Brasil gasta milhões para enterrar lixo

O problema ocorre em virtude de questão cultural e falta de responsabilidade

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Lixão da Estrutural. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Márcia Silva

Responsabilidade compartilhada e investimento na educação são os pontos mais urgentes para a sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Estevão Vernalha, professor de Gestão Ambiental da FAAT, afirma tratar-se de uma questão cultural, social e econômica.

Ele explica que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) orienta a gestão e toda a cadeia de gerenciamento do lixo, porém afirma que o ponto principal é a responsabilidade compartilhada. “Todos são responsáveis, desde o gerador do resíduo. Será que ele separa o resíduo? Faz compostagem?”, perguntou Vernalha.

Para o professor, a palavra lixão é algo que causa arrepio, pois recolher o resíduo orgânico de um local e levá-lo para outro pode parecer uma proteção para a coletividade, mas na verdade causa grandes impactos ambientais. Diante disso ele também explica que o aterro sanitário não é a solução. “Vivemos numa sociedade cada vez mais consumista, que utiliza cada vez mais recursos, assim geramos cada vez mais resíduos e precisa-se de mais espaço para fazer aterro sanitário”, diz Vernalha, que manifesta sua preocupação com o aumento na produção do lixo.

“O Brasil e outros países de Terceiro Mundo gastam milhões para enterrar bilhões! É de chorar, mas é exatamente isso”, declara Vernalha. Para ele, grande parte destes resíduos poderia ajudar o país. Ele afirma ser difícil fazer um prognóstico, mas declara que “um pano de fundo importante é o investimento em educação verdadeira”.