Discriminação persiste no mundo

…  violência contra grupos considerados diferentes, são vistos em vários países …

Em Maringá (2007), campanha dva orientação para denúncia sobre discriminação.Foto: Ricardo Lopes/PMM

Em Maringá (2007), campanha orienta para denúncia sobre discriminação.Foto: Ricardo Lopes/PMM

Roberta Damiani

Diariamente aparecem notícias sobre violência contra alguns grupos que são considerados “diferentes”. Hoje, o alvo mais comum dos ataques são aos homossexuais, que são agredidos verbalmente e também fisicamente. Porém, não existe só o preconceito contra gays, a chamada homofobia. E existem ainda discriminações raciais, xenofobia (contra pessoas estrangeiras), sexismo (contra a um determinado gênero), contra a religião, e até mesmo contra magros, gordos, altos, baixos, carecas, cabeludos, ou seja, hoje existe discriminação para quase tudo.

Em algumas culturas, como a islâmica, as mulheres não podem ir à escola, trabalhar ou andar nas ruas sozinhas. Sofrem preconceitos caso sejam separadas ou viúvas e, além disso, não podem nem mostrar o corpo, segundo os mandamentos do próprio islamismo.

E não é só no Oriente que o sexismo existe. Em países ocidentais as mulheres também sofrem preconceitos. Por isso foi criado o projeto Everyday Sexism Project, um site criado para unir histórias sobre preconceito que algumas mulheres sofreram. Elas relatam pequenos e grandes “desaforos” que já ouviram em suas vidas. O preconceito de contrata-las pelo risco que tem de engravidar, ou serem tratadas como apenas secretárias, são histórias presentes no site do projeto.

Um caso recente foi um homossexual russo que conseguiu refúgio na Argentina, por causa da quantidade de palavras ofensivas que escutava no seu país de origem. O Gene (como o chamam para preservar sua identidade) sofria há dois anos assédios frequentes e pediu ajuda a FALGBT (Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais) para asilo no país. Na Rússia, esse tipo de minoria não tem uma legislação que possa defendê-los dessas ofensas.

Na África do Sul, um jovem professor de Oxford, Inglaterra, abriu uma mesquita para homossexuais. A “Mesquita Aberta” também receberá mulheres que poderão conduzir suas preces e rezar no mesmo salão que os homens estarão presentes. Taj Hergey, fundador dessa mesquita, já recebeu ameaças de morte, mas não desistiu de mantê-la aberta. Ele acredita que a mesquita irá ajudar a erradicar o radicalismo islâmico.

Alguns países pretendem acabar com esse preconceito. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que será considerado preconceito proibir o casamento gay em 24 estados que fazem parte do país. Os nove juízes constatam que para acabar com a discriminação, no país, não se pode aceitar o casamento nacionalmente, é um trabalho que deverá ser feito aos poucos.

Em alguns países, essa decisão está longe de ser aceita. O Irã, por exemplo, tem sentenças de morte para atos homossexuais e ainda obrigam a fazer a cirurgia de mudança de sexo alegando que suas almas nasceram no corpo errado. Até as famílias iranianas são contra homossexuais. Um jovem de 21 anos, chamado Soheil foi obrigado pela família para que ele fizesse a mudança de sexo, ou o matariam.

Mas até mesmo o catolicismo, apesar de muita oposição, está mudando o tratamento com os homossexuais. Num documento escrito por 200 bispos. No texto eles definem os homossexuais como pessoas que tem “dons e qualidades a oferecer”. Nesse texto não há nada que mostre mudança ou condenação em atos homossexuais, mas ainda são usados termos fortes para se referir a eles.

Não pode deixar de citar o Brasil quando o assunto é discriminação. Mesmo sendo pouco percebido e muito bem maquiado, o país tem um grande histórico de preconceitos contra tudo o que aparenta ser distinto.

É sabido que o país foi criado com bases preconceituosas. Quando houve a  colonização, o Brasil precisava de mão de obra escrava, por isso trouxe os negros para fazer trabalhos pesados e aos poucos foi fazendo o mesmo com os índios – que já habitavam nessa terra antes dos portugueses chegarem.  Mesmo após a abolição da escravatura, a divisão continuou existindo.

Carlos Augusto, 24, já sofreu muito por ser negro. Foi rejeitado em várias empresas por não ter o “perfil ideal” para trabalhar. Além disso, ele já viu várias pessoas que o olhavam de baixo para cima, segundo ele, reparando em suas roupas e na sua cor. “Já vi várias pessoas que faziam cara feia quando chegava em algum lugar mais elegante, fora os cochichos entre elas. A gente percebe tudo isso”, relatou Carlos.

Porém não existem só três ou quatro tipos de preconceitos. Existe também aquele preconceito maquiado, aquele que achamos graça mas alguém sempre sai ferido. Brincadeiras com pessoas baixas, gordas, altas, magras, pessoas que tem sotaques diferentes, de outro país ou região, que possuem deficiências, entre muitas outras diferenças, também sofrem com as piadas e brincadeiras de mau gosto.

Ana Aparecida, 52, conta que não sabe quantas vezes ouviu piadas por estar acima do peso e também por ser mulher. “Acontece principalmente no trânsito, escuto coisas como ‘vai pilotar fogão’ e ‘lugar de mulher é na cozinha’. Hoje já nem me importo mais com xingamentos desse tipo, mas tempos atrás eu rezava para terem leis que punissem esses ‘engraçadinhos’ de nos ofenderem”.

Não são só a Ana e o Carlos já passaram por situações desse tipo. Jéferson Leite, 24, conta que sempre sofreu algum preconceito por ser gay. “Não foi uma ou duas vezes, foram várias. O governo pode até tentar esconder, mas só quem é considerado ‘diferente’ sabe o que precisamos aguentar. Basta ler os noticiários: todo dia alguém é violentado ou ofendido por ser negro, homossexual, entre outros”.

Mesmo com todos os casos que são registrados diariamente, o preconceito ainda está longe de acabar. Algumas mudanças drásticas, como punições a quem pratica esses atos cruéis, precisam ser investidas para o começo da erradicação desse problema.

Em certos países o poder público já cogita em acrescentar algumas leis que defendam as minorias que são agredidas. Um exemplo disso é o Brasil, que já está em andamento o projeto de lei contra a homofobia. Contudo outros países estão longe de chegar num bom senso contra a discriminação.


Fontes: Veja:Islamismo, casamento gay, mundo,   ; BBC : mesquita, , Everydaysexism, DW, EM, R7, G1, Folha-UOL, Uniube

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