Curta metragem poderá ser gravado em Piracaia

Terceiro segredo fala sobre a dor da perda

Filme Terceiro Segredo. Foto: Divulgação

Filme Terceiro Segredo. Foto: Divulgação

Lucian Oliveira

Piracaia serviu como cenário de vários filmes nos últimos anos, como “Menino do Kichute” (2010), a série de terror “Muito alem do medo” produzida pelo canal pago MGM, e a novela Esmeralda, gravada pelo SBT em 2004. 

Neste ano, a equipe de filmagens do curta metragem “Terceiro Segredo”, produzido pelo diretor e roteirista João Roberto, esteve no município para conhecer as locações que podem ser utilizadas nesta obra. Para Ana Piller, diretora de artes do curta, “as visitas de locação que fez em Piracaia  foram bastante técnicas, porque as filmagens estão agendadas para dezembro”

O curta ainda busca o financiamento coletivo por meio do Crowfundig Catarse, que registra até o presente momento a arrecadação de apenas R$ 2.160, bem abaixo da meta estipulada em R$10 mil. De acordo com a produção, a maior parte desse dinheiro seria para locomoção dos integrantes da equipe, alimentação e hospedagem

Com o começo das gravações previstas para o inicio de dezembro, Terceiro Segredo trata o tema “morte” e o modo com que as pessoas lidam com ela. Em entrevista para o site “cinema e pipoca” o diretor João Roberto explica que na ocasião em que roteiriza este curta, sua bisavó de 96 anos veio a falecer de morte natural. “As sensações de perda e luto são iguais para qualquer um, e não foi diferente comigo”, explica o diretor, que considera este assunto ainda  “um tabu para a maioria das pessoas.”


 

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Jornalismo cultural prioriza leitores cultos

… Textos pobres mostram falta conteúdo e leitor para o jornalismo cultural …

Foto por Daniel Deak. Segundo Congresso de jornalismo cultural realizado pela revista CULT organizado na TECA (Teatro da PUC – São Paulo)

Segundo Congresso de jornalismo cultural realizado pela revista CULT organizado na TECA (Teatro da PUC – São Paulo). Foto: Daniel Deak.

Roberta Damiani

O jornalismo cultural nasceu no século XVIII na forma de panfletos e revistas direcionados ao público feminino. Com o tempo esse jornalismo mudou, diversificando-se em revistas, jornais, programas de rádio e televisão que tratam sobre o assunto. Porém as reportagens com conteúdo evidenciando carências na reportagem, levando a vago entendimento por parte do leitor.

A cultura pode ser vista de várias maneiras: a história de uma determinada região, uma crítica sobre um quadro feito por Leonardo Da Vinci, ou um filme estrelado por Johnny Deep. Em resumo, cultura pode ser tudo aquilo que vem da sociedade, a envolve, interpreta ou tenta traduzi-la. Portanto uma reportagem sobre cultura pode englobar diversos assuntos e abordagens, que devem ser tratados cada um a sua maneira.

Jotabê Medeiros, formado em comunicação social e repórter de cultura do jornal O Estado de São Paulo

Jotabê Medeiros, formado em comunicação social e repórter de cultura do jornal O Estado de São Paulo

Apesar de existir vários veículos direcionados para a cultura, grande parte dos conteúdos  são de teor elitizado. O custo elevado e o uso de palavras cultas dificultam o entendimento para pessoas mais simples. As revistas dedicadas à cultura tem uma linguagem mais complexa, com enunciados direcionados para um público especializado.  De um modo geral, pessoas leigas  encontram dificuldade para compreender.

Quem acentua isso é o jornalista Jotabê Medeiros, numa entrevista concedida a Marcelo Januário, quando … “cito o exemplo da música: uma banda de rock só “acontecia” se tivesse a chancela da indústria fonográfica. Só o jornalista mais privilegiado, com a possibilidade de viajar ao exterior, é quem tinha acesso aos novos movimentos estéticos e culturais. Tanto o consumo cultural quanto a crítica cultural eram mais elitizados”.

Por outro lado os programas de entretenimento passados na televisão também superficializam a cultura, na medida em que sugerem programas que preferem se pautar mais pelo que acontece na vida do artista do que na obra que ele produziu e o significado dela.

O jornalista Jotabê Medeiros, diz que a crise atual do jornalismo afeta também o jornalismo cultural.  “O jornalismo como um todo vive uma crise, da qual não se pode excluir o jornalismo cultural. Crise de empregos, degenerescência dos cursos de comunicação, aviltamento das relações profissionais no âmbito das grandes empresas”…

Hoje, quando é analisado as mídias brasileiras é raro encontrar uma pauta em comum nelas. Como no dia 07/09/2015 em que o Jornal do SBT e o SBT Brasil, ambos da emissora SBT, noticiaram fatos diferentes em relação à cultura. O primeiro trazia duas notícias: uma de um passeio de trem com degustação de cerveja no Paraná e a outra sobre uma praça que foi reinaugurada no Rio de Janeiro. Já o segundo programa exibiu notícia sobre o faturamento que de vídeos no canal YouTube. Nas outras concorrentes, o Jornal Bom dia Brasil apresentava uma reportagem sobre o Brazilian Day, e o jornal mais importante da emissora Rede Globo, o Jornal Nacional nada expôs sobre cultura.

As Rádios Jovem Pan e Estadão, em seus respectivos programas matinais Jornal da Manhã e  Estadão no Ar, no mesmo dia 07/09/2015, não noticiaram nada sobre cultura. Curiosamente, a rádio Estadão não teve apresentação do seu programa Estadão no Ar.  Uma justificativa que poderia amenizar vem do fato deste olhar sobre a programação ter ocorrido no dia da independência do Brasil, quando ocorrem vários eventos comemorativos em todo o país.

Nesse mesmo dia também foram observados melhor os veículos impressos —jornal Estado de São Paulo e Folha de São Paulo— que trouxeram notícias sobre cultura em suas capas. O Estadão apresentou uma nota na capa sobre a volta da banda Legião Urbana, enquanto a Folha, além deste anuncio, reservou o rodapé da sua capa para uma reportagem sobre a final do programa de televisão Masterchef Brasil.

Estas publicações parecem mostrar o que circula comumente na indústria cultural, com pouco destaque para artistas e obras mais recentes. Apesar da internet ajudar o leitor a buscar o que lhe interessa, por vezes esta confunde os neófitos ou desatentos., Ou, como diz Michel Laub em seu texto “jornalismo cultural”, publicado em 2013 na Folha de São Paulo “Cada elemento do mundo digital – a interatividade, a fragmentação, o gosto pelo novo e pela síntese – tem mais de uma faceta. A fonte estimulante de conhecimento pode virar um fetiche, quando não um ethos autoritário. Os pequenos consensos da internet são tão nocivos quanto os grandes consensos da velha mídia”.

Instituto Gingas participou do Prêmio Jornalismo Cultural, realizado pelo Itaú Cultural.

Instituto Gingas participou do Prêmio Jornalismo Cultural, realizado pelo Itaú Cultural.

Apesar de existir expressivos nomes na crítica cultural e leitores que se interessam em compreender sobre essa modalidade, falta a maturidade dos jornalistas e repórteres em realizar grandes matérias, com conteúdos relevantes para um público ou audiência mais abrangente.