Resgatar o papel social de nossa profissão

Victor de Paula

 As mudanças ecológicas que atualmente tem transformado o mundo ganham cada vez mais espaço na mídia e as idéias de responsabilidade social e sustentabilidade são difundidas em larga escala através dos meios de comunicação. As palavras de ordem “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” deram lugar para “Reduza, Reuse e Recicle”, mas, mesmo com todas estas campanhas de conscientização cresce a cada dia mais a quantidade de lixo nas cidades.

E é neste cenário que um personagem fundamental para a manutenção da nossa sociedade nasce e é popularmente chamado de catador de papel. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – o Brasil produz diariamente 240 mil toneladas de lixo e o município de São Paulo, que possui aproximadamente 10 milhões de habitantes, produz por mês 15 mil toneladas. Deste material 23% é reutilizável. De todo esse material são recolhidos e reciclados pelos catadores 3,3 milhões de toneladas de papel, 120 mil toneladas de alumínio e 360 mil toneladas de plástico por ano no Brasil

Possivelmente os dados acima sejam divulgados pela mídia uma vez que o trabalho destes brasileiros é que coloca o Brasil no ranking dos 10 países no quesito reciclagem. Porém, um dos dados não divulgados pela imprensa é o de que, segundo a Coopamare – Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis – um catador trabalha em média 10 horas por dia e tem uma renda mensal que varia entre R$ 350 à R$ 600 reais.

Como futuros jornalistas, devemos resgatar o papel social de nossa profissão e um dos pilares que a sustentam é o de levar a voz aos menos favorecidos. Conscientes da nossa condição de formadores de opinião podemos propagar a importância profissional e, cabe dizer, sócio-ambiental, do cidadão que se utiliza do que não é mais utilizado pela sociedade como forma de sobrevivência. E assim contribuir para dar condições mais humanas e para a edificação dos direitos destes trabalhadores.