“O Drama da Maternidade Precoce” aborda tema pouco explorado na cidade de Atibaia

Por: Maria Thereza L. Basile

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Em seu livro-reportagem, Cleonice de Oliveira propõe desmistificar dois assuntos que são considerados tabus na cidade de Atibaia, a gravidez e o aborto na adolescência. Além de tentar fazer com que os âmbitos da política, mídia, educação e saúde possam estar mais atentos e debater sobre a criação de políticas públicas voltadas a saúde e os cuidados com a adolescente grávida.

Através de pesquisas em sites de artigos científicos, percebeu que todos os textos que leu tinham um teor de alerta, pois a gravidez precoce é encarada como problema de saúde pública no Brasil e no mundo. A principal dificuldade enfrentada por Cleonice foi a de encontrar números relacionados ao aborto na adolescência em Atibaia. Pois, a secretária de saúde, Rita Bergo, e a secretária adjunta da Secretaria de Desenvolvimento Social, Márcia Zigaib, não puderam disponibilizar por falta de arquivos e meios que constassem esta informação.

Cada capítulo do livro descreve de forma diferente o cenário da gravidez e aborto na adolescência. Como Cleonice já sabia, previamente, o que iria descrever em cada capítulo, montou grupos de possíveis entrevistados que iriam fazer parte de cada capítulo. Primeiramente, fez a parte de pesquisa científica sobre o que iria falar, depois as entrevistas com os profissionais de saúde e por último as entrevistas com as adolescentes que iriam fazer parte do capítulo correspondente.

“De princípio achei que muitas pessoas iriam declarar ser contra a descriminalização do aborto, porém a maioria afirmou ser totalmente ou parcialmente a favor da descriminalização do aborto. Outro ponto que me surpreendeu foi o fato de que a Administração do município trata a gravidez e o aborto na adolescência como inexistente. Não existem programas cedidos pela Secretaria da Educação ou da Saúde sobre prevenção da gravidez precoce. E muito menos de prevenção contra o aborto. E por último, também me deixou surpresa saber que o conservadorismo ainda existe em Atibaia, infelizmente, bloqueando programas que poderiam melhorar a vida das adolescentes gestantes”, relata Cleonice.

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Segundo Oliveira, o que a fez ter vontade de se aprofundar mais no assunto foi saber que, quanto mais investigava sobre a gravidez precoce e especialmente sobre o aborto em Atibaia, mais coisas descobria. Na grande maioria eram descobertas falhas e não trabalhos bem realizados. “Gosto de falar sobre assuntos que carregam bastante crítica, o aborto é um deles”, explica.

Colocar o aborto na adolescência em pauta, na cidade de Atibaia e descortinar o delicado processo das adolescentes grávidas do município, não foi uma tarefa simples. O município, de forte tradição religiosa, tem perfil considerado conservador, inclusive no que se refere a posições políticas-ideológicas. Dessa forma, é pouca a luz lançada sobre a questão. A presença de estudos científicos, de debates públicos (com atuação de agentes políticos) e mesmo da mídia é escassa quando se fala de aborto. O tema é tabu. Apenas surge como notícia nas páginas policiais, nos momentos em que a mulher que escolhe abortar é criminalizada.

Para Cleonice, além do conhecimento que adquiriu sobre o assunto, a construção deste livro-reportagem pode ser uma oportunidade para que a administração da cidade possa olhar a gravidez precoce com mais seriedade, já que é uma questão de saúde pública. “Pretendo doar um exemplar deste livro para a biblioteca da cidade, para que alunos possam fazer suas consultas, pois acredito que poucos são os livros que falam sobre gravidez na adolescência”, finaliza.

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“Green Park – o retrato de uma ocupação” A realidade das moradias irregulares em Bragança Paulista

Por: Cléo de Oliveira

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O documentário feito pelos alunos Tamara Salazar, Maria Thereza Longobardi e Eric Brandão, retrata o cenário da vida real no Green Park – loteamento situado em Bragança Paulista, interior de São Paulo. Segundo eles, a proposta da feitura deste trabalho é apresentar a realidade vivida pelos moradores deste local, que surgiu há mais de 20 anos.

Sobre o surgimento do Green Park, Maria Thereza dá uma breve explicação: “era um terreno particular que foi transformado em loteamento, que não foi aprovado, tornando-se irregular. Com toda a burocracia e o passar dos anos, a regularização do local tornou-se cada vez mais complicada e distante, tornando o local passível de invasões, dado o descaso e abandono, caracterizando assim, uma ocupação”.

A partir disto, o principal foco do documentário, segundo Longobardi, é o cotidiano dos moradores e qual o posicionamento deles com relação ao bairro em que vivem. Além da visão dos moradores externos – de outros bairros – com relação a eles. Especialistas em habitação e moradia irregulares, especialistas em outras áreas diversas (arquitetos, urbanistas, filósofos, sociólogos e jornalistas) artigos científicos e documentos cedidos pela prefeitura deram embasamento a este documentário. “Conseguimos um considerável número de informações que nos ajudaram muito no decorrer da realização do trabalho”, diz Longobardi.

Dentre as dificuldades encontradas para a execução deste trabalho, a principal delas foi conseguir entrevistas com representantes de órgãos oficiais, como a prefeitura. “Procuramos diversas vezes – desde o começo até o final do trabalho – os responsáveis pelas áreas de habitação da prefeitura, apesar de nos cederem algumas informações, todos se negaram a dar entrevistas, lamenta Maria Thereza. Outro apontamento feito por Longobardi foi na parte de edição do material, pois segundo ela os computadores da faculdade não suportam grande quantidade de material. ” Chegamos a perder boa parte de material já decupado e cortado, tendo que recomeçar do zero e quando recomeçamos o programa só travava, fazendo com que fosse impossível editarmos na faculdade “, frisa.

Sobre as estratégias, o trabalho foi desenvolvido a partir do pré – roteiro idealizado pelo grupo e pelo orientador. Nisto, este roteiro serviu como “bússola” para que o documentário fosse construído. Financeiramente, o documentário teve o custeio de R$ 2.000, entre transporte, alimentação e materiais para o feitio do trabalho.

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Para que seja feito um Trabalho de Conclusão de Concurso é importantíssimo o aluno se interessar pelo assunto, pois o mesmo terá que conviver com o tema durante, aproximadamente, um ano. Apaixonar-se pelo tema é algo natural.  “Apaixonei-me pelo objeto de estudo, pelo fato de gostar de me relacionar com as pessoas e retratar isso, principalmente os que estão à margem da sociedade, sofrem algum tipo de preconceito e etc. Foi justamente isso que me fez optar pelo jornalismo e agora, por esse tema. Poder vivenciar essas realidades”, conta Longobardi.

Depois de, aproximadamente um ano, o grupo obteve alguns resultados: a situação do bairro é totalmente desconhecida pelos órgãos públicos e nada é feito pelos mesmos para que os moradores tenham uma vida digna. “A atitude e o modo com que a Prefeitura nos tratou só confirmou a tese de que realmente, para eles, o Green Park é um assunto que preferem deixar ‘debaixo do tapete’. Tal comportamento não deveria acontecer, pois o próprio Poder Público deveria providenciar moradias dignas a esses cidadãos, com escolas, postos de saúde, segurança e oportunidades de emprego próximo, a fim de estabiliza-los socialmente. O que está longe de ser realizado”, afirma Maria Thereza.

O grupo que produziu o documentário não pretende deixá-lo somente como produto acadêmico, e sim trazer conhecimento para aquelas pessoas que desconhecem a situação dos moradores do Green Park. Além, de entrar em contato com o representante do lugar para que possam organizar um local (igreja, salão) para que seja feita a reprodução do documentário para os moradores. “Esperamos também que o Poder Público tome conhecimento do trabalho e se sensibilize”.

Segundo Maria Thereza, um dos seus desejos é efetuar um trabalho sobre conscientização da população que mora no Green Park. E que seja levada informações imprescindíveis sobre direitos de moradia e direitos de cidadãos. Independentemente do lugar onde estas pessoas moram estes direitos têm que ser igualitários.