Propaganda não garante voto

Ferreira, vê passsatempo no horário eleitoral, Odete pede mais debate e Aline observa o desrespeito

Ferreira, vê passatempo no horário eleitoral, Odete pede mais debate, e Aline observa o desrespeito

Darcie Visan

Foram 45 dias de horário eleitoral gratuito. Cerca de 260 minutos diários de exibição de propaganda de candidatos em rede de rádio e televisão aberta. Gratuito? Mas quem paga essa conta? Os veículos de comunicação doam seus nobres horários em nome da democracia? Certamente, não! O horário eleitoral só tem gratuidade para os partidos políticos e a conta sobra, é claro, para o contribuinte.

As emissoras de rádio e TV, embora sejam concessões públicas, têm 80% do valor do horário comercial que disponibilizam aos partidos, ressarcido pela dedução de impostos. A Receita Federal estima que, em 2014, cerca de R$ 839,5 milhões de impostos deixarão de ser arrecadados das emissoras em função do horário eleitoral.

Apesar do alto valor que os cofres públicos deixam de arrecadar por conta do horário reservado às eleições, a propaganda eleitoral é considerada como direito à cidadania e peça do sistema democrático.

Em agosto deste ano, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou, por meio do Instituto de Pesquisa MDA, que somente 11,5% dos eleitores entrevistados disseram ser influenciados pela propaganda eleitoral.

Para o funcionário público aposentado Lázaro Ferreira já desanimado com a política, o horário eleitoral é como um passatempo depois de um dia exaustivo de trabalho: “Assisto como se fosse uma novela, me distraio e até tento tirar algum proveito, mas sei que na realidade é uma ficção. São promessas infundadas, impossíveis de serem realizadas”.

É inegável que grandes agências de publicidade estão por trás da construção do discurso dos candidatos. Frases bem feitas, produções emotivas, preleções bem ensaiadas e até brincadeiras e paródias são pensadas estrategicamente por publicitários. Mas o que se tem constatado é que a população não se convence tão facilmente por esses métodos.

Para a comerciante Aline Isabel Okamura, alguns candidatos usam o horário indevidamente e aproveitam o espaço de forma desrespeitosa quando usam o humor para falarem de coisas sérias ou até mesmo tentam impor suas orientações religiosas ou sexuais ao público: “As pessoas confundem suas convicções pessoais e, portanto individuais com propostas que deveriam servir à coletividade e fazem do horário um palanque de promoção pessoal enquanto que ali deveriam ser apresentadas melhorias para a sociedade em geral”.

A dona de casa Odete Regatieri ressalta que os debates promovidos pelas emissoras são muito mais proveitosos que mais de um mês de propaganda eleitoral: “Eu me decidi depois dos debates, pois ali os candidatos são pegos desprevenidos e têm de mostrar seu conhecimento e preparo ao vivo sem cortes ou ensaios”, garante.


 

Um pensamento sobre “Propaganda não garante voto

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