Alimentação planetária exige equilíbrio

… Hábitos alimentares reforçam preocupação com avanço da obesidade e suprimento adequado …

 

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Sabores, fartura e estética nos alimentos sugerem opção perigosa. Fonte: Sobrepeso

Laila Faria

Desde os nossos antepassados, a vida de caçador-coletor foi modificada ao longo do tempo, com a evolução das maneiras de conseguir alimentos e a chegada da agricultura. Começamos a plantar nossa comida, a criar animais e não mais caçá-los e assim por diante evoluímos tanto que atualmente quase tudo está disponível nas gôndolas dos supermercados.

O ato de alimentar é tão importante, mas a sociedade julga como uma tarefa irrelevante e que deve ser feita rapidamente. O resultado são pessoas obesas, doentes cardíacos, entre outros desencadeamentos, culpa da indústria alimentar moderna, dos fast foods importados dos Estados Unidos e do mercado publicitário, todos envolvidos num ciclo nada saudável que só piora nossa qualidade de vida.

Por outro lado, há o chamado slow food, ou seja: “comida lenta”, um movimento criado por Carlos Petrini em 1986, vêm ganhando força mundo afora, com site, aplicativos e outras vertentes ligadas à uma alimentação saudável e sustentável. Pena que isso não é divulgado na grande mídia, por ser um movimento contra o consumo desenfreado e desperdício; não é lucrativo, mas um reforço de que o ciclo não se altera, por poder em poucas mãos. É necessária também, a atitude da sociedade.

Viver no erro, na zona de conforto, fez de nós humanos, máquinas. Somos pensantes, porém não há raciocínio para sair dessa rota que exausta, como no texto “Uma Vida sem pausa”, de Paul Virilio, somos “programados” para viver assim, girando contra nosso relógio biológico. A vida tranquila é condenada pelo capitalismo, como relata no documentário “A história das coisas”, de Anne Leonard, explica de forma dinâmica a mecanização do homem.

Alimentação: da necessidade biológica ao fast food

Se fizermos uma linha do tempo sobre alimentação, vamos perceber que nem sempre a relação do homem com a comida foi fácil, mas em tempos de praticidade nunca comemos tão mal, não há diversidade, segundo a nutricionista portuguesa Alda Alvim, “aqui que se manifestam as escolhas alimentares. Numa oferta ilusoriamente diversificada (tem-se várias apresentações de um mesmo alimento e não uma real diversidade de alimentos)”. A indústria é quantitativa e não qualitativa.

No Brasil uma triste realidade acontece todos os dias, em grandes centros a comida farta, o desperdício, variedades e por outro lado, há pessoas que vivem com um prato de comida por dia, ou sequer isso. Importamos o fast food americano, exportamos nossa melhor agricultura e comemos o resto.

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Estudantes combinam alimentos para dieta equilibrada. Fonte: Nutriçãonaminhavida

Na raiz do problema

O crescimento populacional no Brasil têm afetado as relações de consumo e a alimentação. Mas, nada justifica a má qualidade dessa alimentação, como diz novamente Alda Alvim: “neste ambiente de oferta e procura, onde o mercado e o consumo são apoiados pela escassez de tempo, ficam definidas as escolhas alimentares, fica definida uma alimentação pouco saudável, sem tempo, sem lugar, sem horas, onde predominam alimentos de risco, nocivos, densos em termos energéticos e pobres em nutrientes”.

Mais do mesmo: na geografia local e solução

Na região do interior de São Paulo divisa com sul de Minas, a agricultura familiar é responsável por 70% da produção. O polo do café concentra-se nessa área, onde também há cultivo de milho, feijão, batata, trigo, entre outras leguminosas e verduras. Parte dessa produção vai para grande São Paulo ou para o porto de Santos, alimentando a agricultura de exportação. Pesquisas estimam que o Brasil tenha a maior agricultura de exportação em 2024.

Pensando no desperdício que gera essa agricultura em larga escala, a ONG Associação Preto Cheio, certificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), fundada em 2001, por um grupo de universitários que identificou um grande volume de alimentos desperdiçados no Mercado Municipal de São Paulo e passou a arrecadar e distribuí-los para entidades assistenciais.

A solução para o problema da má alimentação causada pela vida sem pausa, o desperdício e a má distribuição, estão longe de serem resolvidos. Porém, se todos souberem da existência de movimentos que lutam contra essa maré consumista, a questão da alimentação, envolvida com seus diversos problemas, poderia ser resolvida mais rápido, com a sociedade civil na causa, pois os causadores desses problemas não são os sofredores, para toda causa uma consequência, mas ficar anos a fio no mesmo problema, vamos ser aniquilados pelas causas e mortos pelas consequências. Fato.

Tags: alimentação moderna, dietas calóricas, saúde


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