novembro de 2010, com o intuito de divulgar noticias sobre as periferias de São Paulo. O blog nasceu com o esforço coletivo de jornalistas para minimizar lacunas de informação. Hospedado desde seu início entre a lista de blogs da Folha de S.Paulo, o conteúdo trocado com os leitores é exclusivo, mostrando realidades até então invisíveis pela sociedade.

Fieis ao compromisso com o público, a agência posta uma reportagem por dia, de segunda a sexta, e já venceram nestes seis anos a barreira de mil histórias. Mais de cem muralistas, como são conhecidos os correspondentes locais, já passaram pelo blog. Cada um desses comunicadores é especialista em suas regiões e usam as ferramentas do jornalismo de boa qualidade para contar às histórias que ninguém conta.

O objetivo principal do trabalho é crescer e mudar a forma como os 21 milhões de cidadãos da Grande São Paulo enxergam e se relacionam com a região onde moram. Além de produzir e publicar informações que sejam relevantes, úteis, para que todos possam se sentir parte da mesma realidade e capazes de transformá-la. A seguir, entrevista com a agência que reafirma a importância de projetos independentes:

Em relação ao mercado do jornalismo independente. Como é a aceitação e o impacto na sociedade em relação a esse tipo de trabalho?

Agência Mural – O melhor possível. A Agência surgiu para incluir a vozes da periferia no principal fluxo de notícias e isso vem acontecendo. Já contamos mais de 1.000 histórias ao longo desses quase seis anos de existência.

Quais investimentos são realizados para o andamento do projeto? Como fazem para sobreviver?

Agência Mural – Alguns projetos como Mural nas Escolas, Guia de Emprego das Periferias e o site 32xsp conseguem recursos próprios. Mas estamos no processo de formalização da Agência. Ou seja, ainda não é nosso principal trabalho e fonte de renda.

Quais ferramentas mais usam e recomendam para manter o projeto, bem como o custo disso?

Agência Mural – Para as notícias, usamos estamos hospedados na Folha de São Paulo, que nos paga por publicação publicada. Também mantemos outro espaço de notícias no Medium, que é gratuito. E utilizamos as redes sociais que são gratuitas. Como não temos fonte de renda, não podemos nos comprometer com custos fixos.

Ainda há espaço para este modelo de jornalismo e quais evoluções podem/devem fazer neste ramo?

Agência Mural – Absolutamente. Os principais vencedores do Premio Gabriel Garcia Marquez deste ano e de outros tiveram iniciativas independentes como vencedores. O que não deixa de ser um termômetro. O grande desafio é de fato o financiamento desses projetos.

As mídias tradicionais ainda possuem o poder pela qual são responsabilizadas?

Agência Mural – Sim, totalmente. Afinal tem grande alcance e fonte de renda.

O modelo independente tende a substituir as mídias tradicionais?

Agência Mural – Não diria substituir. Eles surgiram porque a mídia tradicional ainda conta histórias enviesadas. O jornalismo independente quer trazer outros pontos de vista, geralmente a partir dos moradores. A grande mídia ainda dá mais ênfase às fontes oficiais.

Qual a contribuição deste trabalho para o jornalismo de um modo particular, bem como qual a contribuição para a sociedade de um modo geral?

Agência Mural – Trazer à essência do jornalismo. Permitir mais democracia. Afinal, é mostrar ao morador que ele pode e deve fazer parte da notícia. Dessa maneira, tornando atuante na sociedade, podendo reivindicar, amplificar sua voz e seu papel.

Qual o papel do receptor nesse universo acelerado e múltiplo de opções e de decisões possível pela tecnologia?

Agência Mural – De colaborador. É assim que ele deve ser tratado. Não necessariamente tomando o papel do jornalista para contar a história, mas sendo ouvido, o que ainda é feito por grande parte da mídia, que está sucumbida, muitas vezes, à informação fácil e simplista.

Quais outros veículos ou modelos recomendaria para os futuros jornalistas conhecerem?

Agência Mural – A Ponte, a Pública, Nós, Mulheres da Periferia, Periferia em Movimento, entre outros.


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