Alunos de Jornalismo criam ensaios de revistas

Os alunos assistem atentos as apresentações

Carlos Berti apresenta sua revista “Carros de Rua”.

Cristiane Ferreira

Karen Sarraf

Paloma Rocha Barra

Nesta quinta-feira, 6, alunos do terceiro ano de jornalismo da FAAT realizaram um evento para a demonstração de ensaios de revistas. A apresentação foi motivada por um trabalho acadêmico destinado à disciplina de planejamento editorial, que teve como objetivo estimular os estudantes usarem a criatividade na criação de revistas. A intenção foi que os alunos aprendessem a parte de diagramação, editoriais, e os processos de produção de um veículo desse tipo.

As revistas

Segundo professor Osni Dias, ao passar a atividade para os alunos muitos afirmavam que não havia um tema diferente a ser abordado, porém os alunos apresentaram revistas com temas distintos, como Rogério Vincenzi que criou a revista intitulada como “O segredo da Cachaça”, inspirada pelo ramo de atividade de sua família, que são proprietários de alambiques. A revista “Carros de Rua” criada por Carlos Berti se tratava de carros rebaixados, que segundo ele é um assunto não muito abordado pela mídia, e que possuí grande público. A revista trazia dicas para rebaixar o carro, entre outros.

Alane Souza, criadora da revista “Sob Controle”, se baseou no automodelismo, carros controlados por um controle remoto ou estáticos, com matérias sobre diferentes formas de controlar o carro, controles remotos, etc. Um dos destaques foi a revista de Katarina Brandi sobre disco de vinil, intitulada como “Bolacha”, voltada para o público colecionador e que trazia um conteúdo explicando o que era o vinil, quais os discos mais famosos, entre outros.

A aluna Dárcie Visan, criou a revista “Melhor idade” voltada para o público da terceira idade, abordando temas como sexualidade, saúde, e bem estar. Já a revista “Picante”, criada por Sérgio Fagundes com o intuito de inovar, abordava assuntos relacionado à sexualidade. A revista de Eduardo Bonholo “PS Personal Style” falava sobre a moda masculina, com o objetivo de deixar os homens a par do mundo da moda. A última revista a ser apresentada “Futsite”, criada por Lucas Rangel, abordava o tema de futebol society, com matérias sobre personagens do showbol, do futebol society da região, entre outros.

As apresentações serviram como forma de avaliação da disciplina, onde os alunos puderam aprender todo o processo de criação de uma revista. Algumas delas estarão disponíveis no perfil do professor Osni.

Confira abaixo as fotos das apresentações:

Alunos de Jornalismo participam de bate-papo com Mylton Severiano

Mylton Severiano conversa com os alunos de Jornalismo da FAAT Faculdades

Mylton Severiano conversa com os alunos de Jornalismo da FAAT Faculdades

Cristiane Lustosa e Karen Sarraf

Na quinta-feira, 23, os alunos de Jornalismo da FAAT Faculdades receberam Mylton Severiano para um bate papo sobre sua trajetória. A iniciativa de trazer o jornalista até a instuição partiu dos alunos do terceiro ano, Dárcie Visan, Lucas Rangel e Rogério Vincenzi, que estão realizando uma pesquisa sobre a revista Realidade.

O jornalista que já passou pelas mais importantes empresas de comunicação do Brasil, como Abril, Globo e Cultura, conta que descobriu sua vocação para jornalista graças a um amigo, que arranjou um trabalho na redação Folha. “Quando vi aquele frenezi, todo mundo batendo na máquina porque era hora do fechamento, pensei que era aquilo o que eu queria”, conta.

Mylton, conhecido como “Myltainho” falou sobre o período da ditadura, as dificuldades encontradas pelos jornalistas para produzir algo numa época em que o povo não tinha voz, contou fatos interessantes de sua carreira e sua trajetória na revista Realidade, esta inclusive é o tema de seu livro, lançado recentemente pela Editora Insular. “Realidade: A História da Revista que Virou Lenda”, conta os fatos mais importantes e curiosos da publicação.

O final do bate-papo foi marcado pela entrega de um presente em sinal de agradecimento pela sua ida até a instituição,encerrando o encontro agradável e importante para todos os presentes, principalmente para os alunos que puderam compartilhar do conhecimento de um grande nome do jornalismo nacional.

Mylton recebe presente em sinal de agradecimento pela sua ida até a instituição

Mylton recebe presente em sinal de agradecimento pela sua ida até a instituição

Uma outra REALIDADE

Mylton Severiano: uma  Realidade recontada pelo seu editor

Mylton Severiano: uma Realidade recontada pelo seu editor

William Araújo
O autor da obra “Realidade: história da revista que virou lenda”, Milton Severiano da Silva, defende uma tese contundente: “a ditadura não acabou no Brasil”. Ele acentuou essa idéia ao ler a orelha do livro de sua autoria lançado recentemente, deixando no ar uma dúvida: “… se a ditadura que matou Realidade já acabou, então por quê?” … não se faz mais revista com esta?
Sua resposta em diálogo com os estudantes de Jornalismo da Faculdades Atibaia-FAAT (23/5) é a de que a ditadura hoje é disfarçada, pois está no monopólio que padronizou os produtos e não permite controvérsias.
EXEMPLOS
Nesse sentido, citou alguns exemplos, como o fato da mídia estar nas mãos de algumas famílias e de políticos. Para ilustrar, mencionou o processo contra o blog “Falha de S. Paulo“, uma paródia ao veículo Folha de S. Paulo, bem como o processo movido contra o Estado de S.Paulo para que o mesmo não publique matérias sobre a “operação Boi Barrica” que envolve o filho de José Sarney. Ao seu ver, quando isso acontece é sinal que “está tudo dominado”.
Pior que isso, destaca Severiano, é o fato de haver muita impunidade. Hoje, até membros da Suprema Corte parecem estar envolvidos em escândalos.
Na política então nem se fala. Severiano mostra seu desagrado como o modelo de eleição representativa adotada no país, acentuada por uma quantidade de partidos absurda. Ao seu ver, o que existe mesmo é um “arremedo de democracia”.
Saída para isso não parece estar em outra revista Realidade, mas sim na ação de todos utilizando os veículos disponíveis. Sua recomendação é de que todos “twitem”, “blogueiem”, “facebookeiem”, num verdadeiro trabalho de formiguinha.
VIGOR
Na realidade, Mylton Severiano da Silva continua bastante sintonizado com o jornalismo da época da Revista Realidade. Seu desejo de mudança para melhor é visível e ecoa em cada palavra que esboça. Bem informado e crítico, deixou bem claro a falta que faz publicações como esta.
Mais que isso, expôs que Manchete espionava o que faziam para tentar “furá-los” (jargão jornalístico que significa noticiar algo com exclusividade), mas no fundo era uma revista de consultório dentário. Cruzeiro também tentou seguir a pegada de Realidade, e entende que as únicas revistas que fazem algo nessa linha são a Caros Amigos e a Piauí, sendo esta última mais soft.
LIVRO
Sobre o livro, foi bastante franco, no bom sentido: “Sobrou para mim escrevê-lo”, pois ninguém o faria. Depois que recebeu das mãos de Paulo Patarra, realizou entrevistas com as maioria dos envolvidos com a revista na época do período militar. As editoras Cia das Letras, Geração Editorial e Record não se interessaram, mas a Insular resolveu aceitar o desafio. Aliado a isso, vê também no setor livreiro problemas semelhantes aos que ocorrem na  mídia, ou seja, nichos de poder que impedem que as obras sejam distribuídas em nível nacional, o que acaba encarecendo ainda mais este segmento.
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O livro pode ser adquirido na Editora Insular
Livro mostra inteligência do jornalismo em tempos difíceis