Sociedade vive rotina de consumo

… estímulo para comprar recorre a várias estratégias continuamente reajustadas …

Pôster do filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

O hábito do consumo pode ser compulsivo, como expõe o filme baseado na obra “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”. Fonte: aPsicologiaOnline

Bianca Fernandes

Os padrões de consumo cresceram com o avanço da tecnologia. O consumismo não tem data de nascimento nem pais, foi uma lógica consequência da Revolução Industrial. Assim com a Revolução Industrial o consumismo transformou a capacidade humana de modificar a natureza, o aumento da produção e por consequência da produtividade barateou os produtos e os processos de produção, com isso milhares de pessoas puderam comprar produtos que antes eram restritos às classes mais ricas. As empresas começaram a criar bens, muito além das necessidades da cidade, era necessário encontrar novos mercados e com fazer que as pessoas desejassem adquirir os bens produzidos.

Embora o primeiro shopping center tenha surgido em Londres em 1609 (o New Exchange de Robert Cecil), o consumismo era limitado aos que tinham um significativo poder de compra, então o consumismo sempre existiu, desde as civilizações mais antigas. Esse fenômeno de massa surgiu para as classes médias e os trabalhadores começarem a consumir produtos não necessários. Um fator essencial para o sucesso do consumo em grande escala é a consolidação do sistema consumista, que foi desde logo o uso massivo dos meios de comunicação de massa, o primeiro anúncio publicitário “moderno” é do ano 1630, mas é só no século XIX que a publicidade entra na vida das pessoas de forma significativa.

O branding dos anos 90 está cada vez mais avançado. O comercial da Coca-cola está fazendo com que os jovens não só se lembrem da marca, mas com que eles se debatam em salas de aulas sobre os próximos comerciais que seram lançados. O jogo do branding chega até as personalidades da mídia, diretores de cinema e estrelas de esportes que estão sendo cativadas “pelas empresas como a Nike e a Gap a alavancar seu próprio potencial de branding”(KLEIN,2003,pág. 54 ).

O branding continuou com sua trajetória por vários países e um fato que posso dizer foi dos londrinos que no final do ano a Regent Street, que colocava suas luzes de Natal para todos vêem, descobriu que em 1997, não teria como substituir as luzes daquele ano e entrou em parceria com a Yves Saint Laurent, que colocou luzes muito grandes e fez com que seus compradores percebessem quem iluminou o natal naquele ano. Ou seja, o patrocinador teve um destaque maior do que o produto. Outro destaque que o livro fala de paisagem urbana, foi o que a Levi’s fez. Além de aumentar seus gastos em publicidade em outdoors,“Chesney pintou sua rua de prata. Comprou as fachadas de quase todos os prédios do trecho mais movimentado da Queen e transformou-as em outdoors”(KLEIN,2003, pág. 61 ), com extensões em 3D, espelhos e néon. Só que com isto, vários moradores ficaram tão bravos com a invasão de tantas propagandas.

“Os desenhos animados e as lanchonetes, falavam as crianças em uma voz sedutora demais para que meros pais mortais, pudessem competir com elas”(KLEIN, 2003, pág. 169 ). Os desenhos passaram a ter dupla publicidade. Os personagens dos desenhos animados, passaram a virar brinquedos e a ser estampados em mochilas e vários outros acessórios para crianças. As empresas não estavam mais interessadas em ser as mais bem sucedidas nas redes de tv. “A terra da mídia aferrava-se à mania de fusões. Se você não estivesse em toda parte… não estaria em lugar nenhum”(KLEIN, 2003, pág.171 ). Sinergia é usar redes de extensão de marcas em eterna expansão para obter um estilo de vida auto-sustentável. As empresas passaram a explorar o varejo. Resolveram criara superlojas. “A idéia geral era criar um lugar que seja parte shopping center , parte parque de diversões, uma publicidade mais poderosa e evocativa do que mil outdoors (KLEIN, 2003, pág. 174,175).

No ano das exploradoras em 1995-1996, várias irregularidades, como mão de obra infantil em fábricas ilegais, que não pagavam o salário mínimo, crianças trabalhando em regime de escravidão, salários de fome e intimidação militar de trabalhadores, mulheres sendo mantidas presas em regime escravo, tudo foi divulgado. Estas atrocidades estavam por debaixo da fabricação de marcas famosas. Não são apenas as supermarcas e as celebridades que as endossam que sentiram o golpe do Ano da Fábrica Exploradora- cadeias de lojas de roupas grandes varejistas e lojas de departamentos também se viram responsabilizados pelas condições sobre as quais são produzidos os brinquedos e roupas expostas em suas prateleiras (KLEIN, 2003, pág. 357 ).

China é um dos países que mais consomem bens supéfluos. Fonte Época, Imagens Getty Images; ThinkStock; AGBPhoto

A eficácia das campanhas baseada nas marcas e a imagem de desfrutar do moderno e do famoso entre os jovens. As campanhas de imagens e logos tem sido marcado em nossas mentes, mas nada supera a realidade das pessoas sofrendo com a pobreza e a opressão em lugares distantes. “Agora que as corporações teceram seu arco-íris global de logos e etiquetas a infra-estrutura para a genuína solidariedade está aqui para ser vista e usada (KLEIN, 2003, pág. 385 ). Os logos da Nike, da Shell e do McDonald’s fizeram campanhas que se destacaram e alcançaram fundo na consciência pública. As táticas que elas usaram foram de transparência as corporações e a Internet para desviar da mídia tradicional.

Assim, centrado no fator da “falsa necessidade de consumo”. O consumo exagerado de bens materiais e o impacto agressivo acabam exercendo mudanças absurdas nas pessoas. Hoje em dia, os bens são criados para satisfazer a estética, e a aceitação por parte da sociedade, assim, quem tem mais e quem tem o melhor, dessa maneira, o consumismo interfere também, nas relações inter-pessoais e no status das classes. Outro fator é que o grau de felicidade diminuiu ao decorrer dos anos, já que não temos tempo de aproveitar. Tal problemática acaba se tornando um clico, ou seja, temos mais coisas, porem menos tempo para aproveitar o que nos faz felizes. Passamos cerca de oito a dez horas trabalhando, oito horas dormindo, mais cinco horas estudando , sobrando  de duas a três horas durante o dia que estamos dispostos a “descansar”, assim em um momento de lazer, assistimos TV, vamos a um shopping, tudo girando em volta do capitalismo.

Assim trabalhamos cada vez mais para conseguir comprar mais. Porém o mais incrível é que 99% das coisas que cultivamos e compramos se transforma em lixo após somente seis meses de uso.  Portanto dois fatores são fundamentais a obsolescência planejada e perceptiva.  A obsolescência planejada é outra forma de dizer, criado para jogar fora.  Já a obsolescência perceptiva é nos convencer a jogar fora o que ainda são úteis.

Fontes: KLEIN, Naomi. Sem Logo – A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido). 1 ed. Record, 2002. ; Jornal GGN ; Youtube ; Sobrepeso ; Nutrição na  Minha Vida

Tags:  Consumo, Compulsão, Supérfluo


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