Green Park: moradias irregulares no interior paulista

Ana Gabriela Storai Coutinho

 

Os trabalhos de conclusão de curso do jornalismo da Faculdade de Atibaia neste ano, contou com temas fundamentados e de grande valor social para o interior de São Paulo. O documentário desenvolvido por Tamara Gonçalves, Maria Thereza Longombardi e Éric Brandão foi a de justamente explorar uma  situação de total descaso e esquecimento vivido por  alguns cidadãos.

A proposta era mostrar um pouco sobre a realidade das pessoas que vivem em moradias irregulares, dentro de um exemplo próximo de nós, que é o bairro Green Park em Bragança Paulista. As pesquisas foram embasadas e desenvolvidas com o apoio de especialistas e estudiosos sobre o assunto, mas a grande dificuldade foi ao buscar informações da própria prefeitura da cidade que se omitiu, anulando sua responsabilidade sobre o assunto.

Em ano de eleição, onde muitos interesses se colidem, os moradores tornaram-se mais acanhados e desconfiados sobre as reais intenções do grupo, já que os mesmos já tiveram grandes experiências com grandes promessas e pouca resolução. Mas, a maior dificuldade foi o suporte técnico da faculdade também se tornou uma grande dificuldade, prejudicando a destreza e aprimoramento do trabalho.

Invasão: uma questão de sobrevivência

O planejamento foi organizado através de cronogramas internos, contanto com todas as atividades que se colocaria em prática. Conforme eram cumpridos, elaboravam novas estratégias. O projeto contou com despesas pesadas, devido ao material e tecnologia avançada, mas foi totalmente controlado e medido de acordo com as condições da equipe, sem ferir a qualidade almejada.

Tamara Gonçalves conta um pouco do impacto que tal trabalho refletiu em sua experiência e vida pessoal: “Me surpreendeu a forma como as pessoas amam aquele lugar em que vivem e como é um pensamento cruel, querer retirá-las de lá, sendo que a prefeitura pode (e deve) legalizar o lugar e fazer com que as famílias permaneçam lá.” E acrescenta: “A capacidade do meu grupo também, em fazer jornalismo, em encarar um bairro pobre, cheio de pessoas desconhecidas e amar aquilo que fez foi o mais gratificante!”

Ainda que envolvidos por um conflito social, onde cada morador tem a sensação de insegurança, o amor pelo bairro é impactante. O projeto exigiu uma presença frequente da equipe no bairro, onde os moradores dividiam sua rotina, particularidades, opiniões e medos.

Apesar da negativa da prefeitura para com o assunto, o Prefeito de Bragança João Afonso Sólis, busca indenizar a proprietária do terreno, Dona Benedita, e dar posse para cada um dos moradores. Com o grande sucesso do documentário o grupo foi motivado a buscar novas alternativas e aprofundar ainda mais a problemática que possui grande valor para a sociedade não só bragantina, mas brasileira.

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“Green Park – o retrato de uma ocupação” A realidade das moradias irregulares em Bragança Paulista

Por: Cléo de Oliveira

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O documentário feito pelos alunos Tamara Salazar, Maria Thereza Longobardi e Eric Brandão, retrata o cenário da vida real no Green Park – loteamento situado em Bragança Paulista, interior de São Paulo. Segundo eles, a proposta da feitura deste trabalho é apresentar a realidade vivida pelos moradores deste local, que surgiu há mais de 20 anos.

Sobre o surgimento do Green Park, Maria Thereza dá uma breve explicação: “era um terreno particular que foi transformado em loteamento, que não foi aprovado, tornando-se irregular. Com toda a burocracia e o passar dos anos, a regularização do local tornou-se cada vez mais complicada e distante, tornando o local passível de invasões, dado o descaso e abandono, caracterizando assim, uma ocupação”.

A partir disto, o principal foco do documentário, segundo Longobardi, é o cotidiano dos moradores e qual o posicionamento deles com relação ao bairro em que vivem. Além da visão dos moradores externos – de outros bairros – com relação a eles. Especialistas em habitação e moradia irregulares, especialistas em outras áreas diversas (arquitetos, urbanistas, filósofos, sociólogos e jornalistas) artigos científicos e documentos cedidos pela prefeitura deram embasamento a este documentário. “Conseguimos um considerável número de informações que nos ajudaram muito no decorrer da realização do trabalho”, diz Longobardi.

Dentre as dificuldades encontradas para a execução deste trabalho, a principal delas foi conseguir entrevistas com representantes de órgãos oficiais, como a prefeitura. “Procuramos diversas vezes – desde o começo até o final do trabalho – os responsáveis pelas áreas de habitação da prefeitura, apesar de nos cederem algumas informações, todos se negaram a dar entrevistas, lamenta Maria Thereza. Outro apontamento feito por Longobardi foi na parte de edição do material, pois segundo ela os computadores da faculdade não suportam grande quantidade de material. ” Chegamos a perder boa parte de material já decupado e cortado, tendo que recomeçar do zero e quando recomeçamos o programa só travava, fazendo com que fosse impossível editarmos na faculdade “, frisa.

Sobre as estratégias, o trabalho foi desenvolvido a partir do pré – roteiro idealizado pelo grupo e pelo orientador. Nisto, este roteiro serviu como “bússola” para que o documentário fosse construído. Financeiramente, o documentário teve o custeio de R$ 2.000, entre transporte, alimentação e materiais para o feitio do trabalho.

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Para que seja feito um Trabalho de Conclusão de Concurso é importantíssimo o aluno se interessar pelo assunto, pois o mesmo terá que conviver com o tema durante, aproximadamente, um ano. Apaixonar-se pelo tema é algo natural.  “Apaixonei-me pelo objeto de estudo, pelo fato de gostar de me relacionar com as pessoas e retratar isso, principalmente os que estão à margem da sociedade, sofrem algum tipo de preconceito e etc. Foi justamente isso que me fez optar pelo jornalismo e agora, por esse tema. Poder vivenciar essas realidades”, conta Longobardi.

Depois de, aproximadamente um ano, o grupo obteve alguns resultados: a situação do bairro é totalmente desconhecida pelos órgãos públicos e nada é feito pelos mesmos para que os moradores tenham uma vida digna. “A atitude e o modo com que a Prefeitura nos tratou só confirmou a tese de que realmente, para eles, o Green Park é um assunto que preferem deixar ‘debaixo do tapete’. Tal comportamento não deveria acontecer, pois o próprio Poder Público deveria providenciar moradias dignas a esses cidadãos, com escolas, postos de saúde, segurança e oportunidades de emprego próximo, a fim de estabiliza-los socialmente. O que está longe de ser realizado”, afirma Maria Thereza.

O grupo que produziu o documentário não pretende deixá-lo somente como produto acadêmico, e sim trazer conhecimento para aquelas pessoas que desconhecem a situação dos moradores do Green Park. Além, de entrar em contato com o representante do lugar para que possam organizar um local (igreja, salão) para que seja feita a reprodução do documentário para os moradores. “Esperamos também que o Poder Público tome conhecimento do trabalho e se sensibilize”.

Segundo Maria Thereza, um dos seus desejos é efetuar um trabalho sobre conscientização da população que mora no Green Park. E que seja levada informações imprescindíveis sobre direitos de moradia e direitos de cidadãos. Independentemente do lugar onde estas pessoas moram estes direitos têm que ser igualitários.