Uma outra REALIDADE

Mylton Severiano: uma  Realidade recontada pelo seu editor

Mylton Severiano: uma Realidade recontada pelo seu editor

William Araújo
O autor da obra “Realidade: história da revista que virou lenda”, Milton Severiano da Silva, defende uma tese contundente: “a ditadura não acabou no Brasil”. Ele acentuou essa idéia ao ler a orelha do livro de sua autoria lançado recentemente, deixando no ar uma dúvida: “… se a ditadura que matou Realidade já acabou, então por quê?” … não se faz mais revista com esta?
Sua resposta em diálogo com os estudantes de Jornalismo da Faculdades Atibaia-FAAT (23/5) é a de que a ditadura hoje é disfarçada, pois está no monopólio que padronizou os produtos e não permite controvérsias.
EXEMPLOS
Nesse sentido, citou alguns exemplos, como o fato da mídia estar nas mãos de algumas famílias e de políticos. Para ilustrar, mencionou o processo contra o blog “Falha de S. Paulo“, uma paródia ao veículo Folha de S. Paulo, bem como o processo movido contra o Estado de S.Paulo para que o mesmo não publique matérias sobre a “operação Boi Barrica” que envolve o filho de José Sarney. Ao seu ver, quando isso acontece é sinal que “está tudo dominado”.
Pior que isso, destaca Severiano, é o fato de haver muita impunidade. Hoje, até membros da Suprema Corte parecem estar envolvidos em escândalos.
Na política então nem se fala. Severiano mostra seu desagrado como o modelo de eleição representativa adotada no país, acentuada por uma quantidade de partidos absurda. Ao seu ver, o que existe mesmo é um “arremedo de democracia”.
Saída para isso não parece estar em outra revista Realidade, mas sim na ação de todos utilizando os veículos disponíveis. Sua recomendação é de que todos “twitem”, “blogueiem”, “facebookeiem”, num verdadeiro trabalho de formiguinha.
VIGOR
Na realidade, Mylton Severiano da Silva continua bastante sintonizado com o jornalismo da época da Revista Realidade. Seu desejo de mudança para melhor é visível e ecoa em cada palavra que esboça. Bem informado e crítico, deixou bem claro a falta que faz publicações como esta.
Mais que isso, expôs que Manchete espionava o que faziam para tentar “furá-los” (jargão jornalístico que significa noticiar algo com exclusividade), mas no fundo era uma revista de consultório dentário. Cruzeiro também tentou seguir a pegada de Realidade, e entende que as únicas revistas que fazem algo nessa linha são a Caros Amigos e a Piauí, sendo esta última mais soft.
LIVRO
Sobre o livro, foi bastante franco, no bom sentido: “Sobrou para mim escrevê-lo”, pois ninguém o faria. Depois que recebeu das mãos de Paulo Patarra, realizou entrevistas com as maioria dos envolvidos com a revista na época do período militar. As editoras Cia das Letras, Geração Editorial e Record não se interessaram, mas a Insular resolveu aceitar o desafio. Aliado a isso, vê também no setor livreiro problemas semelhantes aos que ocorrem na  mídia, ou seja, nichos de poder que impedem que as obras sejam distribuídas em nível nacional, o que acaba encarecendo ainda mais este segmento.
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O livro pode ser adquirido na Editora Insular
Livro mostra inteligência do jornalismo em tempos difíceis

Alunos recebem livros infantis

Alunos  de 1ª e 2ª séries das escolas municipais de Atibaia recebem quatro mil livros de literatura infantil

Por Simone Lazzarini 

A alegria tomou conta das crianças que ganharam os livros. Foto: Ass. Prefeitura Atibaia

 

O Projeto “Leitura no Coração da Escola” em Atibaia existe desde 2009, com  o objetivo de formar bons leitores e disseminar a prática da leitura para alunos do 1º e 2º ano das escolas municipais de Atibaia.

 
Neste mês, os alunos recebem do projeto da Secretaria de Educação de Atibaia  4 mil livros de literatura infantil. Os quais os mesmos puderam viajar e sonhar através das obras de escritores conceituados como Pedro Bandeira, Ziraldo e Monteiro Lobato.